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American Girl in Paris

Ontem assistimos ao episódio final de Sex and the City. Não acompanhei a série desde o começo, mesmo porque a TV aqui só começou a passar da série 4 em diante.

Mas os dois últimos episódios foram, de todos, os mais tocantes para mim. Os demais episódios foram fabulosos, divertidíssimos e geniais porém como qualquer outro excelente programa. Enquanto que os dois últimos, falaram diretamente a mim, do que eu entendo, do que eu vivo.

--- se você não quer saber detalhes dos últimos episódios não continue a leitura ---

Com os olhos bem abertos e o coração apertado, vi Carrie andando sozinha pelas ruas de Paris, tendo dificuldades de entender a língua, passando frio, sendo mal-tratada pelas crianças, vendo que o mundo gira em torno do namorado, do trabalho e dos amigos dele, enquanto que no peito a imensa saudade da sua vida anterior é quase sufocante. Assistindo a tudo isso foi quase que natural sentir as lágrimas pingando ao constatar que minha vida aqui não tem sido diferente nesses dois anos.

Quando Carrie se vê perdida nesse novo mundo, não é do colar perdido que ela sente falta, mas da própria identidade, de como ela era reconhecida. Não importa quantos diamantes o novo colar tenha, a essência do antigo sempre vai fazer falta.

Muitas vezes sinto vontade de fazer o mesmo, de pôr pra fora que antes eu tinha minha carreira, meus amigos, minha família, meu apartamento e minha vida e que não posso em hipótese alguma ser infeliz aqui. E sair correndo, com a saia de tule esvoaçando pelo caminho e encontrar minhas amigas no Café Journal em São Paulo e abraçá-las bem forte, sorrir e voltar a escrever, sorrir e me sentir em casa, sorrir e ser feliz com a volta. Como a Carrie.

Porque nem sempre eu sou forte ou sou coerente. Nem sempre tenho certeza de que tudo é certo e seguro. Nem sempre.

O único porém é que, ao contrário de Sex and The City, minha vida não é ficção. Ao contrário da Carrie, voltar não é opção para mim. Porque, ao contrário de Aleksandr Petrovsky, Martin é the one.

Mas nem sempre é o suficiente.


14 Comentários

Eu adoro essa série, e a TV inglesa passou sim as três primeiras temporadas, mas acho que você ainda não morava aí. Infelizmente minha operadora de cabo não tem o Multishow, que exibe a série no Brasil. Então eu pulei o trecho que você fala do final...mas li a última frase quando você diz que Martin is the one. Como é bonito ter esse sentimento.

Eu adoro essa série.. Realmente, as vezes sentimos falta de estilos anteriores de vida. Mas sempre tem aquela lembrança boa... E o amor, o amor supera tudo!

Querida seja vc mesa sempre! vc pode tentar ser igual a alguém mas nunca será ela...interessantes suas mensagens, visite meu blog tbem, ok.beijuuus.

vou pular o post pra não saber do final,
mas agradeço o carinho de sempre, durante todo esse tempo.

eu admiro muito vc, marcilda.
vc nem sabe o tanto.

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Querida Márcia
Você desabrochou para a vida. Não lamente o que ficou para trás. Aos poucos, essa saudade imensa vai diminuir e as diferenças virarão soma. Um abraço.

Te entendo bem...mesmo quando passamos por situações onde a distãncia física nem é tão grande assim, ficamos com esta sensação de perda.
Ser coerenet...quem o é sempre? Por isso somos humanos, aprendizes de viver eternos. E discordo...vc é forte, já vi vc passar coisas com a maior dignidade possível...isso é ser forte, o resto é balela. O que acho que vc não sabe é o quanto vc é grande como pessoa Ma.
E no mais, é ficção; e viva Mr. M. Um beijo

Infelizmente nós humanos somos tão intrincados e compelxos que ninguém, ninguém mesmo, por melhor que seja, por mais maravilhoso que seja, por mais que seja the one, pode preencher todos os vãozinhos que há.
Voce nem sempre é coerente. Mas que bom que é tão humana, tão bela, tão "de verdade". É por isso que gosto de vir aqui. Voce é de verdade Marcia :)
Com medos e ilusões e desilusões "de verdade". E com alegrias e conquistas "de verdade" tb.
Voce vi se sentir assim muitas vezes. Mas passa. :-)
Dizem que tudo na vida é passageiro, menos o motorista e o trocador...rss (piadinha infame!)
Beijos

Ma.
Olhe pra trás como uma experiência vivida.
Vc tomou a decisão certa e sabe disso no fundo.
Faz parte sentir um pouco disso que vc expressou de vez enquando.
Estamos distantes, mas estamos AQUI.
Parabéns e o Mr. M é um cara de sorte, pois o amor dele fez com que você tivesse coragem de deixar a estabilidade do que tinha para viver ao lado dele. SEJA FELIZ e pense nas coisas boas de agora... Não lamente pelo que vc viveu, pois isso são experiencias enriquecedoras...

Eu acho essa série um grandissimo pé no saco. Mas é sempre interessante ver na TV ou no cinema uma situaçao parecida com a sua. Acho que dah uma certa idéia de "nao sou a unica", sei lah. Eu soh acho que esses nossos grandes momentos de solidao e tristeza no exilio vem quando a gente tem tempo demais nas maos. Esses ultimos 3 meses desempregada aqui na Italia foram chatérrimos, apesar deu adorar ficar em casa. Semana passada andei ocupadissima com um curso de formaçao pro novo emprego que começa amanha, e entrei rapidinho na rotina, acordando cedo sozinha, programando os menus da semana na cabeça pra organizar melhor as compras, jah me sinto mais ativa e cheia de energia, e o melhor de tudo: conheci gente nova, gente legal, que meu namorado nao conhece. Amizades soh minhas, feitas com mérito meu. E isso é super importante.

Desculpe a intromissao, mas voce anda procurando emprego por aih? Sei que voce tinha uma otima situaçao profissional no Brasil, e espero que voce nao esqueça nunca do quanto isso é importante, ainda mais longe de casa!

Um abraço,
Leticia.

marcinha, vc pode ter isso tb ai, procure fazer um curso, dai vc faz novos amigos, tentar vender alguma coisa, sei como vc eh criativa, sei la, sao ideias q so vc pode responder.
Se vc ler meus ultimos posts vera o desanimo e no ultimo um sol raiando :0)
Eu nao escolhi voltar para o Brasil, regressei pois meu pai teve derrame, no começo tive ate depressao pois nao aceitava, entao eu pensei, estou aqui entao tenho q fazer minha vida aqui. Estou lutando, consegui um emprego em marketing internacional, fundei um grupo de empreendedores e estou fazendo trabalho voluntario, alem de dar aulas de ingles, vale tudo para acharmos nossa felicidade, e nao pense q voltando ao Brasil a vida sera como vc a deixou, pois tudo muda.
boa sorte!

Olá Marcia,
Lendo seu post lembrei-me de uma amiga que deixou quase tudo aqui no Brasil e foi para Paris viver seu grande amor: ela levou consigo o filho de 8 anos que tinha do primeiro casamento e um desejo enorme que tudo desse certo. Enfrentou a diferença de cultura, de idioma, o preconceito contra estrangeiros, todas essas coisas que a gente sabe que existem. Mas o amor foi maior que tudo e aos poucos as dificuldades superadas. O marido francês adotou literalmente seu filho, matriculou-o numa escola francesa tradicional com aulas de reforço no idioma para que não fosse discriminado pelos coleguinhas. Ela também estudou francês (quando foi só sabia dizer "bonjour" e "au revoir"), começou fazendo trabalho voluntário numa ONG, e hoje está contratada, tem sua família, seu trabalho conquistado a duras penas e está muito feliz. Tenho um grande orgulho em saber que participei disso tudo pois em abril de 1989, quando eu voltava de Paris, trouxe os documentos do Pierre para serem entregues ao consulado da França para o casamento. Esta história, que este ano completará 15 anos, não é ficção, é tão real como a sua. Desculpe, acho que me alonguei demais, mas tenho certeza que, assim como essa minha amiga, você encontrará uma forma de preencher os vazios que ainda incomodam, com paciência e criatividade.
Eu lhe desejo muitas felicidades.
Beijos cariocas.

A todos vocês, obrigada pelos comentários. Li e refleti sobre cada um deles. Obrigada!

Na verdade a TV inglesa começou a passar SEx and the City em 1999, mostrando a série 1 sim!!!!!

ai marcia...senti EXATAMENTE o mesmo, mesmo com toda a meu cinismo, foi dificil . semana q vem esateri rtessucitando o canterbury tales:) mil beijos pra vc