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As Feras

É possível encontrar onças na região de Loskop, naquele parque que fomos e não encontramos os rinocerontes. Onças são animais solitários e muito tímidos e não gostam de se expor muito. São ótimos escaladores de árvores dificultando ainda mais a tarefa de seus admiradores.

Leões porém são mais cheios de auto-confiança, auto-estima e autoridade. Vivem em bandos e são mais fáceis de localizar do que as onças. Porém, como muitos de vocês devem ter percebido, não há leões nas ruas de Middelburg.

Para ver leões é preciso ir aos parques naturais onde eles vivem e o mais próximo de nós é o maravilhoso Kruger National Park, famoso por conter na imensa área natural o que eles chamam de Big Five: leões, onças, rinocerontes, girafas bufalos e elefantes.

Então acredito que até que a gente vá para esse parque vai ser muito difícil dar de cara com algum leão, mas nunca se sabe, né? Vai que? Então.

Aliás, uma coisa que estou aprendendo aqui é que safari não é o mesmo que ir ao zoológico. Sei que parece óbvio, mas eu tive grandes dificuldades para entender. Porque a gente espera ver os animais da mesma forma que a gente vê no zoológico, mas no seguinte sentido: quando alguém diz para você que no zoo tem leão, você vai lá e vê o leão bonitão, fica feliz e volta pra casa satisfeito. Então aqui na África quando alguém diz que no parque existe leão você vai no parque com as mesmas expectativas de quando você vai ao zoológico, mas a grande diferença é que ninguém pode garantir que você vai ver o bonitão do leão, ou qualquer outro animal.

É um pouco de sorte, um pouco de conhecer os hábitos dos animais, um pouco de saber onde eles estão em determinados horários, um pouco do olhar acurado para distigui-los da vegetação, um pouco de ter um bom carro 4x4. E mesmo com tudo isso preparado muitas vezes você não os vê. E obviamente que você se sente frustrado, afinal você foi lá para vê-los, quer vê-los e não voltar pra casa sem nada. Essa é a diferença e foi difícil quando fomos a Loskop e não encontramos os rinoncerontes, que são a grande atração daquele parque.

Nem sempre os animais querem ser vistos e eles são extremamente eficientes na arte da camuflagem. E este também foi um enorme aprendizado que tivemos aqui. Por mais que a gente admire a beleza de um animal numa revista, num livro ou num zoológico, só estando no ambiente deles para perceber e entender por quê eles têm a cor que têm, os chifres que têm, a pelagem que têm.

Quando você vê a mata ao seu redor com tocos de arbustos secos e escuros, pode estar certo que logo você encontra um animal com chifre semelhante. Quando a vegetação muda e as árvores secas são mais altas e os galhos mais pontudos, ali estarão também os antílopes. E quando a pálida grama alta de quase um metro cobre o solo de areia escura formando listras, lá estarão as zebras. Até os leões têm a mesma cor da terra e da grama. Até as onças se confundem entre a cor das árvores secas com suas folhas arredondadas que na sombra ficam pretas. É a seleção natural, dizia Darwin. E não deixa de ser naturalmente, incrivelmente fascinante.


6 Comentários

Marcia,

Genial essa aula que vc deu! É maravilhoso ver como a "funciona" a seleção natural. Deve ser muito legal estar nos parques, tentando decifrar o que é mata, planta... e o que é animal! Show de narração!
Ah, a respeito do post lá de baixo...Pega leve no miojito...Se vc ficar desnutrida não vai encontrar o rei leão nunca!
Um beijo gde!
Aline

Fascinante mesmo, Marcinha. Conta mais! Estou achando o máximo. :c)))

Achar que a gente vai encontrar um leão nas ruas de uma cidade africana, deve ser o mesmo pensamento que alguns estrangeiros têm que eles vão encontrar macacos pendurados em árvores aqui no Brasil, puro desconhecimento e um pouco de preconceito.
Um abração Marcia e Martin.

É, conta mais aíííí!!!

:*

ok, esperando o leão...

Poxa, Márcia!
Agora eu não quero mais conhecer a Patagônia e sim a África do Sul. rs rs rs

Beijocas
Beth