« novembro 2002 | Main | janeiro 2003 »

dezembro 31, 2002

"Como todo dia nasce novo em cada amanhecer"

Estamos preparados para comemorar com muito carinho o final de um grande ano que foi 2002 e também celebrar a chegada de um 2003 novinho em folha, único nas nossas vidas. Muitas páginas em branco para escrever e cabe a nós escolher as melhores palavras para formar os melhores capítulos de mais este volume da Vida Escrita à Mão.

UM FELIZ ANO DE 2003 PARA TODO MUNDO

Escrito a mão pela Marcia às 5:52 PM

dezembro 30, 2002

O Telefone de Camaleão

Antes de viajarmos, Mr.M desligou algumas tomadas de casa e acabou desligando a tomada que liga o nosso telefone sem fio.

Quando voltamos, a bateria do telefone já não funcionava mais, nem para recarregar. Estamos então sem telefone em casa. E eu não pude ligar para o Brasil para desejar feliz aniversário para o Seu Jorge, porque nossos dois celulares também estavam com a bateria descarregada, afinal, em Leicester nenhum sinal pegava. *Snif*. Hoje vamos procurar outra bateria para comprar e talvez um telefone com fio também, para evitar esses problemas.

Existe um telefone com fio à venda aqui na Inglaterra, muito famoso porque fez parte de um comercial da companhia telefônica BT. Tem o lindo formato de um camaleão deitado num tronco. Quando toca, o camaleão mexe os olhinhos, levanta, move os bracinhos e depois canta a música Karma Chameleon, do Culture Club. E tem uma joaninha que acompanha a música com uma gaita. Quando o Boy George canta o trecho "red, gold and green", o peito do camaleão acende nas respectivas cores. É o máximo! Mas Mr.M já disse no way, que é brega e barulhento e caro. Humpf... :-(

Mr.M não é um ser insensível, sem graça e pão-duro??? Alguém poderia me ajudar a fazer este moço entender que um Telefone de Camaleão é extremamente necessário para a sanidade mental de uma pessoa que vive nesta terra nublada, plis?

Escrito a mão pela Marcia às 12:45 PM

dezembro 29, 2002

Pé na Lama, Barriga na Gordura e Cabeça no Vento

Leicestershire -- pronuncia-se Lestershérrr -- não é lá uma região pequena. Existe uma área central de comércio excelente, muitas fábricas e desenvolvimento. Existe também áreas amplas e extensas de agricultura e agropecuária, de ricos -- muito ricos -- fazendeiros, criadores de ovelhas e carneiros, em sua maioria. No meio deste mar de fazendas, existe um vilarejo de trabalhadores bem humildes e simples, casinhas de pedra, telhados de palha, lareira à lenha. É neste vilarejo que vivem os pais do Martin e onde passamos nosso Natal.

Assim que chegamos, a mãe do Martin havia saído para fazer compras de Natal. O pai dele nos recebeu, acendeu a lareira para mim (que morro de frio toda vez que os visito!!) e serviu nosso almoço: sanduíche de língua de boi defumada, picles de cebola e chutney de tomates verdes. Aaaah, agora sim, alcançamos o lado rural da Inglaterra...!! Para quem pensa que eu torci o nariz para isso muito se engana. Foi muito bom estar longe da grande cidade, sentir o cheiro da madeira queimando, do cocô do cavalo lá fora, do chá servido a toda hora, do forno assando o jantar.

Nosso Natal foi comemorado na casa da irmã do Martin, que mora na região central. Uma indulgência, onde tivemos direito a um peru de oito quilos, servido com batatas assadas, purê de cenoura e suede, a verdura red russian kale refogada (eu quim fiz), repolho roxo, croquetes de batata e bacon, couve de bruxelas, além do indispensável gravy, que é o molho feito do suco que sobra na forma em que o peru foi assado. Nada que engorde muito, como podem notar. Sem contar que antes do almoço teve uma sessão de snacks, com palitos de cenouras, salsão e pepinos para serem mergulhados em molho tártaro, molho de queijo e molho de iogurte. Logo depois veio a entrada, com lâminas de salmão defumado sobre a salada de folhas. Aí sim veio o
almoço, servido às três da tarde. A comilança só terminou com a sobremesa: Christmas Pudding, um bolo escuro feito com frutas secas, servido com o maravilhoso molho Custard. Isso tudo sem contar com as bebidas. Foram mais de seis garrafas de vinho e uma de vinho do Porto. Ah, sim, notem: ninguém ficou embriagado, todos estão acostumadíssimos de beber até mais que uma garrafa de vinho cada um. Menos eu, claro, que se enchi minha taça mais que uma vez foi muito.

O ponto mais alto foi a ligação para o Brasil, onde pude conversar um pouquinho com todos da minha família: meus pais, meus irmãos e meus dois cunhados que estavam lá. Adorei ouvir a voz de cada um deles, simplesmente adorei. Foi o melhor da festa!!

No dia 26, é celebrado aqui o Boxing Day e é feriado nacional também. Fomos caminhar num parque, vimos alguns esquilos e deixei de presente uma noz que havia surrupiado antes de sair. Estava inacreditavelmente frio, um ar geladíssimo que queimava meu rosto. Um vento congelante que me paralisava, mas continuei firme e forte na caminhada. Voltamos para a casa dos pais do Martin para comer o tradicional presunto, cozido por dois dias e assado por mais outro dia (aaahhh, o lado rural da Inglaterra...!). E lá naquela casinha que passamos os gelados dias até hoje de manhã.

Foi um bom Natal, devo dizer. Muito melhor que do ano passado. Controlei mais a minha saudade, apesar de ter sentido muita falta de todos e ter chorado numa das noites. Mas resolvi também aproveitar a festa com todo mundo, afinal, meu marido-querido estava muito feliz de estar com a família dele e ele fez de TUDO para me ver feliz também. E eu não poderia faltar com isso, não poderia deixar de me sentir feliz. Por mim, mas também por ele. E assim nos divertimos bastante durante as festas, na medida do meu possível. E foi bom, muito bom. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:48 PM

Carta aos Leitores


Pessoas amigas, queridas, todos vocês, muito obrigada. Pelos recadinhos deixados aqui nos desejando Feliz Natal, pelos
recadinhos durante todo este ano, pelas dicas, pelo apoio, pelo carinho constante. Muito mais importante do que escrever aqui é receber o retorno, ter a opinião de quem lê, de quem acompanha, de quem torce sinceramente, sem inveja, sem cinismo. Só com a simples empatia, com a vontade de ver o outro bem. Muito obrigada a todos vocês que correm os olhos rapidamente pelas minhas palavras, que riem, que refletem, que identificam, que silenciam, que comentam, que enfim, convivem com minha história. Muito obrigada. :o)

Escrito a mão pela Marcia às 8:11 PM

FELIZ ANIVERSÁRIO, PAI!!!

Hoje é dia de Seu Jorge, meu pai tão amado por todos nós! FELIZ ANIVERSÁRIO, PAI! Meu pai é aquele homem muito trabalhador, todo cheio de simpatia, que adora uma boa conversa, que adora um café preto à tarde, que adora ler livros de mistério, que ama filmes de qualquer tipo. Mas é principalmente aquele que nos ensinou acima de tudo sermos honestos, caridosos, humildes e muito mais humanos. Aquele que nos ensinou o quanto as pequenas simplicidades da vida têm valor e como somos felizes quando temos no coração a pura bondade. Que meu pai tenha muita saúde, muitas alegrias e muito mais de tudo que ele têm nos dado por toda nossa vida! Beijos, Pai! :o)

Escrito a mão pela Marcia às 4:59 PM

De Volta ao Ninho

Chegamos à pouco de Leicester, da casa dos pais do Martin. Ficamos um dia a mais que o planejado e tivemos uma estadia muito boa por lá. Estamos muito cansados, todas as malas e pacotes pelo chão, um sanduíche no estômago e muito sono no corpo. Tenho uma tonelada de e-mails para responder, cartõezinhos eletrônicos para ler e muita coisa para escrever. Mas não vai dar para ser agora. Primeiras coisas primeiro.

Escrito a mão pela Marcia às 4:52 PM

dezembro 22, 2002

FELIZ NATAL FELIZ


Amanhã de manhã partiremos para Leicester e só voltaremos de lá perto do Ano Novo. Desejo a todos vocês um Natal com todas as alegrias que a vida sabe ter e um Ano de 2003 de muita paz, muitos aprendizados, muitas conquistas e principalmente muito amor universal e incondicional, que é o que o mundo precisa.

Escrito a mão pela Marcia às 12:43 PM

"And so This is Christmas"

Meus amigos quase todos já me desejaram Boas Festas e se despediram por este ano. Então acho que o ano já acabou mesmo, só eu é que estou achando que ainda estamos no dia 22 de Dezembro! Vou preparar um post de fim de ano daqui a pouquim.

Escrito a mão pela Marcia às 11:18 AM

dezembro 21, 2002

Planejando nosso Studio

Não temos espaço aqui em casa para o que chamam de Home Office, com mesas em formato de S, gabinetes de pasta suspensa, biblioteca, sofás e tudo mais. Esse aliás, é meu sonho de consumo, mas não temos condições -- físicas ou financeiras -- de montarmos um. De qualquer forma, um quarto dedicado para o trabalho e leitura é chamado aqui de studio. Adorei o nome! Então estou superempolgada de planejar nosso Studio.

Por dias estamos pesquisando mesas para o computador. E é incrível como a maioria das fotos de catálogo mostram mesas lindas,
arrumadíssimas, mas só com um simples iMac ou com um laptop ou com um monitor de tela plana sobre ela. Assim é fácil, né? Tem umas fotos com um iMac e um vaso (!!!). Vou digitar com o vaso?? E onde é que nós enfiamos a parafernália toda de impressora, scanner, caixas de som, teclado, mouse, telefone, cabos, cabinhos e cabões??? Ãhn?? Pois então. Temos que ser muito cuidadosos para escolher o móvel certo, que caiba tudo e ainda sobre espaço na mesa para escrever ou apoiar um livro, por exemplo, além das xícaras de chá, não nos esqueçamos!! Mas nosso espaço é limitadíssimo, porque além de tudo ainda temos que
guardar duas bicicletas no mesmo quarto, ops, studio. Fizemos uma lista das prioridades dos nossos móveis, que precisam ser nesta ordem de importância:

• ergonômicos
• adaptáveis à nossa falta de espaço
• capaz de armazenar nossos periféricos
• não muito caro
• durável
• bonito

É um verdadeiro quebra-cabeças. Mas Mr.M é um marido porreta e está desenhando todo nosso planejamento no AutoCad, com as medidas milimetricamente precisas, para que nada saia maior do que a encomenda. Ele até faz os testes de abrir e fechar a porta, circula a cadeira, uma graça esse moço.

A mesa é de canto. O gaveteiro que compramos/ganhamos da empresa dele vai ser o apoio da nossa impressora. O scanner vai ficar guardado até comprarmos o outro gaveteiro para o lado esquerdo. A mesa é funda e larga o suficiente para o mouse, teclado, monitor, caixas de som e xícaras de chá. A CPU vai ficar no chão. O painel da mesa esconde os fios todos. Uma estante estreita e alta vai guardar nossos livros, pastas de arquivo e papelaria, mas não compraremos agora, só mais tarde. Assim como a cadeira. E é só. Eu estou bastante satisfeita com nosso plano! Não sei quando vamos efetivamente montar o studio, mas nas nossas cabeças ele já está prontinho e vai ficar exatamente assim. Tomara que dê certo! :o)

Escrito a mão pela Marcia às 6:22 PM

Conto de Natal

No Natal de 1897, uma garotinha americana chamada Virginia O'Hanlon, enviou uma carta para o jornal The Sun perguntando se Papai Noel existia. A resposta foi dada pela editoralista Francis Church. A repercussão foi tão grande que o The Sun reproduziu o editorial em todos os Natais, até o último número, em 1949. Eu recebi a reprodução desse editorial por um acaso, num encarte dentro de uma revista e guardei comigo por muito tempo. Hoje divido com vocês:

Editorial do The Sun, 1897

"É com enorme prazer que respondemos à carta abaixo, aproveitando para expressar nossa enorme gratidão em reconhecer sua autora como leal amiga do The Sun.

Prezado editor
Tenho oito anos. Alguns dos meus amigos dizem que não existe Papai Noel. Meu pai costuma falar:
"Se estiver no The Sun, então será verdade". Por favor, me diga a verdade. Papai Noel existe?

Virgínia, seus amiguinhos estão errados. Provavelmente foram afetados pela descrença de uma época em que as pessoas acreditam em poucas coisas. Só acreditam naquilo que vêem. Nesse nosso grande universo, o homem é um mero inseto, uma formiguinha, quando seu intelecto é comparado com o infinito que o cerca ou quando medido pela inteligência capaz de entender toda a verdade e conhecimento.

Sim, Virginia, Papai Noel existe. Isso é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção, e você sabe que tudo isso existe em abundância trazendo mais beleza e alegria à nossa vida. Ah! como seria triste o mundo sem Papai Noel! Não haveria então a fé das crianças, a poesia e a fantasia para fazer a nossa existência suportável. Não teríamos alegria nem prazer a não ser com os nossos sentidos: seria preciso ver e tocar para poder sonhar. A transparente luz das crianças, com a qual inundam o mundo, seria apagada.

Você poderia pedir ao seu pai para contratar muitos homens para vigiar todas as chaminés na véspera de Natal e assim pegar Papai Noel; mas, mesmo que você não o visse descendo por elas, o que isso provaria? Ninguém vê Papai Noel, mas não há sinais de que ele não existe.

Ninguém pode conceber ou imaginar todas as maravilhas do mundo que nunca foram vistas e que nunca poderão ser admiradas. As coisas mais reais no mundo são aquelas que nem as crianças nem os adultos podem ver.

Existe um véu cobrindo o mundo invisível que nem o homem mais forte do mundo poderia rasgar. Somente a fé, a poesia, o amor e a fantasia podem abrir essa cortina e desvendar a beleza e a glória celestiais que existem por trás dela. Será que tudo isso é real? Ah, Virginia, em todo este mundo não existe nada mais real e duradouro.

Se existe Papai Noel? Graças a Deus ele vive e viverá para sempre.

Daqui a mil anos, Virginia, e ainda daqui a dez mil anos ou dez vezes esse número, ele continuará a fazer feliz o coração das crianças. "

Escrito a mão pela Marcia às 5:23 PM

« novembro 2002 | Main | janeiro 2003 »