julho 28, 2016

The Bright Side

Dear reader, I hope the days are treating you well.

Tantas vezes pensei em escrever aqui mas acabava desistindo. Tanto acontecendo no mundo que minha parca e infantil inspiração se perde no vazio e na perspectiva da realidade.

Estamos no ápice do verão por aqui. O que não significa que estamos morrendo de calor, note bem. Tivemos dois dias de heatwave onde as temperaturas atingiram raríssimos 30ºC. Todos acreditamos que iríamos derreter. Mas depois disso as temperaturas voltaram aos usuais 18ºC e ninguém mais reclama.

Este ano não plantei nada comestível na horta. Estamos usando nosso tempo cada vez mais raro para dar uma ajeitada no jardim, limpar, arrancar, jogar tralhas fora. Ao invés de verduras, eu e Miss S plantamos flores. Percebo a cada ano que o que mais sinto falta durante nosso longo e arrastado inverno são as cores. E agora as cores vêm se espalhando e brotando a cada canto, principalmente dentro da minha mente cansada.






























E quem continua nos visitando, pelo sétimo ano consecutivo, é o velho e bom Pepe the Blackbird. Todo verão eu penso que é o último que estamos ajudando Pepe e sua ninhada. E eis que outra primavera chega e lá está ele na porta do nosso conservatory pedindo mais uva passas, mais rápido, if you please woman.

Agora no alto verão ele e outros blackbirds vão procurar outras frutas silvestres frescas e maduras que abundam na nossa área rural.





Nossa cerejeira é sempre o alvo cobiçado por todas as espécies, sejam pássaros ou vespas ou pobres humanos. Mas nossas chances são escassas. Os pássaros comem os frutos antes de amadurecerem. Houve um ano que cobrimos a árvore com tela para poder colher algumas cerejas. Mas não vale a pena o esforço. Então deixo os pássaros comerem a parte deles. Quando passo pela árvore e vejo alguma cereja madura e intacta, como ali, de pé na árvore.





Mas na maior parte das vezes só me resta assistir da janela da cozinha os pássaros (como Mr. Corvo abaixo) devorarem as cobiçadas jóias:





Porém, minha gentileza não se estende aos morangos, oh no. Ganhei oito mudas do pai de Mr.M, que cultivou as plantas desde a semente, replantou as mudas e as trouxe pro nosso jardim. Não há pássaro fominha que amoleça meu coração e me impeça de cobrir as plantas com tela (as lesmas, porém, conseguiram passar a perna que nem têm em mim e devoraram os primeiros e maiores morangos).













Tão doces, caro leitor, tão suculentos, perfumados e cheios de cores vibrantes. Quase me fazem esquecer do inverno longo, do cinza, das cinzas, dos noticiários. No momento desta escrita os morangos já se foram, apenas alguns frutos pequenos ainda amadurecem nas plantas. Talvez por isso eu queira registrar a memória deles aqui. O tempo e as estações não vão parar por nada deste mundo. Nem por bombas, nem por referendums. Eu não sei escrever textos elaborados sobre esses últimos temas. Mas quem é que sabe, quem é que entende os motivos, quem é que coloca em palavras precisas o indizível lamento? Escrevo sobre o que me cabe, apenas. E ultimamente é só isso aí em cima que consigo. Mais ou menos.

"Cultivate an attitude of happiness. Cultivate a spirit of optimism. Walk with faith, rejoicing in the beauties of nature, in the goodness of those you love."

~ Gordon B. Hinckley

Escrito a mão pela Marcia às 12:48 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(13)

maio 18, 2016

Spring awakening

























Dear reader, how are you? I hope this letter finds you well.

A primavera aqui teve vários alarmes falsos. Quando a gente achava que a geada já estava para trás, logo vinha outra frente fria do Ártico trazendo mais gelo aqui na região montanhosa. As tulipas pagaram o preço caro de desabrochar quando a luz do dia começou a ficar mais longa. A maioria das tulipas perderam suas flores na geada e na neve que insistia em cair até três semanas atrás.

Mas aos poucos, e finalmente, a primavera chegou. Nossa cerejeira ficou carregada de suas flores brancas como nunca vimos antes. Se os frutos vierem na mesma proporção talvez tenhamos chances de colher a nossa porção em meio à competição acirrada contra blackbirds e vespas.

Nossa macieira também está coberta de flores, que eu sempre acho que são tão mais elegantes que as cerejeiras...

E pelas ruas as inúmeras cerejeiras imensas também todas floridas de vários tons de rosas, contrastando com o céu azul que há meses não víamos.

Tudo combinando alegremente com as menininhas de uniforme de verão, com os playgrounds cheios de barulhos novamente, com o perfume do protetor solar, dos chapéus coloridos, sinfonia de cortadores de grama, passarinhos apressados em criar ninhos.

Aos poucos vou também acordando de um inverno que foi mais uma vez muito longo, muito escuro. Não havia muito o que escrever aqui porque não havia muito acontecendo além da nossa rotina de sempre. Mas agora há sementes crescendo na horta, há planos e novidades para contar mais pra frente (já adianto que Miss S continua e continuará filha única). A estação está apenas começando, dear reader. I see you soon.

Escrito a mão pela Marcia às 11:22 AM | Comente este fragmento(15)

janeiro 30, 2016

Dark days, bright food



Energy balls de tâmaras, laranja, castanha-do-Pará e cereal de arroz





Feijoada vegetariana





Lanches do Martin





Lanches da Sophie









Novo ❤️ : Pip & Nut Manteiga de Amêndoas e Coco





Aveia Flahavans, banana, blueberries e Pip & Nut






Aveia Flahavans, banana, frutas silvestres e Pip & Nut





Grãos-de-bicos despelados um a um (gosto do meu hummous smoooooth)





Hummous bem lisinho, receita de Yotam Ottolenghi ❤️





Pão Barbaree, cordeiro, hummous, salada de pepino e tomates, queijo fresco





Abacate, abóbora, brócolis, ovos com Zaatar e tortilla de milho





Beterraba, berinjela, kale chips, salada, tomate, abacate, chorizo e ovo





Spanakopita





Almoço com salada





Almoço com polenta



Dear reader, how are you? Por aqui os dias continuam escuros, curtos, chuvosos e com ventos incessantes.

Se você não estava morando dentro de uma caverna nos últimos dois anos, já deve ter ouvido falar sobre o mindful eating ou alimentação consciente. Há uma enorme leva de novos autores sobre o tema, lideradas por Ella Woodward e Madeleine Shaw (mas se você não conhece nenhuma das duas, pode trocar por Bela Gil, ha!).

Li vários reviews das duas autoras acima, mas não me animei com nenhuma. Acabei comprando o novo livro do velho e confiável Jamie Oliver, Everyday Super Food. Apesar de seus muitos defeitos, é indiscutível que Jamie tem uma equipe fantástica de nutricionistas e pesquisadores por trás dele, embasando os conceitos que ele prega. E nesse livro encontrei dois aspectos marcantes: 1) Não há nenhuma foto de Jamie ostentando a lifestyle cheio dozamigos cool 2) Redescobri minha motivação para cozinhar, que andava perdida recentemente.

A proposta do livro é simples: comer mais alimentos naturais, evitar açúcar, selecionar com cuidado a fonte de gordura e proteína. Não é um típico livro de receitas. São basicamente várias idéias de como escolher e combinar itens para uma refeição equilibrada. Os capítulos são divididos em Café-da-Manhã, Almoço, Jantar, Snacks & Drinks. As informações no final do livro são ainda mais valiosas que as receitas.

Do livro fiz as receitas das Energy Balls e da Feijoada Vegetariana. Gostei muito de ambos. Mas a grande mudança veio com o conselho de Jamie: "se você fizer apenas uma coisa desse livro, que seja um café-da-manhã". Para mim foi um grande catalisador das mudanças que se seguiram. Não sou daquelas que pula o café-da-manhã, mas dia após dia engolia um pedaço de pão com café com leite. As vezes comia granola, as vezes outro cereal, com o mesmo entusiasmo que uma vaca mastiga grama. E talvez com a mesma cara também.

Aveia eu tentei gostar tantas vezes, por tantos invernos... Já nos separamos e voltamos, separamos e voltamos novamente. Mas desta vez estava decidida a firmar laços. Fui aprender o básico. Percebi que nunca fiz nas proporções corretas e nunca havia feito com água. Comprei a melhor aveia do mercado, a irlandesa Flahavans (ainda assim custou £2 um pacote de 1Kg) e segui os conselhos de Jamie à risca. E finalmente descobri o prazer de um porridge bem feito, cremoso, não-grudento, não-gosmento, mas macio e agradável.

No dia-a-dia, porém, optei por fazer overnight oats (mais opções aqui), que não suja nenhuma panela. Coloco a aveia, água, leite e agave na tijela, cubro com um pires e deixo na geladeira. De manhã esquento no microondas por 1m20s e adiciono frutas e uma colherada do fantástico Pips & Nuts Manteiga de Côco e Amêndoas por cima. A grande diversão é pensar em diferentes coberturas. Bananas? Yes, nós temos. Blueberries? Yes, please. Frutas congeladas, frutas secas, maple syrup, nozes. E em todas essas manhãs escuras, tenho comido meu porridge quentinho, cremoso, milhas de distância dos outros cimentos que outrora ingeri.

E depois desse café da manhã me sinto mais inclinada a continuar a comer de forma equilibrada o resto do dia, para não desperdiçar o bom começo. E assim comecei a concentrar mais tempo e energia para fazer nossos almoços (de nós três, em diferentes lugares, dear me!) e nossos jantares.

Não é todo dia que sou tocada pela inspiração, óbvio. Mas é uma pequena mudança que espero dure por um bom tempo porque é assim que gosto de cozinhar, servir e comer.

Sem seguir cegamente novos trends, mas provando novas idéias. Sem nos privar de nada que gostamos, mas escolhendo a qualidade e animal welfare com mais rigor. Sem a neurose exagerada de se entupir de algo porque é rico em alguma vitamina importante, antioxidante ou probióticos. Segundo os estudos da Universidade de East Anglia e do Food Standards Agency: "Você não pode turbinar seus níveis [de vitaminas/antioxidantes/probióticos] no corpo além do nível suficiente. Qualquer excesso seu corpo vai transformar em urina ou gordura". (Fonte BBC)

Sem muito trabalho mas com mais cores. Porque os dias escuros ainda vão ficar por aqui por um bom tempo. Que sejam dias escuros, então, mas que haja tigelas quentinhas aquecendo as mãos, caneca preferida fumegando ao lado. Um dia após o outro, até a volta, definitiva, da luz.

Escrito a mão pela Marcia às 8:32 PM | mais em Greedy Cow | Comente este fragmento(14)

dezembro 30, 2015

A 5th Merry Birthday

















































































Feliz Ano Novo, caro leitor.

De todos os anos, 2015 foi até agora um dos mais marcantes para Miss S em termos de desenvolvimento. O início da vida escolar obviamente teve seu papel fundamental nesse crescimento, trazendo na vida de Miss S novas rotinas, novas regras, novos amigos, novas professoras, toda uma nova vidinha reestruturada. Nem sempre tem sido fácil. Atualmente estamos batalhando os frequentes ataques de ansiedade que Miss S vem demonstrando. Mas no geral, o ano foi de muitas conquistas: novos amiguinhos, nova melhor-amiga-pra-sempre, festinha só com os amiguinhos, novos aprendizados, três apresentações de teatro da escola e uma apresentação do balé. E o mais fascinante pra mim é ver Miss S aprendendo a ler. Palavras simples, de duas ou três letras apenas, mas o suficiente para ler uma história inteira dos livros para leitores iniciantes. É uma imensa satisfação ver o olhar orgulhoso dela ao se dar conta que consegue ler e fazer uma frase ter sentido! Ah, the places you'll go...

E com tudo o que esse ano representou, como não celebrar o aniversário dos novíssimos 5 anos? O "tema" da "festa", que teve só nós três e os pais de Mr.M, foi de confetes. Teve bolo de chocolate com mini confetes e teve crackers de confetes. Alguém me lembre no próximo Natal de comprar um pacote de confetes e nada mais. Porque sem dúvida alguma ela brincou mais com os confetes (jogava, juntava, jogava novamente) do que qualquer outro presente.

E o Natal em si também foi bastante celebrado com a visita de Santa Claus em nossa casa, porém no próximo precisamos repensar em como manter a magia sem criar uma expectativa muito exagerada. Desta vez baixamos o app Santa's Tracker do Google e a toda hora checávamos onde Santa estava no mundo. Com isso Miss S começou a ficar tão ansiosa e tão preocupada que passou mal a noite inteira. No ponto de vista dela, a véspera é uma longa espera até que alguém misterioso venha invadir sua casa durante a noite, enquanto você dorme. E, portanto, quem é que consegue dormir?

Mas na manhã ela estava novinha em folha. E foi um grande alívio pra ela ver que Santa Claus veio sim e deixou sim o presente que ela pediu: as bonecas Elsa e Anna. Ela reclamou um pouco da bagunça de cenouras mastigadas que Rudolph deixou no chão. E ficou eufórica de ver presentes da família que está distante, mas tão presente na vida dela. A cada um que ela abria, ela vinha me perguntar quem havia dado e ficava espantada ("eles lembraram que é meu aniversário lá do Brasil?!?!?!"). E logo ela estava brincando com tudo, criando histórias, trocando as roupas das bonecas, montando Lego com o pai dela (apelidando o boneco de Mr. Breaking Bad), destruindo a casa com o carrinho de controle remoto, contando piadas de Natal ("knock, knock. who's there? Mary. Mary who? Merry Christmas!!").

Lá pelas tantas ela estava com o vestido da Cinderella (nosso presente pra ela), asas de borboleta, camisa nova listrada, leggings velho vermelho, botas de cowgirl e varinha de fada. Se a sua vestimenta estava em proporções diferentes, caro leitor, you're doing it wrong.

E essa indumentária ilustra bem como tem sido a vida dela desde 2015: intensa, mutante, exagerada, vaidosa, volátil e criativa. E sobretudo, divertida.

Happy 5th Birthday, my little wonderful girl. We love you so.



Escrito a mão pela Marcia às 1:16 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(10)

novembro 21, 2015

"For the first time in forever..."

"...there will be magic, there will be fun..."



Antes de mais nada, devo explicar que este ano antecipamos a festa de aniversário de Miss S porque em Dezembro quase todos os finais de semana antes do Natal estão agendados, com recital de ballet, teatro da escola, etc etc. E, obviamente, no dia do aniversário dela é impossível fazer festinhas com as amigas, porque Santa Claus é levado muito a sério nessa idade. Então decidimos marcar a festa para o dia 21 de Novembro.

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Foram-se os anos em que eu mesma decidia e executava as idéias das festas de aniversário de Miss S, comprava miniaturas que eu adorava e escolhia cores pastéis na decoração.

Porque junto com mais um ano de idade que somam 5 (what?!) vem também uma grande dose de autoridade no quesito festa de aniversário. Este ano Miss S deixou bem claro que ela queria uma festa de aniversário com os amigos dela, de tema Disney Frozen.

E oh, caro leitor, se você imaginasse a quantidade de lixo, lixo e mais lixo de "suprimentos para festa" com a direitos autorais de Elsa e cia, meu caro leitor, você desistiria de fazer festas infantis pelos próximos 10 anos. Naveguei um mar de breguice, plásticos baratos e poluição visual, tentando filtrar o que seria essencial para que a festa agradasse tanto a Miss S como a nós.

Foi uma luta árdua contra a corrente, caro leitor. Uma luta, porém, que valia a pena porque afinal era a primeira festa de Miss S só com os amiguinhos dela, já que antes dos 4 anos ela não era fã de pessoas. Um grande marco na vida dela, nas experiências e nas memórias que ela está construindo. E por ela vasculhei a Internet inteira e todas as prateleiras do arquipélago em busca da festinha Frozen ideal para nossa família.

Enfim, acredito que alcançamos um equilíbrio e Miss S teve sua festa Frozen com as amigas, do jeito que ela quis e sonhou e ao mesmo tempo evitamos despejar toneladas de descartáveis nos aterros da Rainha.

Decidimos pela festa aqui em casa, com poucos escolhidos, porque afinal Miss S ainda brinca e conversa mesmo só com uma meia dúzia de amigos da classe dela, de dezenove alunos. Convidamos seis crianças, incluindo dois amigos da pré-escola (best-friend-forever Miss Isabel, que não podia faltar).

E então concentrei a atenção em apenas dois itens principais: a roupa de festa e o bolo. A roupa foi fácil, vestidinho básico da Disney Store, literalmente dezenas de vezes mais barato que qualquer fantasia de Elsa e que Miss S pode usar em qualquer evento, sem precisar estar fantasiada. Estava entre esse vestido e uma camisola que também passaria sem o menor problema como vestido básico, mas Miss S preferiu o vestido.

Já o bolo foi outra história. Apesar de adorar assar bolos e, talvez por isso mesmo, sei o quando pode dar errado. Procurei bolos personalizados; muito caro. Procurei bolos de supermercado; a maioria era recheado de geléia, que Miss S abomina. Enfim, fiz o bolo de chocolate preferido de Miss S (fudge chocolate de caixinha, da Marks & Spencer), cobri com pasta americana já esticada. Cortei flocos de neve com cortador (a vantagem do aniversário com esse tema ser perto do Natal). E para coroar, adaptei a boneca genérica da Elsa que vinha com o braço estendido e forcei a coitada a segurar um mini-balão com um arame coberto em papel, como se estivesse passeando ao vento glacial, deixando para trás um rastro de flocos de neve e glitter comestível. O bolo estava meio seco, meio torto, meio amador. Mas quando Miss S chegou da escola, ela viu o bolo decorado, suspirou e declarou: "it's beautiful, Mummy". Um milhão de fotos do bolo acima porque me sinto orgulhosa pela idéia e pelo DIY, pela reação de Miss S e também porque custou poucos dinheiros pra fazer. I'm feeling smug, I do apologise.

Além desses dois itens, do jogo "Pin the Nose on Olaf" e de seis balões, nada mais teve a cara de Elsa, Anna, Olaf ou qualquer outra menção de Frozen.

Mas o mais inesperado foi que no dia da festa, nevou! Um bons centímetros, tudo lá fora decorado de branco. Os pais dos convidados sofreram bastante com as ruas congeladas e muitos tiveram que deixar o carro bem longe da nossa rua. As crianças no entanto estavam eufóricas com a "mágica da Elsa"!

Miss S estava explodindo de euforia quando todos os convidados estavam em casa. Mostrou todos os cantos da nossa casa (que eu tinha deixado de portas fechadas porque só tive tempo de arrumar o andar de baixo, damn it!!!). Riu e gargalhou com as amigas de tudo e de absolutamente nada.

Logo chegou o entretenimento da festa: o mágico-comediante infantil Barney Baloney, que havíamos assistido numa festinha anterior. Ele é bastante talentoso e segura a atenção das crianças de forma sem igual, por uma hora inteira! Bastante carismático e excelente improvisador, fez todo mundo rir, crianças e adultos, e colocou Miss S no centro da atenção, fazendo ela se sentir bem especial. No final ele fez esculturas de balões para cada criança, que vibraram com o presente.

Depois do show, as crianças foram para a mesa comer o lanche. Nada muito elaborado: sanduíche de queijo, de ovos ou de pepino e cream cheese. Cheese sticks de massa folhada, rolinho de linguiça (sausage rolls), salada em palito e humous, marshmallows "gourmet" sabor chiclete tutti-fruti e algodão doce. Para minha surpresa, os sanduíches de pepino e cream cheese voaram, assim como a salada e o humous. Ninguém gostou dos marshmallows (os sabores são bem fiéis, mas meh... enjoativos). Miss S ficou na ponta da mesa, dando ordens "quem quiser marshmallows levanta a mão que eu vou e entrego".

Queria ter tirado foto das crianças na mesa mas ao mesmo tempo estava servindo os pais com mais sanduíches, mais chá e aproveitando para conversar com eles um pouquinho. Morri de dar risada quando quatro deles perguntaram o que é que eu coloco na lancheira de Miss S que as filhas deles falam o tempo todo que querem comida igual da lancheira da Sophie! Haaa!

Depois do lanche acendemos a vela de número 5 (what?!), cantamos parabéns e cortamos o bolo. As crianças brincaram de colocar o nariz do Olaf com os olhos vendados (se divertiram muito mais do que eu esperava, nessa época de apps e games!). Miss S organizou a ordem para entregar as sacolinhas com lembranças da festa.

Pelo número pequeno de convidados pude escolher com grande atenção cada item da sacola: nada que no dia seguinte estivesse quebrado ou fosse pro lixo, como já fizemos tantas vezes. Incluimos: uma varinha com fitas coloridas, um paper laser, chocolate Lindor, pirulito sabor "bolo de aniverário", massinha play-doh e giz de cera em formato de animais.

Agradecemos e nos despedimos de cada convidado. Mr.M cochichou no ouvido de Miss S e ela veio até mim, me abraçou e disse "thank you, Mummy". Depois na cama comentamos nossas partes favoritas da festa e Miss S falou, meio pensativa: "You know, I think my party was the best one I've ever been to." (Cê sabe, acho que a minha festa foi a melhor festa que já participei").

E foi tão bom que ao invés de uma overdose de personagens sendo o foco da atenção, com um batalhão de crianças que ela mal conhece direito, tivemos uma festinha onde o foco foi em Miss S, em fazer ela rir e se divertir e estar entre as pessoas que ela realmente gosta.

"I know it all ends tomorrow,
So it has to be today
'Cause for the first time in forever
For the first time in forever
Nothing's in my way!"

Kristen Bell - For The First Time In Forever

Escrito a mão pela Marcia às 6:32 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(17)

setembro 16, 2015

Unrelenting growth

Setembro marcou para nós o fim de mais um verão e o começo de uma nova era. Miss S, com quatro anos e três quartos de idade, começou a frequentar a escola primária.

Ao contrário da escolinha pré-primária, em que ela ia apenas três vezes por semana, agora ela entra no esquema compulsório do ensino nacional: cinco dias por semana, das nove da manhã às três da tarde.

Fomos aos poucos preparando Miss S para a grande mudança. Antes do ano letivo começar ela visitou a nova escola três vezes, passando uma hora e meia em cada uma das visitas. Gostou da imensidão do lugar, dos novos brinquedos, da área externa. Até brincou com uma das coleguinhas da mesma classe.

E assistiu à minha empolgação escolhendo cada peça do infinito mar de uniformes que ela vai precisar, para diferentes condições climáticas. E escolheu ela mesma o sapato mais brilhante, estilo mary-jane T-bar, lustrado e com luzinhas piscantes (I kid you not).

No primeiro dia de aula, foi toda aquela celebração já esperada dos pais-de-filha-única-que-não-vão-ter-outro-bebê. Mr.M tirou folga para ir conosco, já que não teremos outro "primeiro dia de escola" na vida. O sol brilhou e vestida de uniforme bem passado e devidamente etiquetado, Miss S caminhou empolgada conosco até a escola. Ela se despediu com um sorriso e um beijo e abraço para cada um de nós.

Quando fomos buscá-la ela continuava sorridente, mas exausta. Não quis comentar sobre nada do que aconteceu na escola. As professoras, no entanto, fizeram o enorme esforço de fotografar e imprimir duas fotos de cada criança para cada uma das famílias. Uma de Miss S no meio do dia e outra comendo o almoço. Significou o mundo pra nós dar essa espiadinha no dia de Miss S.

Os próximos três dias de aula foram ainda em estado de lua-de-mel com a escola. Na semana seguinte, porém, a realidade chegou nos ombros de Miss S junto com a chuva e os dias cinzas. Ela declarou que não queria mais ir pra escola e chorou, chorou, chorou e se agarrou no meu pescoço todas as manhãs para que eu não fosse embora e a deixasse na escola.

Conversamos com Miss S, que chegava em casa sempre dizendo que ela estava se sentindo solitária na escola. A coleguinha com que ela brincou durante as primeiras visitas à escola, e com quem Miss S não via a hora de brincar junto novamente, não quis mais brincar com Miss S.

E -- oh my heart -- como explicar em termos de quatro anos de idade, o que é esse sentimento de rejeição e que não há absolutamente nada de errado com ela só porque a outra pessoa não quer brincar junto? E o quanto a outra coleguinha tem todo o direito de escolher com quem quer ou não brincar? Eu lhes digo, é difícil, é bem difícil. Eu falei, falei, falei, não sei o quanto ela absorveu de tudo o que eu falei pra ela. Falei que dias mais fáceis virão, prometi que ela vai conhecer e gostar de outros novos coleguinhas, que tudo vai ficar bem novamente. E eu vi no olhar dela as dúvidas e as descrenças nas minhas promessas. Tudo o que eu recebi de resposta foram repetições de "I don't want to go to school".

Junte-se a isso a imensa saudades que ela sente da amiguinha da pré-escola, Miss Isabel, que ela adora com todo coração. Convidamos Miss Isabel para um playdate aqui em casa, para que Miss S soubesse que aconteça o que acontecer, elas sempre vão ser amigas, sempre vão poder ver uma a outra.

Comentei com a professora e algumas assistentes de classe sobre os sentimentos de solidão e rejeição que Miss S estava sentindo na escola, mas para ser honesta não esperava que ninguém fizesse nenhuma mudança. Afinal esses sentimentos são só dela. Só ela poderia aprender a lidar com eles.

No entanto, no dia seguinte, a professora deu a Miss S o cargo de "school helper" (assistente da escola) e delegou a ela pequenas tarefas como pendurar fotos, puxar a fila, distribuir a lição de casa, etc. Ela saiu da escola naquele dia radiante, me contando com orgulho sobre o novo cargo e dizendo que ela "always wanted to be a school helper"!

No dia seguinte ela não chorou quando a levei pra escola. Quando fui buscá-la cheguei mais cedo e vi a classe dela sentada em círculo e Miss S em pé, na frente da classe, mostrando o desenho que ela havia feito pra mim e explicando que era um jardim com flores em formato de borboleta, buttlerfly-flowers™. As crianças aplaudiram e meus olhos se encheram de lágrimas aliviadas.

E nesse dia também ela foi escolhida para trazer pra casa o mascote da sala: Zara the Zebra. A responsabilidade de cuidar do patrimônio da escola foi algo que ela levou muito a sério. Fizemos um "livrinho" (folhas A4 dobradas e grampeadas) e desenhamos tudo que Zara fez conosco: foi no playground, comeu o jantar de folhas, escovou os dentes e os pêlos e dormiu. Na manhã seguinte ela *precisava* ir pra escola porque era preciso devolver a Zara. Então foi outra manhã sem lágrimas. A professora pediu para Miss S mostrar o "livrinho" para a classe e contar sobre os desenhos.

Desde então -- bate na madeira -- não tivemos mais choro na hora de nos despedir. É claro que assim que ela acorda ela pergunta se é fim-de-semana e quando eu digo que não, que é dia de escola, ela reclama, resmunga, se vira na cama. Mas até eu também preferia ficar na cama do que enfrentar o mundo. Depois que ela toma café da manhã e coloca o uniforme ela já está pronta para ir pra escola.

Então, caro leitor, caso você esteja passando pelo mesmo ou quem sabe, anos mais tarde à procura de uma luz no fim do túnel você entrou neste blog buscando "minha criança chora todos os dias na escola". Caro leitor, vamos nos dar as mãos. Porque é mesmo difícil. São momentos que despedaçam o seu coração. Não bastassem as fraturas cardíacas que essa independência incansável e inexorável das crianças traz a cada ano, a cada marco de desenvolvimento.

Mas olhe, leitor, vai melhorar. Converse com a escola, com a professora, com as assistentes, elas já viram isso um milhão e quinhentas vezes, sabem exatamente o que cada criança precisa para se sentir segura, útil, confiante. Eu não esperava que a escola fizesse nada e as professoras fizeram um esforço extra para Miss S se sentir bem. E esse esforço, com gestos simples, gratuitos, fizeram toda a diferença e serei eternamente grata por isso (gratidão que expressei verbalmente também às professoras e assistentes, pra ficar claro).

Agora, duas semanas e meia de escola primária em nossos bolsos, venho aqui contar que Miss S já fez novas amiguinhas. Já ganhou muitos adesivos de bom desempenho. Já fez muitas lições de casa. Já aprendeu as novas regras, as novas rotinas. Já pegou novos resfriados. Já cresceu mais nessas semanas do que eu pude perceber. E é apenas o começo. O começo da história de Miss S, que só ela pode escrever e contar. Eu sei que ela é capaz.





































Escrito a mão pela Marcia às 11:22 AM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(13)

agosto 15, 2015

Just a broken arm

No dia 10 de Julho, um pouco antes da hora de ir pra cama, Miss S caiu e quebrou o braço direito. Assim simples, aqui em casa, sem ter feito nada de mais. Estava carregando um pregador de roupas em cada mão (ela queria fazer uma cabana com tecidos) e foi procurar mais pregadores no conservatory. Tropeçou, pisou numa bexiga, foi pro chão.

Chorou, chorou, deitou no sofa. Não quis em hipótese alguma dizer onde doía. E muito menos nos deixou tocar o braço. Por fim se acalmou e dormiu no sofá. Tentei carregá-la pra cama, mas ela protestou veementemente com olhar de pânico. Colocamos um colchão no chão e ela vagarosamente se moveu pra lá e dormiu até o amanhecer. Decidimos que era melhor deixar ela dormir aquela noite ao invés de ficar horas e horas na fila do pronto-socorro, sem dormir, sem poder deitar ou descansar.

Assim que ela acordou nós já estávamos prontos para levá-la para o pronto-socorro. Mas foram horas, literalmente horas, para que ela se levantasse do colchão e entrasse no carro. Não podíamos carregá-la porque era claro que o movimento piorava a dor. Quase chamamos uma ambulância, mas essa idéia foi tão pavorosa pra ela, que finalmente ela ergueu o corpo e nós rapidamente a colocamos em pé. Andamos bem devagar até o carro e tiramos o car seat para ela poder entrar com mais facilidade.

No hospital ela vomitou de nervoso, mas em pouco tempo se acalmou novamente. O pronto-socorro das crianças é separado dos adultos. A sala de espera tem televisão passando CBeebies, mesa com papeis para colorir, brinquedos, livros, jogos e uma enfermeira "play leader", que se encarrega de deixar as crianças entretidas. Fizemos uma colagem com papel de seda e lantejoulas, colorimos uma vaca, jogamos Guess Who?. Fora 3 horas de espera.

Na sala de raio-X Miss S chorou de dor para manter o braço na posição necessária. Depois de mais duas horas de espera (num total de cinco!), finalmente a médica nos mostrou que Miss S havia fraturado o úmero horizontalmente, acima do cotovelo. Oh my heart. As enfermeiras engessaram o braço, o que deu a Miss S um enorme alívio por mantê-lo imóvel e não mais correr o risco de mover de forma que ela sentisse dor. O humor dela melhorou instantaneamente. E melhorou ainda mais quando a médica deu um adesivo e a enfermeira "play leader" deu um certificado de coragem e um livro com CD da Cinderela, porque Miss S estava vestindo uma camiseta da princesa.

Recebemos a instrução de tomar um extremo cuidado com aquele gesso porque era provisório, não era rígido e qualquer tombo ou batida poderia mover a fratura novamente. Depois de três dias, voltamos ao hospital para ela trocar por um permanente. Esperava a mesma bagunça daquela massa branca, mas atualmente a imobilização é feita com faixas de fiberglass umedecidas com resina de secagem ultra-rápida. Num instante fica pronto, sem sujeira, bem mais leve e o melhor de tudo: pode-se escolher a cor! O enfermeiro perguntou que cor ela queria e Miss S, que não abriu a boca o tempo todo no hospital, respondeu bem alto e em bom tom: "Pink!!!"

E pink foi feito. Com esse gesso ela pôde voltar pra pré-escolinha nos dois últimos dias de aula. E assim começamos nossas férias de verão. Com o braço direito engessado (ela é destra), descobrindo o que era possível fazer ou não com um braço só.

Comprei uma capa especial impermeável para cobrir o gesso na hora do banho e também uma faixa extra de suporte cheia de florezinhas coloridas. E um pacote de 12 camisetas regatas, que foram excelentes para ela vestir facilmente no verão. Houve muito pouco que ela não pôde fazer. Correu, dançou, brincou nos parques, fez caminhada, desenhou bastante com a mão esquerda, fez artes, foi no cinema pela primeira vez (assistimos a Minions), me ajudou no jardim, fez cupcakes. Não pôde brincar na água, na areia, nem fazer acrobacias. Nem colocar a fantasia de Snow White. Mas de resto brincou bastante sem reclamar quase nenhuma vez.

O que não esperávamos, porém, foi a reação dela quando, depois de três semanas e meia e muitos outros raios-x, ela finalmente retirou o gesso. Ela estava bem tranquila e sorridente quando a enfermeira estava cortando o gesso. Mas assim que o gesso foi removido totalmente, Miss S começou a chorar assustada. A enfermeira nos explicou que é normal, que os músculos atrofiaram um pouco e a sensação é estranha.

Ela colocou a faixa de suporte novamente e voltamos para a sala de espera para ver o ortopedista. Miss S não parava de chorar e pedir para ir embora porque ela não queria tirar outro raio-x. Explicamos várias vezes que não ia doer como da primeira vez porque o braço havia sarado, mas ela não queria ouvir.

O ortopedista examinou o braço e os movimentos, checou o raio-x da consulta anterior e disse que poderíamos ir pra casa sem precisar tirar outro raio-x e voltar em três semanas. Miss S ficou tão, tão aliviada que não parava de falar: "Fiquei tão feliz! O médico me fez tão feliz porque não precisei tirar raio-x. Ufa. Sabia que não precisava tirar raio-x. Tô tão feliz... I'm "pocoyo-blast-off" happy! Pheew... [ad infinitum]"

No entanto, nos primeiros dias ela estava aterrorizada em usar o braço ou sequer remover a faixa de suporte. Usou a faixa o tempo todo e não queria tomar banho porque precisaria tirar essa faixa. O melhor plano foi mantê-la distraída com as brincadeiras e aos poucos ela começou a usar o braço sem perceber. Nós elogiávamos toda vez que ela movimentava ou usava o braço e aos poucos ela começou a se sentir mais segura e depois de uma semana já brincava sem a faixa e sem medo. Bem em tempo para a nossa viagem à praia.

Toda essa experiência me fez refletir que embora Miss S seja uma criança cuidadosa, que nem gosta de brincadeiras bruscas, que nem gosta de escalar Monkey Bars, acidentes acontecem. Em qualquer lugar. Em casa. Às vezes não há como prever ou evitar. Simplesmente acontece e não é culpa de ninguém. Outra reflexão veio na sala de espera do pronto-socorro do NHS. A espera é longa, mas a triagem é justa. Quanto mais grave o caso, mais urgente é o atendimento. O que coloca qualquer um em perspectiva. Esperar tantas horas é uma inconveniência apenas. E um alívio imenso: foi apenas um braço quebrado.





























Escrito a mão pela Marcia às 8:14 PM | mais em M&M Family | Comente este fragmento(4)

julho 31, 2015

July harvest


































Nossa colheita está sendo bem menos farta do que o ano anterior. Os primeiros tomates estão começando a amadurecer. As ervilhas que no ano passado colhemos o suficiente para dividir com os vizinhos e congelar o restante, este ano estagnaram e mal teremos o suficiente para uma colherada. O mesmo com os pepinos, que pela terceira vez consecutiva não teremos o que colher. Por outro lado as batatas estão rendendo bem e as cebolas, que plantei pela primeira vez, estão promissoras. Os feijões estão bem devagar. As maçãs estão bem pequenas. Cavolo Nero estão abundantes, mas esses sempre são bem fáceis de cultivar, assim como os rabanetes. Estou, na verdade, na expectativa de uma colheita melhor durante o inverno. Na horta coberta há flores de Bruxelas (mesma planta que a couve, mas ao invés de redondinhas, viram floretes), brócolis, parsnips, couve, couve e mais couve. Tudo na esperança de ser colhido na época do Natal em diante, quando a colheita de qualquer coisa fresca é apenas uma vaga lembrança.

A minha planta de rhubarb que comprei bem pequena já está dando o ar de sua graça gigantesca e as folhas estão enormes. É uma planta fenomenal de assistir. Um dia está só com um brotinho. No dia seguinte o broto explode e abre uma folha imensa, desdobrando feito um origami bastante complexo. Tão rápido e tão fascinante.

As cenouras da nossa horta são pequenas, bifurcadas, tortas. Imperfeitas. Mas -- oh my heart -- ver Miss S puxando as folhas com força para finalmente descobrir se são cor-de-laranja, púrpura ou brancas; se divertindo com o tamanho variado, com o formato inesperado. Sentindo o aroma da cenoura fresca, da terra molhada.

Outro dia estávamos comendo uma das cenouras e comentei com Mr.M que o sabor não estava lá essas coisas. E Mr.M respondeu que não importa, que o que importa é que Miss S está observando, entendendo. E então passei a ver nossas cenouras com outros olhos. Imperfeitas, bifurcadas, de sabor mais ou menos. Mas aos olhos de Miss S, que plantou a semente, um triunfo.

























Escrito a mão pela Marcia às 6:15 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(4)

junho 5, 2015

Rhubarb, rhubarb



"Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.
[...]Era fixa a minha idéia, fixa como... Não me ocorre nada que seja assaz fixo nesse mundo: talvez a lua, talvez as pirâmides do Egito, talvez a finada dieta germânica."

- Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cuba



Há pouco tempo a idéia fixa que me acometeu foi de fazer "fish tacos" mexicanos. Fiz várias receitas, vários tipos de peixes, empanados, fritos, assados. Vários tipos de tortillas, de farinha branca, farinha integral, farinha de milho (a melhor). E toda possibilidade de extras: pimenta chipotle, salsa, guacamole, milho, feijão, sour cream. Até que enfim, encontrei meu preferido e me dei por satisfeita.

E eis que agora minha obsessão voltou-se para esta planta: o humilde rhubarb ou, em português, ruibarbo, nome que nunca me acostumo. So, rhubarb it is.

Nunca antes havia me empolgado com os talos de rhubarb por conta de uma primeira experiência em forma de um crumble de rhubarb mal feito que comi de um supermercado muito barato (snob bitch, I'm aware).

Mas agora depois de sete (sete!) anos morando em Yorkshire, é impossível ignorar quando chega a estação dos rhubarbs. Nossa região está entre o Triângulo do Rhubarb (seriously), que é famosa pelos "rhubarbs forçados", plantas que ficam no escuro e crescem mais tenras, rosadas e doces. São tradicionalmente colhidas sob luz de vela. Há uma grande comoção entre os britânicos quando chega a estação desses talos. A grande maioria dos blogs de jardineiros que leio já postaram fotos das suas plantas e receitas de crumble, geléia, sorvete, torta, bolos e até "champagne" de rhubarb. E de tanta empolgação ao meu redor, aos poucos minha curiosidade com os talos rosados foi crescendo até se tornar essa idéia fixa que me persegue.

Numa visita aos jardins do National Trust Nostell Priory, fiquei um tempão admirando as plantas de rhubarb na horta imensa do ex-monastério. Não eram rhubarbs "forçados", mas naturalmente selvagens. As folhas são enormes e os talos bem avermelhados.





No café desse lugar havia um bolo de rhubarb e laranja, feito com rhubarb do jardim. Pedimos duas fatias e um pote de chá (e sorvete pra Miss S). O bolo era daqueles que marcam para sempre na sua memória gulosa. Daqueles que você se arrepende de não ter comprado o bolo inteiro e não apenas duas míseras fatias.

Rhubarb em si é azedo, não há como escapar. Mas também não há por quê escapar. É a atração principal, aquele azedinho irresistível, feito pitanga, de aroma levemente floral. E esse azedinho adocicado cortando a riqueza de um bolo feito com muita manteiga, ovos, farinha de amêndoas, eu lhes digo... combinação divina. Me conquistou para todo sempre.

Procurei muitas receitas e finalmente encontrei na revista BBC Good Food um bolo muito parecido com o do Nostell Priory.

























Rhubarb and orange cake, BBC Good Food Magazine

400g ruibarbo, picado
50g açúcar

230g açúcar
225g manteiga amolecida
suco e raspas de 1 laranja
225g farinha de trigo com fermento
100g farinha de amêndoas
1 colher de chá de fermento
3 ovos médios

1. Misture o ruibarbo com 50g de açucar e deixe macerar coberto por 30 min. Unte uma forma de aro removível da 23cm e aqueça o forno em 180ºC (160ºC fan/gas 4).

2. Bata o restante do açúcar com a manteiga, raspas e suco de laranja. Adicione a farinha de trigo, a farinha de amêndoas, o fermento e os ovos (um a um). Bata até obter uma massa homogênea. Misture o ruibarbo. Despeje na forma e alise a superfíce.

3. Asse no centro do forno por 1h até 1h15m, cobrindo com alumínio caso o topo começar a escurecer demais (mais ou menos na metade do tempo). Teste com o palito, retire do forno e deixe o bolo na forma por 15 minutes antes de remover. Esfrie e sirva.

Nota: Na receita original pede-se para colocar amêndoas fatiadas no topo ainda cru. Eu não recomendo fazer isso porque amêndoas queimam rapidamente. Se realmente desejá-las, coloque-as uns 10 minutos antes do final e vá checando. Meus pedaços de ruibarbos foram todos pro fundo da forma e o bolo ficou levemente úmido demais no fundo. Mesmo assim, bastante saboroso, perfumado, dourado, azedo, doce, rico. No entanto, não é um bolo que devo fazer sempre e metade já foi pro freezer porque: 225g de manteiga! Jaysus...


E é claro que a idéia fixa não ficou apenas na cozinha e tive que comprar a minha própria planta para o jardim. Comprei na imensa horta comunitária do meu bairro, que é organizada pela ex-moradora da nossa casa, veja só. Fomos lá, batemos papo com ela, contamos sobre as obras da casa, das mudanças no jardim, da ampliação da família. A planta ainda é pequena (custou só dois dinheiros da Rainha), só vou poder colher os primeiros talos na primavera de 2017, considerando que a planta ainda esteja viva até lá. E se até lá minha idéia fixa também continuar presente, muitos outros experimentos surgirão nestas empoeiradas páginas, caro leitor. Tenham esperança no emplasto Brás Cuba.










Escrito a mão pela Marcia às 6:36 PM | mais em Greedy Cow | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(5)

maio 18, 2015

Pops of Colour

O inverno aqui é sempre tão longo, os jardins ficam por tantos meses basicamente em cores marrom, algum marrom avermelhado, algum verde das sempre-vivas, contrastando com o interminável fundo cinza do céu. E só. Por meses e meses.

Quando a primavera finalmente chega abrindo botões de narcisos, crocus, hellebores e tulipas, britânicos postam mais fotos dessas flores do que paulistanos postando a primeira chuva depois da longa estiagem. A primavera é, acima de tudo, a celebração do fim do marrom e cinza. Como se precisássemos desesperadamente relembrar das outras cores, da inúmeras nuances e tons e combinações possíveis.



Tulipas Apricot Beauty





Tulipas que Mr.M comprou, totalmente cheia de babados,
totalmente adoráveis













White Bells, eras atrás plantei muitas sementes de Bluebells
e finalmente uma planta germinou. Branca, but I'll take that.





Diacentra. Flores vermelhas em formato de coração.
A espécie chama-se Valentines. Mais clichê impossível. E eu adoro.





Nossa queria Amelanchier Robin Hill
foi a primeira árvore a florescer em nosso jardim.









Macieira Crab Apple. Como sempre exagerada nas flores e frutos.
Se ao menos os frutos fossem comestíveis sem precisar fazer litros de geléia...





Macieira Scrumptious. Grandes expectativas este ano
depois de dois anos sem frutos.



Escrito a mão pela Marcia às 1:04 PM | mais em Tales of the Garden | Comente este fragmento(6)