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Hakuna Matata (o maior post de todos os tempos)

31/05/2004
Tentando publicar

Vamos tentar novamente. Gravei os post que havia escrito off line num CD-Rewritable. Agora vou tentar ir no cybercafé para copiar, colar e publicar. Se você estiver lendo este post é sinal de que deu certo.

Para qum gosta de ler na seqüência cronológica, o começo, desde a nossa chegada, está lá embaixo, começa no dia 23 de Maio.


31/05/2004
Loskop

Visitamos um parque natural chamado Loskop. A grande atração do parque são os rinocerontes, mas não conseguimos avistá-los. A vegetação estava alta, ultrapassando a altura do nosso carro e foi difícil encontrá-los. Seguimos todos os cocôs deles, mas mesmo assim isso foi o mais perto que chegamos deles.

Vimos dois macacos babuínos, duas famílias de javalis iguais ao que Asterix e Obeliz costumavam caçar, vários impalas e antílopes. No meio do parque existe um lago imenso, de azul intenso, contrastando com as montanhas vermelhas que o cerca e combinando com o azul do céu. Lá encontramos um grupo enorme de cervos bebendo água, uma vista fantástica!

Foi uma pena não ter visto nenhum rinoceronte. Nem leão.


31/05/2004
Tecnologia no deserto

Eu bem que tento usar o cybercafé (se é que se pode chamar aquele lugar de tirar fotocópias de tal). A conexão é discada e cobrada por minuto. Daí tem um reloginho digital do lado do monitor, contando quanto você precisa pagar.

Mas a conexão é tão lenta que desanima até a nerd aqui. Para carregar a página do Yahoo!, o browser fica pensando, pensando, pensando e o reloginho vai marcando mais e mais Rands (a moeda sul-africana) para pagar, por minutos a fio, te juro. Então eu fico ali sentada na frente de uma tela em branco que não carrega nunca e vendo o reloginho aumentando o valor cada vez mais rápido.

Pra dizer a verdade, achei um roubo. Mas não temos muita escolha. Na pousada só tem uma linha telefônica e eles usam para fax e e-mails também e eu não quero ficar ocupando a linha deles quando eles precisam cuidar dos negócios.

Então por enquanto uso a Internet só uma vez por semana. *sigh*

No sábado, Mr.M voltou do trabalho e disse que tinha um presente pra mim. Ele tirou do bolso uma folha de papel dobrada e me entregou. Ele havia imprimido os comentários do meu blog no escritório para eu ler! Não podia existir presente melhor!

:o)


30/05/2004
Cadê o Penalti?

Lembra quando eu comentei sobre a diferença de tratamento entre as raças? Pois é, acontece dos dois lados, dependendo em que grupo você se encontra. Eu trato todo mundo igual, não sou branca nem negra, nem azul, nem cor de rosa. No entanto, aos olhos de todos aqui, sou branca. Mais uma vez quero tomar o cuidado de dizer que não tomo partido de nenhum dos lados aqui ou em qualquer outro lugar, nem dos brancos, nem dos negros. Sou a favor da educação dos filhos para a consciência de que ninguém deve ser julgado pela cor da pele.

Mas como disse antes, a sociedade aqui – principalmente nesta pequena cidade de Middleburgh – viveu por anos e anos, senão centenas de anos, num regime de segregação. Hoje alguns discriminados de ontem querem de certa forma dar um troco, numa guerra entre raças sem fim.

E pela primeira vez senti essa diferença de tratamento, mas de forma sutil, que dava até para se confundir com um engano. Estava eu no KFC para fazer meu almoço e fiquei no fim da fila para fazer meu pedido. Além de mim, havia apenas mais umas três pessoas branquelas no lugar, na hora do almoço. A grande maioria era de negros. Quase chegando na minha vez, percebi que um moço negro olhou pra mim e entrou na minha frente na fila. O atendente, que também era negro, viu e atendeu ao moço primeiro. Eu não me importei muito. Mas daí veio uma mulher e fez o mesmo. E o atendente serviu a ela antes de mim. Daí pela terceira vez, um outro moço negro saiu da fila que estava e entrou na minha frente para ser servido primeiro.

E então eu entendi. Negros ali têm preferência. Porque quem atende lá são todos negros e se alguém tem que esperar para ser servido, que sejam os brancos. Mudei de fila, consegui fazer meu pedido, comi e saí. Eu não me atrevo em fazer barraco nenhum. Mais ou menos como ser a única torcedora vestindo a camisa do time de futebol no meio da torcida do time rival. Ali, eu fazia parte do outro time e eu não iria gritar pênalti.

É claro que este é um caso banal, entre muitos outros casos verdadeiramente sérios que ocorrem aqui. E é claro que foi apenas uma bobagezinha, frente às atrocidades que muitos negros sofreram na história deste país. Mas foi algo realmente interessante de ver e viver, apesar de não ser agradável, obviamente. Eu nem achei ruim, nem nada. Apenas percebi, quase na verdade não acreditei. Enquanto comia meu pedaço de frango com suco de maçã, fiquei pensando e me perguntando: “isso aconteceu mesmo?” e fiquei imaginando a que ponto esse problema cultural deve chegar, em outros aspectos da vida.


30/05/2004
Uma semana

Nossa primeira semana na África do Sul passou voando.

Estou com a vida feita mansa na pousada. Delia, a dona da pousada, tem feito de tudo para que eu me sinta bem aqui, já me levou para fazer compras com ela e também passamos uma manhã num café bem bonitinho (para os padrões de Middleburg) tomando cappuccino e lendo revistas. Ela é sul-africana, descendentes de holandeses e a primeira língua dela é Afrikaans, a segunda é inglês. Com a Delia aprendi onde encontrar bons produtos, onde ficam os lugares mais bacanas, onde é melhor evitar andar sozinha a qualquer custo.

A pousada tem cerca de cinco empregadas para dar conta de toda limpeza. Então temos quarto limpo e cama feita por elas todos os dias e também o pivilégio de ter nossas roupas lavadas e secas ao solão forte do meio-dia e passadas com o maior capricho por uma senhora muito eficiente. Até o cordãozinho da minha calça foi passado! Mr.M e eu temos até underwears passadas a ferro! Um luxo.

Eu também não cozinho aqui, mesmo que quisesse não dá. A pousada serve refeições, todas preparadas pela Delia. Estamos sobrevivendo apenas com as comidas de restaurante. Ontem encontramos um restaurante italiano bem bacana, com lareira, vinhos excelentes e comida um pouco mais européia.

A comida africana não é má, mas a base é sempre carne vermelha e tudo servido com muito molho. Molho pra tudo, molho demais, mesmo quando não indica no menu.

Vi lá no centro uns tipos de açougues só para carne seca e defumada, chamados de Biltong. Tenho uma leve impressão que eles fazem feijoada aqui, mas ainda não vi nenhum sinal dela. Outro dia também dei uma volta sem pressa nenhuma pelo supermercado daqui só pra ver o que eles têm. Fiquei surpresa ao encontrar os mesmos bons produtos e marcas do que temos no Brasil: sabão Omo, produtos Parmalat, absorventes Sempre Livre e Intimus Gel (hoooray!!), biscoito Oreo (que eu adoro comer com leite, bem no estilo americano), feijão carioquinha, além de muita goiaba, manga, mamão. Tudo o que não encontro no Velho Mundo.

Bruno aprendeu a subir as escadas que vai pro nosso quarto, mas precisa de carona para descer, o coitadinho morre de medo de descer aquelas escadas. Agora temos dois cães e um gato hospedados com a gente aqui neste quarto superpopuloso.

Ah sim, e ontem também dei meu espetáculo na rua, com o Martin. Num desnível do asfalto onde o nosso carro estava estacionado, meu pé esquerdo virou e se arrastou pela valeta e a canela bateu na guia, torcendo ainda mais meu pé. Caí na calçada jogando a sacola que carregava pro alto, tudo espalhado, aterrissei de bunda e de mãos, um horror. A dor foi tanta que por uns segundos meu pé ficou completamente insensível. Chorei na calçada enquanto o Martin tentava ver se tinha quebrado algo. Mas foi só uma torção mesmo. Estou mancando, mas logo melhoro. Ui.


27/05/2004
Internet à Vista

A pousada em que estamos é ótima, bem simples e aconchegante. Porém o único defeito é que não há telefone em nenhum dos quartos. E com isso nossos planos de conectar à Internet com o laptop foi por água abaixo.

Numa das minhas andanças pela cidade, encontrei um cybercafé. Entrei cheia de entusiasmo, mas o servidor não estava funcionando. Damn. Vou tentar novamente hoje a tarde.


27/05/2004
Confraternizando

Dois dos chefes do Martin, Chris e Tony, chegaram da Inglaterra ontem, aqui em Middleburg. E todo o grupo foi convidado para um jantar especial de confraternização. Martin ainda recebeu a gentil recomendacão de me avisar que eu seria muito bem-vinda para participar do jantar também.

Eu estava meio ansiosa porque eu seria a única mulher no meio de um monte de blokes engenheiros. Mas fui. Principalmente porque eu deveria beijar o chão de Chris, que fez de tudo, tudo, tudo para que hoje eu estivesse aqui na África do Sul com o Martin. Essa viagem para cá já estava programada bem antes de eu ficar grávida, mas só o Martin viria, eu não. Eu sabia que não viria mesmo depois de saber da gravidez e estava me preparando para ficar longe do Martin por um bom tempo.

Quando perdemos o bebê, Martin se ausentou no trabalho por vários dias enquanto eu estava no hospital e teve que contar a Chris sobre a nossa situação. Chris tem dois filhos pequenos e foi bastante solidário com o Martin. E então ele fez a proposta, se o Martin não desistisse de vir para a Àfrica do Sul, mesmo nessas circunstâncias, então ele cuidaria de tudo para que eu pudesse vir junto. Nas palavras de Chris, quem estava fazendo o favor era o Martin e isso era o mínimo que ele poderia fazer para ajudar.

Então ontem foi com muita satisfação que conheci e apertei a mão de Chris. E de todos os outros colegas do Martin também. Estávamos em dez pessoas, sendo eu a única do sexo feminino.

No fim, adorei conversar com todo mundo. A grande maioria dos engenheiros já trabalharam por dois, três anos no Brasil (em Espírito Santo e em Minas Gerais) e todo mundo queria contar as experiências, as coisas engraçadas que aconteceram no Brasil. Acabei me divertindo bastante.

Tony é o big boss todo poderoso desse projeto em que eles todos estão trabalhando. Mas é o típico chefe que gosta de discursos aprendidos nos cursos de gerenciamento e qualidade total. Pelo que parece, ninguém tava muito feliz com a presença dele por aqui, poor soul. E enquanto ele estava fazendo o discurso agradecendo a todos pelo envolvimento, esforço, blablabla, ele olhava para todos, inclusive para mim, hahahahaha. E eu, tontona, ficava balançando a cabeça afirmativamente, concordando com tudo, hohohoho. E claro, brindei com toda a equipe também. Martin disse que daqui a pouco vou estar assinando os projetos e dando ordem aos peões. Me aguardem.

Depois Tony conversou um pouco comigo, foi bastante simpático, perguntou sobre a minha adaptação no Reino Unido. Ele é grego, morou 16 anos aqui em Middleburg e está morando há 6 anos na Inglaterra. Temos as mesmas dificuldades, os mesmos estranhamentos de viver entre ingleses, foi interessante bater papo sobre isso. Mas Martin não queria ficar muito de papo com o big boss e logo me puxou pra perto de Dave e Mike e demos bastante risadas com eles. Mike me ensinou a nunca mais pedir rump steak em restaurantes porque é diferente da Inglaterra, muito dura e cheia de nervos. É melhor pedir sempre fillet, nunca rump. Obviamente ele só me disse isso depois que meu prato já havia chegado, com o rump steak.

Mas enfim, a noite foi bem gostosa, adorei conhecer melhor alguns colegas do Martin, coisa que não acontece quando estamos na Inglaterra. Me senti bem confraternizada!


26/05/2004
Botshabelo

Ontem os donos da pousada nos convidaram para um passeio noturno delicioso, numa reserva natural perto da cidade, chamada Botshabelo. Fomos eu, Martin e Dave, que é inglês e colega de trabalho de Mr.M, além do casal donos da pousada, que empacotaram, entre outras coisas, duas garrafas de bom vinho tinto sul-africano.

Não tiramos nenhuma foto porque era praticamente impossível com a falta de luminosidade suficiente para fotografar animais em movimento. Mas registramos tudo na memória e foi um passeio maravilhoso.

Usamos uma pick-up 4x4, com refletores e lanternas especiais e adentramos uma área de vegetação bem seca e cheia de pedras vermelhas. Lá avistamos bem de perto grupos de zebras, impalas, veados, antílopes, entre muitos outros animais chifrudos que eu não sei o nome.

Fizemos duas paradas no alto da reserva para apreciar a imensidão do céu exageradamente estrelado e também a vista noturna da região de Middleburg, brindando com o bom vinho.

De volta ao carro, continuamos nosso passeio e vimos também uns pássaros bem engraçados, que parecem uma miniatura de avestruz, vimos uma lebre e um “ant-eater”, comedor de formigas, mas bem diferente do nosso tamanduá. Este parecia um tatu, mas sem pêlo, sem casco, peladinho feito porco e com narigão. Dizem que é extremamente raro ver um anteater, então acho que tivemos muita sorte!

Leões porém, nenhum. Ainda.

25/05/2004
Novas Companhias

Os cães se chamam Bruno e Phoebe. O gato se chama Silvester.

Bruno é o típico cão que adora uma festa, abana o rabo pra tudo, pula animado, morde minha mão pra brincar. Vem correndo ao meu encontro todo vez que me vê, deita no meu colo para dormir e esconde o focinho entre meu braço e minhas costelas, do mesmo jeitinho que a Bianca costumava fazer quando era filhote.

Phoebe é mais recatada, não faz festa nenhuma, mas gosta de um carinho também e é a única dos dois cães que é valente para subir todas as escadas que dá para o nosso quarto. Silenciosa, ela vem me visitar, ou visitar Silvester, quando estamos na varanda. Aliás, a única coisa que faz Phoebe abanar o rabo enlouquecidamente é o gato Silvester. Ela ama o gato, lambe seu pêlo e brinca com ele, dá mil cheirinhos na orelha dele.

E finalmente, Silvester é o ancião da casa. Martin diz que ele parece o Old Deteuronomy. Só dá as caras de manhã depois que o sol esquenta, mais ou menos como eu. E vem sempre na varanda do nosso quarto tomar sol e por aqui fica, apenas mudando de posição quando o darn sol insiste em se mover. Pelo o que entendi com o seu olhar, este quarto é na verdade dele. Silvester está apenas gentilmente nos cedendo o lugar por uma temporada de longo prazo.

Eu sei que eu não deveria, mas já criamos laços, eu, Bruno, Phoebe e Sil. Sei que vou morrer de saudades quando chegar a hora de partir, mas é simplesmente impossível não amar a presença deles nos meus dias por aqui.


25/04/2004
Há bem pouco tempo atrás

Hoje também faz um mês que perdemos nosso bebê. Um mês. Os dias passaram rápido, é quase difícil de acreditar que há um pouco mais de um mês eu estava grávida. Foi a maior e a mais rápida felicidade que tive.

Antes eu sempre dizia ao Martin que preferia não engravidar do que engravidar e perder. Mas agora que tudo isso aconteceu, eu mudei completamente de idéia. Eu amei estar grávida, mesmo que por um curto espaço de tempo. Amei sentir um serzinho crescendo dentro de mim, com seu coraçãzinho tão minúsculo batendo apressado. Amei conversar com a minha barriga, amei as mudanças que via no meu corpo, amei tudo intensamente, verdadeiramente.

Mesmo sofrendo tanto com a nossa perda, sinto que aquela gravidez foi muito valiosa e amada. E valeu a pena sim estar grávida, mesmo com a perda, mesmo com a dor, mesmo com o vazio que agora toma conta.


25/04/2004
Primeiras Impressões

Terceiro dia na África do Sul. Ainda não vi nenhum leão.

Estamos no outono, mas o clima é de um deserto: sol e calor de dia e noites frias e com geada. Estou simplesmente amando todo esse solão que há anos não via. Usando protetor solar 30, posso aproveitar para deixar meu branco-fantasma um pouco mais corado, vestindo camiseta regata e shorts. Quando o sol se põe preciso colocar blusas de fleece e casaco.

Já dei umas voltas pela cidade, não ha muito o que ver por aqui, mas dá para reparar em muita coisa interessante. A grande maioria da população aqui é de negros, cerca de uns 90% pelo menos. Brancos em sua maioria são descendentes de holandeses. As línguas faladas aqui são: inglês (a mais comum, falada por todos), afrikaans (a língua usada pelos holandeses), swahili (a língua sul-africana) e zulu (usada pelos negros).

O inglês usado aqui porém é extremamente complicado para mim (e até para o Martin também). A pronúncia é completamente diferente, o “a” vira “o” e eu preciso pedir para as pessoas repetirem 435 vezes até eu entender. Sem contar com as palavras que a gente não usa na Inglaterra, mais ou menos como a diferença entre o inglês americano e britânico. Tem sido como aprender inglês tudo de novo.

Mas mais do que a língua, claro, há outro aspecto da África do Sul que não dá para deixar de reparar: a segregação. Hoje a África do Sul vive com os frutos do fim do Apartheid, com Nelson Mandela governando, com a democracia instituída. Há 20 anos eu jamais poderia ter visto as imagens que vejo hoje quando vou ao restaurante, com negros e brancos almoçando lado a lado, pacificamente.

O fim do Apartheid trouxe sem dúvida um certo nível de igualdade das raças, acabou com a injustiça absurda daquela sociedade repartida entre brancos-reis-da-cocada e negros-sem-direito-a-nada.

Porém, bastam poucos segundos observando ao seu redor para entender que o fim do Apartheid não significa o fim da segregação racial. Claramente, a maioria dos brancos não se misturam com negros e muito menos se acham iguais a eles. E de uma certa forma, o fim do Apatheid trouxe sérias complicações sociais, intensificando a discórdia. Por lei, hoje todas as empresas precisam ter um número mínimo de funcionários negros. Isso significa que boa parte dos brancos foram demitidos de seus empregos para dar lugar aos negros. E nas escolas, o ensino que antes era um direito exclusivo dos brancos, hoje atende a todos. No entanto, para que os alunos negros acompanhem às aulas o ensino passou a ser mais lento e menos exigente.

Para os negros, o fim do Apartheid trouxe a esperança de avanço, de evolução, de igualdade, de justiça. Para os brancos, trouxe desemprego e qualidade de ensino inferior, divisão do que antes era exclusivo. E não é preciso ser Einstein para entender o tipo de problema que essas mudanças andam causando numa sociedade que viveu por anos e anos num sistema de racismo extremo.

E que fique bem claro aqui que não há algo que eu mais abomine do que discriminação e racismo. As minhas impressões que escrevo aqui são baseadas no que vejo e percebo, sem querer fazer apologias de certo e errado, vítimas e mal-feitores, nem nada. Estou apenas escrevendo aqui o que têm me chamado a atenção ao viver na realidade deles ao invés de apenas imaginar, como fazia antes.

O Apartheid era uma vergonha, mas seu fim não trouxe todas mudanças esperadas. Porque simplesmente não se pode mudar um ser humano culturalmente marinado de pre-conceitos com uma simples nova lei no papel. E o que se percebe aqui é que, apesar dos novos direitos e deveres, a sociedade continua dividida, ressentida e desigual.

Por mais que a gente esteja acostumado com os problemas de racismo no Brasil, na Europa ou onde for, é impressionante perceber aqui na África como é intenso o sentimento de desigualdade que ambos os lados, brancos e negros, têm por aquele cuja diferença está apenas na cor da pele. Tão real, tão explícito e tão triste.


23/05/2004
Hakuna Matata!

Com os pés em solo africano!

Depois de um longo e cansativo vôo, de muitas turbulências, comida horrével e assentos que não reclinavam porque eram encostadas com a parede do banheiro, chegamos na África do Sul na manhã do domingo. É engraçado perceber que na verdade a Inglaterra é muito próxima da África, porém alcançar a África do Sul são outros quinhentos. Ou melhor, outras 10.000 milhas. O tempo de vôo partindo de Londres é o mesmo que ir para o Brasil, cerca de 11 horas.

No momento em que o avião pousou, pouco antes das seis da manhã, o horizonte estava azul com uma faixa avermelhada em toda sua extensão. Assim que o avião estacionou para o desembarque, o sol grande e vermelho surgiu, dando as melhores boas-vindas que podíamos esperar.

Pegamos o carro alugado e partimos para Middleburg. Minha primeira impressão, observando a região próxima ao aeroporto de Johannesburg e também durante todo o percurso até Middleburg, é uma só: como este país lembra o Brasil! O clima, os meninos limpando pára-brisas nos faróis, flanelinhas nos estacionamentos, vendedores de laranja pela estrada.

Chegamos na pousada onde estamos hospedados completamente exaustos, desgastados ao extremo porque nenhum dos dois conseguiu dormir uma hora sequer durante o vôo.

A pousada é lindinha, os donos são uns amorecos supersimpáticos. E atenção. Prestenção aqui: a pousada tem dois cachorros e um gato!! Dois daqueles salcichas pretinhos. E um gato que parece mais maduro, tem a boca meio deformada, mas é bem amistoso e bonzinho.

Tomamos um banho e dormimos por mais ou menos duas horas. Acordamos com fome e fomos fazer um tour pela cidade. Eu já contei aqui que o Martin morou aqui por quase um ano? Pois. Ele conhece bem a cidade, apesar de não vir aqui desde 1996. Mas também não é preciso muito esforço para conhecer bem a cidade. É minúscula. Eu nem sei direito por quê existem pousadas aqui. Parece que é por causa dos parques nacionais da região e das indústrias que recebem business people.

Middleburg é bem pequena. Tem uma rua principal de comércio básico e muitos, muitos fast-foods: McDonalds, KFC, Nando’s, pizzarias, burgers, burgers e mais burgers. Ontem almoçamos no Nando’s, que é um fast-food português de frango grelhado e molho peri-peri. Uma delícia, mas como todo fast-food, muita gordura e calorias pro meu gosto. Martin já havia me alertado que alimentação saudável e low-fat aqui é um conceito que ainda não foi assimilado.

Demos uma volta pela cidade, assistimos à Formula 1 na TV de um pub, Martin me mostrou onde ele vai trabalhar e também me levou para ver onde ele morou da outra vez.

À noite fomos jantar com dois colegas dele, Ray e Dave, num restaurante afro-mexicano, especializado em steaks, bifão. Tava bom, pedi um “slimmer’s steak”, que nada mais é que um pedaço de alcatra marinado e grelhado, mas sem batata frita, nem anéis de cebola fritos. Extremamente slimmer. E eu podia me servir no buffet de saladas. A maioria das saladas, para o meu desespero, estava temperada com maionese. Mas lá num canto havia também alface, pepino e tomates sem tempero nenhum. Ufa. E havia azeite, vinagre e sal a disposição. E, claro, toda a seleção de molhos para a salada cujo ingrediente pricipal é a maionese. Acho que estou perdida. Vou voltar para a Inglaterra cantando “Umpa Lumpa, Umpa dee doo...

Voltamos para a pousada e nos arrumamos para dormir, éram nove da noite. Dormimos bem, a cama é muito parecida com a nossa e tivemos um sono pesado e merecidamente relaxante.

Este foi nosso primeiro dia na África do Sul. Não avistei nenhum leão ainda, no such luck. Mas sinto que bons momentos nos aguardam aqui.


35 Comentários

Ufa! Primeirona aqui! Li maravilhada as suas primeiras impressões sobre a África do Sul. é muito interessante ler a perspectiva de vida sobre o ponto de vista de uma brasileira, ou seja, de alguém que não foi colonizador ou colonizado lá e que vem de um país com características similares à África do Sul. Ótimo que você até encontrou companhia animal. Os leões vão aparecer logo, sem dúvida - também adoro felinos. O Afrikaans para mim não seria muito problema por já ter estudado holandês, essa língua nada mais é do que holandês arcaico. E acho o sotaque deles falando inglês muito bonitinho, soa melhor para mim do que o australiano. Legal que esse Chris fez de tudo para que você se juntar ao Martin, essa será uma experiência que você levará consigo para o resto da vida! Aguardo o próximo capítulo. Beijos,

Puxa Marcia!!!
que mais posso dizer a não ser OBRIGADA!!!
que post maravilhoso, e que experiência rica vai ser a sua na África!
seja feliz !!!

Ai Marcia, que maravilha. Estamos todos na Africa do Sul por sua culpa :-))))

Márcia,

A-do-rei!!! Seu blog é entertenimento e cultura!
Muito legal saber da realidade que os africanos vivem. Tb acho o racismo abominável e torço para que o Brasil e a Africa vençam esse desafio de viver c/ igualdade!
Boa sorte p/ vc e Martin!!!
Aline

Oi Márcia. Nossa estou amando vir aqui no seu blog. Muito legal vc dividir conosco essa sua experiência em um lugar tão diferente. Lendo seu blog, me sinto até um pouco aí sabia? E lendo vc descrever os parques que está visitando, posso fechar os olhos e imaginar as cenas que vejo no discovery chanel, hehehehehehe.
Desejo que vcs sejam muito felizes nessa temporada Africana.
Beijinhos Brasileiros, mais precisamente cariocas, Isa

Márcia,
Estou muito feliz por você, toda essa satisfação quem passa nas suas palavras chegam até mim em forma de um sorriso, um sorriso doce e puro... Obrigada por ter aparecido na minha vida, mesmo você não sabendo quem sou, você faz parte da minha felicidade!!!
Desejo de todo o coração que continue tudo correndo bem, e que você sempre consiga passar para palavras as imagens maravilhosas que vê aí na África, quando li seus primeiros posts, quando você estava indo para a Inglaterra, fiquei com vontade de ir para lá, de tanta "empolgação" que você passava, e agora, aí na África, só com essas descrições de paisagens já me deu vontade de ir correndo para aí!! Suas palavras já fazem parte das minhas semanas.
Obrigada!!!
Louise Emille

M & M,

Thank you very much for your words, Marcia!
we can feel ourselves in Africa with your detailed descriptions.

Please take some pictures as soon as possible! :)

Good luck, health and prosperity! :)

Cheers,

É isso aí, Márcia! É por este motivo que todos os dias tenho o vício de ligar o computador e verificar logo minha página inicial, que é a sua. Com suas lições, suas voltas por cima, seu bom-humor. Obrigada por dividir sua vida e suas experiências conosco. E já aguardo ansiosa os próximos capítulos. Beijocas para Bruno, Phoebe e Sil. E para vocês também.
Parabéns, Martin! Segure firmemente este tesouro que você tem.
PS: Além de tudo,Márcia também é cultura.
Beijocas

Poxa Marcia que legal! Adorei saber de você e seu marido, da adpatção dos dois por aí e das inúmeras novidades! Escreva sempre que estamos antenadas aqui!! Beijo grande e sorte sempre!! Com carinho....

Márcia, estou adorando essa nova fase. Muito gostoso de ler, um diário delicioso. Lembrei de Elza, a leoa do filme de sessão da tarde.

Bruno é também o nome do cachorro do Belleville Rendesvouz (será que é assim que escreve?), ou Le Triplettes de Belleville. Você viu esse filme/animação? Já estou gostando dos cães e do gatinho.

Um beijo e boa sorte.

Oi meus queridos...
Li com enorme satisfação as suas palavras e fiquei extremamente feliz. Fiquei na verdade, emocionada. Sabe quando vc consegue visualizar um pedaço da existência de outra pessoa querida mas que por enquanto está muito longe?
Ao ver vc falar de sol, cães, preconceitos e pré-conceitos, pobreza, amizade , confraternização e cumplicidade, vi a minha amiga voltando a viver, sendo o que ela é de melhor....ela mesma.
Que estes amanhaceres sejam eternos na alma de vcs dois. Um grande beijo, muitas saudades e muitas flores amarelas.

Marcita querida,
Um beijão cheio de saudades e desejos de tudo de *melhor* pra você e seu Mr.M! Um afofo transatlântico, também, na pancinha dos novos amigos (especialmente na pancinha do gato). Tô aqui torcendo pra você ver logo um leão e contar como foi.
:)
Denise

OI!!!!!Márcia, amei e vibrei com tuas aventuras, saber q vcs estão bem, fico mto contente em te ver de novo bem, afinal, mesmo sem te conhecer gosto mto de ti e do Mr. M.
Torço muito para ambos, desejo mtas outras tantas aventuras e felicidades.
E principalmente, que os LEÕES apareçam!!!!!
Bjs,
Mauri.

Que post delicioso Marcinha! :) Que pena que você não tem uma conexão boa para contar mais e colocar fotos, fiquei aqui imaginando os passeios lindos que vocês fizeram, o tal do lago muito azul, o solzão vermelho, os bichos, muito legal. Espero que você esteja tirando muitas fotos para mostrar pra gente depois :) E que bom que você foi escrevendo isso tudo mesmo offline, adorei suas primeiras impressões.

Fiquei curiosa com a comida, você falou dos molhos, quais são os pratos típicos daí?

Já vi que você e Mr M vão curtir bastante essa temporada africana, aproveitem!

Beijos,

Adorei!!! Qta aventura!!! Que bom q vcs estão felizes. Tomara q em breve venham mais posts desse país incrível. Bjos

Que alegria ler os seus posts novamente. Estou torcendo para que você viva dias maravilhosos na África.

Marcinha, li tudo. Todos os posts. Do comeco ao fim. Estou tão feliz em saber tintin por tintin como é que você está aí, na África. Que máximo, que aventura! Olha, adorei saber das suas aventuras nos parques, nas ruas de sol forte como o do Brasil, os restaurantes, as pessoas, as diferentes culturas, tudo. E os cachorrinhos? E o gato! Que máximo, Marcinha! Sei que é difícil se separar depois, mas agora entregue-se ao carinho dos bichinhos! Eles têm um poder de healing! (hohoho-... meu vocabulário fica worse every day!). Amoreco, fica com Deus! E esperanca é a última que morre: segura a onda que um dia você vê um leão. Beijoca!

Olá Márcia,
Que beleza de post! Eu tinha certeza que conheceríamos a África do Sul através dos seus olhos, e não me enganei. Li tudinho, desde o post do dia 28, e estou aproveitando cada letra. Curta a companhia dos seus três novos amigos (Bruno, Phoebe e Sil), a paisagem, a experiência. Câmera a postos: os leões vão aparecer! Estamos todos aqui, atentos, de frente para o monitor, à espera dos relatos. Muito carinho para você e Mr.M..
Beijos cariocas.

Amoreco, aqui te mando o meu post de hoje. Tomara que Mr. M. imprima os emails procê! Beijoca.

Mr. M!!! PLEASE, PRINT THIS TO MARCINHA!!!! THANKS!

Amor, floresta, Pride e dúvida

Ontem foi um dia mágico. Primeiro porque meu urso veio me visitar de surpresa (era feriado e ele estava de folga) depois de ter passado o dia com a mãe, em Piteå, pelo dia das mães, que aqui é comemorado por agora. Segundo, o dia estava lindo. Quente, ensolarado, digno de quase-verão no norte sueco. Pegamos o carro e fomos ao centro pra comprar umas coisinhas no supermercado.

Quando chegamos em casa, resolvemos sair novamente, dessa vez a pé. Andamos por mais de duas horas nas pequenas florestas aqui da área, ouvindo os pássaros, olhando as pedras e os troncos cobertos de musgos. Como sempre, esperei ver por dentre as árvores alguns elfos, mas eles se escondem bem. :c) Me senti em paz, pela primeira vez em semanas. Mais uma vez pude constatar como faz bem estar com quem se ama.

Aqui, a vida continua. Chegou no correio de hoje a revista das paróquias de Umeå da Igreja Sueca. Leitura muito interessante. Na página 16, por exemplo, numa seção chamada "Mellan Himmel & Jord" ("Entre Céu & Terra"), lê-se a seguinte notícia:

Bíscopa no Pride Festivalen
Casamento e amor. Esses são os temas do Pride Festival este verão em Estocolmo. A bíscopa da cidade, Caroline Krook, fará um discurso na abertura do festival, dia 28 de julho. Esse ano, quando o direito de partnership de pares homossexuais faz 10 anos, o festival quer destacar o direito dos homossexuais em expressar seu amor por meio do casamento. Leia mais sobre o Pride Festival.

Pra quem não sabe, o Pride é um festival que celebra a cultura e os direitos dos homossexuais na Suécia. É muito popular, apesar de não ser tão grande como o realizado em Berlin, por exemplo. O único problema é que quase todos os anos há desentendimentos, brigas e até ataques aos participantes, por parte de gangues de neo-naz**tas e que tais. Uma vergonha.

Mas o mais legal dessa nota sobre o Pride Festival, no entanto, é a participação de uma das figuras mais importantes da Igreja Sueca, que é, aliás, uma mulher! Não me canso de achar isso o máximo (leia mais informações em inglês, aqui). Ainda na mesma seção da revista, duas dicas de leitura: um livro de culinária e "O Alquimista", do nosso Paulo Coelho.

O livro, em sua versão pocket book, sai como água: está em terceiro nas listas dos mais vendidos do país, depois de vender mais de 30 milhões de exemplares (cifra válida pro mundo todo, eu imagino - a Suécia inteira tem apenas 9 milhões de habitantes). No entanto, a responsável pela resenha, Erika Magnusson, tem uma dúvida: "É realmente tão simples assim? Apenas seguir seus sonhos? A responsabilidade sobre minha vida descansa apenas em minhas mãos?"

Boa pergunta, Erika. Boa pergunta.

Beijoca queridoca!

Nossa q bom q tá tudo tranquilo por aí!!!
Espero que seu tornozelo tb tenha melhorado!!!!!

Avisa qndo ver o leão, ok?hehe

bjim

Oi Márcia!
Que bom que você está se divertindo e aprendendo coisas novas também. Fiquei espantada com a história do "preconceito às avessas", porque sempre que alguém fala de algum caso de preconceito, sempre pensamos que é contra pessoas negras, já que é incomum ver casos de preconceitos envolvendo brancos. Mas pela história desse país é uma coisa perfeitamente normal. Lembrou-me do preconceito que os vestibulando japoneses sofrem.
Espero ansiosa pelo seu próximo post.
Hakuna matata.
Beijo

Marcinha, foi com muito prazer que li o post inteirinho. Fiquei muito contente por você estar se dando bem e aprendendo coisas novas.
Também estou louca por fotos... Quando der, mostra prá a gente, tá??

Beijos,
Amanda

Marcinha, meu pai teve na casa dele uma garota sul-africana que era student-exchange pelo Rotary e ela falou para ele que esse negócio de racismo não existia mais na África do Sul depois do final do Apartheid. Acho que ela mentiu... engraçado né? De repente eles tem vergonha ou não querem discutir o assunto.

Pelo jeito, com tombos na rua e tudo, está legal a aventura né? Espero que você veja o seu leão logo (e tire fotos). Mas não chegue muito perto dele não, viu? :-P

Oi, Márcia!!
Que legal o seu post gigantesco! Adorei!
É muito gostoso saber que voce está aí com seu maridinho (e a bicharada!), feliz e aprendendo um monte de coisa bacana.
Estou amando aprender com voce, principalmente sobre as diferencas culturais entre nós e os europeus, nós e os sul-africanos, os europeus e os sul-africanos...
Um beijao para voces dois e boa estadia!

Nossa, que 'viagem' esse post!
Maravilhoso.
Obrigada, por nos brindar com o seu relato, Marcinha, e, quem sabe no próximo post, vc já estará nos contando que finalmente viu o leão??
:-)

beijocas

Posso fazer um comentário bem grandaum tumem? Nossa que lindo viajar com voces... Amei o post, os detalhes, isso tudo é um resgate da vida que não passa em branco.Fico feliz porque vejo que voce é uma guerreira e já está a mil... otimooo...beijos e se cuidem meninos...óia o leão!

Olá Marcia,
Cheguei ao seu blog através da Mary (Marycotinha) uma amiga muito querida. Adorei seu post gigante sobre a África e confesso que adoraria conhecer um país tão exótico como esse se meu marido tivesse coragem :P
Boa sorte nesta experiência que Deus os abençôe todos os dias.
Um abraço
Silvia ou se preferir, Nenwen, que é como a Mary me chama

oiii!!!! poxa que máximo q esta sendo esta viagem em todos os sentidos... que beleza!!!
estou torcendo pra ver logo as fotos... que aliás nem fazem tanta falta assim... pois a sua narrativa é fenomenal ... já pensou em escrever 'romances' ou 'contos' vc leva mó jeito!! eheeh kssssss

Marcinha, devorei todos os posts como um ... leão ;-) Estou adorando acompanhar suas aventuras e suas impressões da Africa do Sul. Lendo seu post me lembrei que tenho que ler "Letters from Africa" de Karen Blixen. ;)
E com cachorrinho e gatinho por perto... ai ai!
Smacks

Consegui! Cheguei ao final do post-monstro!
hehehe

Tá que eu li bem devagarinho pra aproveitar, né?

"Acho que estou perdida. Vou voltar para a Inglaterra cantando “Umpa Lumpa, Umpa dee doo...”"
** Tá bom, magrela! Falta só uns 100 quilos!

"swahili"
** ouvi dizer que é uma lingua muito bonita. verdade?

"Old Deteuronomy"
** cuma, Mister M?

"Não tiramos nenhuma foto porque era praticamente impossível"
** 1,2,3 todo mundo: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

"Caí na calçada"
** junte-se ao clube, eu já cai até dentro de bueiro!

"o episódio do KFC"
** pesado, né? Dá pra imaginar (bem de leve) o que esse povo já sofreu... e sofre. Pior no dentro da próprio país deles!!

"o "presente" do Mister M"
** no melhor estilo Hebe vai...: ele é uma gracinha! hehehe

"seguimos todos os cocôs deles..."
** que belo par de exploradores!! e eu aqui rolando de rir.

Abs
e aproveitem bem que vocês merecem tudinhodibom
Lety

Estou adorando a viagem...
Por favor, escreva sempre que der !
Abraços,
Lu

Querida Márcia,

que maravilhosas as experiências pelas quais tens passado! E que maravillhoso compartilhá-las conosco!

Que Deus a abençoe grandemente!

Ola!Menina, parabens! Vc deveria escrever um livro, verdade!!! Tenho vindo te visitar, e estou cada dia mais "proxima" pq vc é uma pessoa muito cativante. Seus escritos nos mostra a pessoa q dá a volta por cima, q luta, q vive,... nossa! olha, nem te conheço assim mas vc me passa tanta coisa boa. Vcs dois merecem toda a felicidade do mundo! Bom, depois eu volto. E o leão, vc viu? Ótima semana pra vcs. Beijocas Dalva Helena

Hello everybody,

I have printed off all your comments today for Marcia to read tonight!

I hope that Marcia will finally have an internet connection by the end of this week, muito dificil aqui na Africa da sul!!

tchau,
Mr. M

obrigada você, Martin!! :-)