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House of Lords

Algo que me surpreende e me enche de admiração aqui no Reino Unido é ver como o Parlamento, ou House of Lords, funciona. E como funciona bem, na maiorida das vezes. Obviamente que, como todo governo de qualquer parte do mundo, está longe de ser perfeito ou de ter políticos perfeitos. E longe de mim querer comparar o sistema parlamentar inglês com o sistema republicano brasileiro. São dois mundos diferentes, duas realidades distintas.

Porém, me enche os olhos quando assisto aos inflamados confrontos na House of Lords, chamados de Starred Questions, onde o partido do governo fica frente a frente com a oposição para responder à quatro questões na segunda e na quinta, e cinco questões na terça e na quarta de cada semana.

Todos os ministros do atual partido governista sentam de um lado e os ministros da oposição sentam do outro. Então um dos minitros da oposição fica em pé e exige respostas e justificativas de uma determinada ação feita pelo governo, sobre um determinado assunto. O ministro governamental responsável pela questão então se levanta para responder, enquanto que o da oposição deve se sentar e ficar calado até que o outro ministro termine de falar e volte a sentar. É então a vez do ministro da oposição ficar em pé novamente e rebater as justificativas do governo. E assim sucessivamente. A cada parte é dado o direito à resposta, respeitosamente.

Dessa forma, a todo instante, todas as ações do governo são revistas, debatidas, criticadas ou examinadas. Não importa se Tony Blair é o Primeiro Ministro porque na House of Lords ele não é o rei da cocada preta. Deve justificar e explicar aos ministros e principalmente à nação o porquê de seus atos, mostrar evidências, provar quando necessário, ser julgado se for preciso.

Além de ser o lugar dos mais importantes debates políticos do Reino Unido, o House of Lords funciona também como corte judicial, a Suprema Corte de Apelação. Cabe à Casa praticar também as votações contra ou a favor que dê poderes ao atual governo para agir em questões polêmicas, como foi a invasão ao Iraque.

E esse é um bom exemplo para mostrar que nem sempre a House of Lords age de acordo com a vontade da nação. Nem sempre funciona bem, nem sempre suas ações tem o desfecho desejado ou esperado.

Mas de uma certa forma, é impossível deixar de admirar a seriedade de alguns políticos que lutam diariamente para fazer o Parlamento funcionar como se deve, de forma democrática, respeitosa e civilizada. É óbvio que não fazem mais que a obrigação, mas não deixa de ser admirável.

Notem que em nenhum momento fiz qualquer referência ou comparação com outra forma de governo de qualquer outro país. Há prós e contras de cada forma de governar, levando em conta a realidade de cada sociedade. Esta é a forma que funciona no Reino Unido desde o século 14, muito antes do Brasil sequer ser descoberto. A House of Lords é parte da mais velha democracia parlamentar do mundo. Neste aspecto, há muito o que se aprender com os ingleses.


17 Comentários

Enquanto isso, no congresso nacioanl brasileiro....melhor nem falar.
Tão bom quanto o Brasil no jogo contra o Paraguai.
Um beijo

O sistema inglês realmente é uma lição de democracia para o mundo. Todos os deputados (MPs) prestam contas do que fazem e ainda acham tempo para se encontrarem com os eleitores que precisem de orientação de algum tipo. Teve uma época que a minha MP era a atriz Glenda Jackson. Mas nada do povo ficar indo lá atrás de autógrafo! Onde já se viu aqui político ter contato com o povo fora de época de eleição! Nem pensar...

Ai, quem me dera!

Oi Marcia, estou mais um vez aqui.Admiro tb o sistema ingles de governo, so nao concordo com a palavra civilizada, pq quando assisto a essas transmisões eu escuto muitos berros e se nao for o speaker aquilo vira um zona total.
bjos.

Marcia, muito boa a sua aula. Eu adoro e sempre aprendo muito com vc!!
Voce já pensou em escrever um livro ou trabalhar com traducoes? Acho que tem a sua cara!!

Oie Marcinha:)
Passei para te convidar a ir no meu blog e ler minha 2º parte da minha Love Story.
Bjokas

Oi Márcia,
Sei que já te convidei uma vez e ontem foi a inauguração do meu blog, mas hoje faço o convite oficial (não repara o errinho que ainda não consegiu descobrir onde é).
Seja bem vinda ao meu jardim!
Colha as flores que quiser...enfeite sua vida, sua casa, seu blog!!!
Um abraço

Mas aki..uma perguntinha: Na Câmara dos Lordes os cargos ainda são hereditários, como eram antes? (lembro disso das minhas aulas de história)..e a Câmara dos Comuns, vc sabe como funciona hj em dia?
Desculpe se a pergunta foi estúpida!!hehe

Marcinha, passei hoje aqui para pedir permissão para usar uma das suas frases ..Tipo quando vc falou dos neuronios ou da falta deles....mesmo se vc não deixar eu já usei tá...
sua literatura já está fazendo escola....
beijos e me visite.

ola tudo bem entrei sem querer e queria dizer que seu vlog e lindo enquanto nao acabei de lerlo todo nao sai dele e queria convidar voce a entrar no meu se possivel me adicione em sua lista pois queria fazer parte deste maravilhoso blog se quizer eu te adiciono tambem e voce e muito bem vind em meu blog ate http://leprechaunamigo.blog.uol.com.br/

Sammy, oi querida, cê tá boa? Pois é, por isso que deixei bem claro que não estava fazendo nenhuma comparação.

Marcia-SP, isso mesmo. E tem MPs que têm até blogs! :)

Heloísa, quem sabe um dia chegamos lá, né...?

Marcela, eu acho as demonstrações de indignação, descontentamento e reprovação algo muito natural, não acho que isso seja falta de civilidade. Não ser civilizado para mim é ser funcionário fantasma no Congresso.

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Nossa, quanto convite para visitar blogs! Assim que puder prestarei as visitas. Obrigada.

Gabriela, por muito tempo, até mesmo no século 20 os cargos dos Lords eram hereditários. Hoje eles precisam ser eleitos. Quanto a Casa dos Comuns, acho que você encontra mais informações na Internet do que eu posso te explicar.

Marcinha, sempre gosto de ver imagens dessa House of lords, quando os caras que ficam sentados atrás da banca, onde o Tony Blair ou o líder da oposicão falam, comecam a dizer "jajajaja" ou "yeyeyeye".. uma coisa dessas. Muito legal. :c)

Márcia, certa vez li um espcialista nas páginas amarelas da VEJA dizer que a diferença entre o desenvolvimento dos EUA e do Brasil se deu devido às instituições americanas serem muito melhor estruturadas que as brasileiras, isso gera confiança na sociedade, garantia que os contratos serão cumpridos etc etc. Os dois países foram colonizados mais ou menos na mesma época e enquanto os americanos se desenvolveram o Brasil ficou no atraso. Lendo o seu texto, notei que a herança cultural que os ingleses deixaram aos americanos influiu muito na situação que o país tem hoje, enquanto o Brasil foi prejudicado principalmente pelo fato de ter um país católico como sendo seu colonizador.
Abraços

Marcia,
Mais uma vez consegui entender (pelas suas maos) mais alguma coisa q sempre via aqui na Inglaterra mas nao entendia pq nao sei falar ingles. Muito obrigada!
Bjos

Valeu Márcia!!!

hehe concordo com oq a Maria disse...logo antes da guerra do Iraq eu assisti algumas sessões deles pela BBC e tb percebi isso!

bjim

Mary, hehehe eu também me divirto! :o)

Sérgio, interessante isso, né? Eu também concordo, no Brasil faltou a experiência de empreendedores como aconteceu nos EUA. Não estamos falando que os americanos são melhores, mas não há como negar que houve esse desequilíbrio de desenvolvimento.

Rachel e Gabriela, que bom que vocês gostaram.