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Outra Janela para Africa

07/06/2004
Mais presentes

Mr.M imprimiu e trouxe mais comentários para eu ler!!

ÊÊêÊêêêÊÊÊêê!!!
Viva tanãnã! Viva tanãnã! Viva tanãnã!

Vou tentar publicar mais posts hoje a noite!
Beijos a todos vocês com IMENSAS saudades!!


07/06/2004
Keep on Movin’

(wheeeeeeze… pufff... pufff....)

Mr.M tem trabalhado todos os dias, inclusive de final de semana, por mais de 10 horas por dia. Tem sido bem cansativo pra ele e a gente não vê diferença quando chega sexta ou sábado ou domingo. (pufff... pufff...)

E como eu tenho ficado sozinha a maior parte do tempo, os donos da pousada me levam com eles para todos os cantos: no banco, na vizinha, no vilarejo de Botshabelo, na academia. (wheeeze..)

No final de semana passado a dona da pousada me intimou a caminhar com ela todos os dias, às cinco da tarde (horário do pôr do sol) por meia hora. E hoje fomos caminhar juntas. Eu com minhas pernas curtas e ela com suas pernas holandesas longas em ritmo acelerado, em ladeiras, escadas, ruas, pontes e tudo mais. (wheeeeze... wheeze.. wheeeeze....)

Eu (puff… puff…) cansei (puff…) tanto… Mas estou me sentindo bem. Trouxe o DVD de Yoga mas até agora não tinha feito nenhuma série, pura preguiça. Então meu corpo estava acostumadíssimo com a vida boa. Agora meu coração acha que as pernas tão di sacanagi e meu pulmão ameaça greve. (wheeeeze....)

Amanhã tem mais caminhada. E depois e depois também. Vou voltar pra Inglaterra pronta para a Maratona de Londres. (huuuffff pufff.....)

Ah sim, comecei também a limpar a piscina. Como estamos no outono e tem um árvore imensa derrubando 3 bilhões de folhas por hora na piscina, eu fico com a redinha com seu cabo longo e pesado pescando e jogando as folhas num canto do jardim. É um bom passatempo e exercício para os braços, já que a cada minuto a árvore joga mais e mais folhas pra pateta catar. Vou começar a cobrar R2 por cada vez que limpo a piscina, que nem o moço que cobra para olhar o carro.

Meu branco-fantasma já sumiu e agora exibo uma bela cor magnólia-clara-esbanquiçada. Mais ou menos como um copo de leite com meia colher de chá de nescau.

Eu não aguento mais comer fast-food. Acho que nunca mais vou colocar um hamburger na minha boca outra vez. Argh. Hoje almocei vento, simplesmente porque não queria ver comida na minha frente. Agora estou morrendo de fome com esses exercícios todos. A gente vai jantar na pousada hoje, dankie God, não aguento mais comida de restaurantes também. A Delia cozinha uma comidinha caseira muito boa e uma sobremesa divina! Nham. Acho que vamos passar a jantar todos os dias aqui e em restaurantes só no final de semana, quando a pousada não serve jantares.

Saudades da minha cestinha de legumes querida, nhaaaaaam....
Por hoje é só, vou lá descansar.. pheeeeeew....

Ah sim, número de leões vistos até o momento: 0

06/06/2004
Paying it Forward

No sábado fui no McDonald’s almoçar. Pedi um quarteirão e um suco de laranja. O moço me deu o suco e disse que eu podia ir sentar que ele levaria o sanduba pra mim.

Mas daí a escola do lado havia terminado a educação física e num instante o lugar estava lotadíssimo de adolescentes comprando Big-Macs. Esperei, esperei, esperei e como meu sanduba não vinha, fui lá no caixa outra vez.

O moço me viu e fez aquela cara de espanto de quem esqueceu completamente do meu pedido. Ele me entregou o quateirão e pediu desculpas. Eu disse que não tinha problema, sorri e fui sentar para comer. Logo ele veio até a minha mesa me trazendo um outro copo de suco de laranja. Eu disse que não precisava que estava tudo bem, mas ele insistiu por causa da demora.

Daí eu já estava estufadíssima com meu sanduba e o suco que já havia tomado porque eu não costumo beber muito durante a refeição. E eu não queria nem ver mais suco na minha frente. Nem coloquei o canudinho. Pensei: vou levar o copo de suco pra pousada e tomo a tarde, sei lá.

Saí do Mac carregando meu copo extra de suco e o canudinho ainda embalado no papel. Eu tinha que andar vários passos e conforme eu ia caminhando o suco ia vazando e pingando na minha calça. Por um milésíssimo de segundo pensei: tomo o suco? Jogo fora no lixo? Continuo carregando o copo pinguelento?

E enquanto eu pensava o que fazer com o copo extra de suco, olho para o meu redor e vejo duas mulheres sentadas no gramado, com um bebezinho pequeno e uma menina maiorzinha. Fiquei olhando aquela família por um tempo, me aproximei delas e perguntei em inglês se elas queriam ficar com o suco. E por um outro milésíssimo de segundo fiquei constrangida de talvez estar ofendendo uma família que estava lá no gramado só tomando um solzinho. Mas logo a mulher segurando o bebê arregalou os olhos e abriu um sorriso imenso vendo o copo de suco na minha mão e fez sim com a cabeça urgentemente. Eu entreguei o copo e o canudinho para a menina maior, que também estava de olhos arregalados para o copo com o Ronald McDonald estampado.

Daí a mulher com o bebê sorriu olhando para mim e disse “Thanks, Dankie”, acho que ela não conseguiu reconecer se eu falava mal-inglês ou mal-afrikaans. E a mulher mais velha ao lado dela também balançou a cabeça e disse “Dankie” timidamente.

E eu me senti um monstro por ter pensado por um instante em jogar fora o suco só porque estava pingando na minha calça. Mas me senti aliviada porque não fiz isso e porque doei aquele suco doado para alguém que dificilmente teria condições de comprar. Queria poder ter dado todo aquele sanduíche também porque nem com muita fome eu estava.

Queria poder ajudar mais do que está ao meu alcance.

Eu não vou mais esquecer os sorrisos e os olhares e os “dankies” que recebi hoje.


05/04/2004
Fingers Crossed

Estamos com todos nossos dedos cruzados para que dê certo.

Na semana que vem, num ataque de nerdisse extrema, vamos ver se conseguimos um adaptador da Nokia para nos conectar à Internet, HOORAY!!!

Espero que dê tudo certo e que funcione. Não vejo a hora de poder ter Internet sem precisar depender de ninguém. E também ganhar um crachá de nerd senior. Aliás há dias que não sei o que acontece no mundo, não encontro jornal em inglês aqui, só em Afrikaans. Foi um susto saber que o Regan morreu. Estou completamente defasada. Preciso de um meio de comunicação com o mundo, com minha família, meus amigos. Enfim, preciso de uma interneta, preciso.

Tomara que dê certo, tomara, tomara.

Temos que esperar até a semana que vem. *sigh*


05/04/2004
Invernos

Só porque eu reclamei pelas orelhas sobre o inverno na Inglaterra, este ano excepcionalmente vou viver dois invernos seguidos, posteriormente seguido de um outono e depois de um terceiro inverno.

Tinha acabado de sair do frio nublado e chuvoso do inverno sem fim da Inglaterra, estávamos no começo da primavera quando viemos para cá. Na Inglaterra as árvores estavam desabrochando em folhas novas, flores viçosas, muita vida. Chegando aqui na África do Sul vi as árvores em cor mate, folhas caindo, noites mais frias.

Agora o inverno já está entre nós definitivamente. De noite e de manhãzinha o gelo cobre o gramado e os telhados, num frio impressionante, chegando a – 5C. Impressionante porque de dia o sol continua brilhando firme e forte e quente, chegando a marcar 23-25C. Então a queda é muito mais acentuada e drástica.

Mas a África do Sul é um país seco. Muito seco. A sensação térmica não é tão má, basta se agasalhar. Não chove no inverno, a vegetação tá uma palha só e os incêndios ocorrem facilmente. Outro dia acordamos no meio da madrugada com um cheiro forte de fumaça no quarto, entramos em pânico e achamos que estava tudo pegando fogo. Mas os donos da pousada também haviam acordado e nos informaram que era provavelmente a grama pegando fogo em algum lugar. No dia seguinte vimos que o fogo aconteceu num campo até bem distante da pousada, mas a fumaça tinha chegado até lá no nosso quarto.

O clima é realmente de deserto, mas deste inverno eu não tenho do que reclamar. Porque aqui faz sol todos os dias. Dia sim, dia sim também. Todos os dias. Sol, sol, sol. E eu precisava muito desta luz quente, deste céu azul royal intenso. E deste calorzinho no coração depois das tempestades que passamos.

04/04/2004
Botshabelo, o retorno

Estava eu calma e tranqüila, sentada na frente da pousada, onde sempre fico para assistir o espetacular pôr do sol africano, com cão Bruno dormindo no meu colo, quando a Delia me convidou para dar uma volta com a pick-up, só nós, sem os meninos. Só tive tempo de fechar nosso quarto e entrar no carro.

Pra minha surpresa ela me levou para Botshabelo de novo para ver os animais. Mas desta vez era com a luz do dia, ao contráro daquela vez que fizemos o safari noturno. Eu fiquei estonteada com a beleza que vi. Absolutamente encantador ver as zebras, os búfalos e impalas olhando para nós e atrás deles um cenário magnífico de pedras vermelhas, grama seca e o céu tingido de azul intenso, cor de laranja e vermelho, pós pôr-do-sol.

Depois de mais ou menos meia hora, começou a escurecer um pouco, mas o céu continuava com o laranja intenso em todo horizonte e é indescritível a emoção de ver apenas a silhueta preta dos animais e seus grandes chifres contrastando com o céu colorido.

Eu não havia levado a câmera, mas acho que o mais importante foi ter registrado tudo isso na minha memória, na minha experiência de vida. Jamais imaginei que um dia estaria com os pés na África, muito menos tendo a chance de ver esses animais selvagens em seu ambiente natural. Já está valendo muito a pena estar aqui.


2/06/2004
Headless Chicken in Middelburg

O nome correto da cidade onde estamos é Middelburg. Escrevi várias vezes no post anterior e todas as vezes escrevi errado. Aliás, estava lendo novamente aquele post imenso (quando eu voltar pra Inglaterra vou quebrá-lo em pedacinhos) e percebi um montão de erros, i appologize.

Estou indo para o “centro” da cidade a cada dois dias apenas. Não gosto muito de andar sozinha por lá. Isso porque eu sou “a japonesa” daqui do noroeste sul-africano. Nenhuma outra viva alma de olhos puxados aqui. Só moi. Todo mundo pára pra me ver. Ou me segue. Ou anda ao meu lado. E muito longe de me achar uma celebridade, eu morro de medo. Porque eu não sei se me olham por curiosidade ou outras intencões.

Então, vou andar sozinha só pela manhã por algumas horas, quando é mais calmo, passo no cybercafé, vou ao Woolworth comprar um lanchinho e volto pra pousada. Believe me, não existe mais nada pra fazer na cidade. É como andar no Largo 13, em São Paulo, só que 10 vezes menor: cheio de camelôs vendendo coisas no chão, várias lotações (que eles chamam de taxi, hohoho), churrasquinho, moço fazendo truque de mágica, uma bagunça. Depois de uma semana fazendo o mesmo todos os dias, não tem muita graça ir sempre.

Teve também o incidente do meu tornozelo, fiquei sem andar por uns dias, mas agora já sarei, nenhum sinal da torção, estou caminhando normalmente.

E outra razão que me faz sentir perdida da silva xavier é atravessar a rua. A mão aqui é a mesma da Inglaterra (como diria o Martin, o lado “certo”: left is right). Mas nos faróis não têm aquele homenzinho verde para atravessar e os carros vêm de todos os lados. Agora tô mais esperta, assim que o farol fecha de um lado eu atravesso antes que os carros que vão virar acelerem. Mas já fiquei um bom tempo parada no farol e olhando, olhando, olhando, num entendendo nada.


02/06/2004
Uma esmola pra a desplugada

Os moços dos cybercafé já estão mais acostumados comigo. Nos primeiros dias eles achavam que eu era um tipo de ET, mas agora estamos nos dando bem. Nos últimos dois dias eles me deixaram usar o computador deles (que não é o mesmo dos clientes), mais rápido e com mais memória. Mesmo assim é caro passar meia hora conectada.

Delia ofereceu a linha telefônica dela, disse que a gente pode usar quando quiser. Fizemos o acordo de que usaremos pelo menos uma vez por semana a noite e pagaremos pelo uso. No laptop do Martin existe a conexão global da AT&T, basta plugar a linha. E como a conexão é em Johannesburg, fica mais fácil para a Delia encontrar na conta telefônica quanto gastamos. A gente precisa apenas anotar os horários em que usamos. De qualquer forma, não vamos abusar também e deixar a única linha dela ocupada por muito tempo. Pequenas barganhas que a gente precisa fazer para ter Internet nesta terra esquecida pela chuva.

Mas a gente não pode ter tudo, não é mesmo? Ou eu ficava na Inglaterra com conexão de banda larga, ou vinha prá cá com conexão via sinal de fumaça. E estou certa que fizemos a melhor escolha.


02/06/2004

A Luciana havia me perguntado qual é o prato típico daqui, mas ainda não sei responder. Na verdade eu perguntei pra Delia uma vez e ela falou os nomes de dois pratos típicos em Afrikaans e eu não entendi. Mas lembro que na descrição dela tudo inclui carne vermelha. E molho, como já disse antes. Assim que eu souber com mais certeza, eu conto aqui.

Ah sim, e o Biltong não é usado para fazer feijoada, como eu havia pensado antes (o que pode provar que a origem da feijoada veio mesmo dos europeus – portugueses e espanhóis – que faziam o pork stew e levaram a receita para o Brasil, ao contrário da lenda que diz que a feijoada era um prato feito pelos escravos).

Mas voltando ao Biltong. Eles comem aquela carne seca em pedaços com – advinhem – molho por cima. E os molhos daqui não são brincadeira, bem pesados, bem ricos. Tem molho branco (muito queijo), molho de queijo (bastante queijo), molho de cogumelos (só um pouco de queijo), molho de frango (que é molho branco com frango – notem que isso vai por cima de uma carne!), molho peri-peri (de pimenta dedo-de-moça) e por aí afora.

Nos restaurantes de Middelburg os pratos principais são sempre os steaks. Bifões. São o centro do menu. Para quem não come carne vermelha, há a opção do peixe: Kingklip ou Sole. É impressionante como todos os restaurantes servem a mesma coisa aqui. Só muda o restaurante, mas sempre carne (rump ou fillet) ou peixe (kingklip ou sole), os mesmos em todos os lugares. Para quem gosta de frango há somente os fast-foods Nando’s e o KFC. Para quem gosta de pizza, tem várias opções, todas com uma generosa camada de queijo por cima, capaz de fornecer toda quantidade de cálcio que você precisa pro resto de sua vida. E finalmente, para quem gosta de linguine ao pesto, fica chupando o dedo, imaginando que vai ser o primeiro prato a cozinhar assim que colocar os pés de volta à Inglaterra. Talvez em Johannesburg e em Pretoria, respectivamente a maior cidade e a capital da África do Sul, os restaurantes sejam diferentes e mais variados. Mas por aqui é assim.

Ah! Falando em restaurantes, o costume das garçonetes daqui da África do Sul é de escrever uma pequena mensagenzinha na sua conta. Geralmente agradecendo e desejando um ótimo fim de noite ou coisa assim. Daí você dá a gorjeta, que é de 10%. E mais 2 Rands pro moço que “olha” seu carro no estacionamento.

Agora lembrei! Existe uma sobremesa típica da África do Sul. Chama-se Dom Pedro, deve ter vindo de Portugal, ora pois. Vem numa taça de vinho. As bordas e o fundo da taça são regadas de licor da sua escolha (Amarula, Tia Maria, Fragelico, Cointreau etc) e depois é cheia de um milkshake de sorvete de baunilha. Um pouquinho de chantili por cima e polvilhado de chocolate em pó. Você toma de canudinho. Supersimples, dá pra fazer em casa. Mas é igual caipirinha na beira da praia, só tem graça tomando aqui. Hehe.

:o)

02/06/2004
Primeiras palavras

Aprendi minha primeira palavra em Afrikaans.

Dankie.

Que quer dizer Obrigado.

(deve ter 465 leitores pensando agora: “aaah, eu já sabia disso”, nem ligo ó)

E como a Marcia-SP me explicou que o Afrikaans é na verdade o holandês arcaico (porque ela sim é globalizada e morou no UK, na França, na Holanda, e tudo mais), então por tabela já sei falar obrigado em holandês também. Maravilha. Me sinto poliglota.

Dankie. Obrigada. Thank you. Ou como diz Mr.M, “obrigado você”.

Hoho.


02/06/2004
O Caminho de Volta

Ontem a noite ficamos batendo papo com a Delia e ela nos contou coisas bastante interessantes. Ela é branca, mas nunca concordou com o Apartheid, assim como muitos outros sul-africanos. A gente tem o costume de generalizar tudo e achar que todos os brancos ou negros aqui pensam da mesma forma. Não é verdade. Há excessões, sempre há.

Estávamos falando sobre as diversas línguas que são faladas aqui, como é difícil para nós ouvir várias pessoas falando várias línguas diferentes num mesmo lugar. E a Delia nos contou que com o fim do Apartheid a grande dificuldade do país foi adaptar uma linguagem única. No início, os brancos queriam que o Afrikaans fosse a lingua oficial e queriam passar longe do Zulu. Os negros se negaram a deixar de falar o Zulu e se negavam a aprender o Afrikaans. O inglês é o meio termo, mas nem todos falam inglês. Mais ou menos como no Brasil, o inglês aprendido nas escolas não é suficiente para se comunicar bem. Então por um tempo ficou esse samba do crioulo doido.

Mas de ambos os lados, foi preciso abrir mão e aprender uma outra língua. Brancos aprenderam o Zulu para poder trabalhar com os negros. Negros aprenderam Afrikaans para conseguir melhores empregos. Não há uma única língua oficial, mas atualmente brancos e negros se comunicam melhores que nunca.

E dessa conversa sobre a linguagem, a Delia acabou falando do problema racial. Ela nos contou que Middelburg é uma das cidades mais atrasadas da África do Sul quanto ao fim da segregação. Ela diz que aqui a maioria dos brancos tem mesmo essa repulsa de negros, não podem sequer imaginar negros de outra forma senão uma sociedade de segunda classe usada para mão de obra. E, de uma certa forma, os negros desta pequena cidade têm essa baixa auto-estima também, acreditando que são melhores mesmo servindo aos brancos, sem ambição, sem vontade de mudar.

Ela nos disse também que no começo toda a África do Sul era assim. Mas aos poucos os negros passaram a ir às aulas, passaram a ser letrados, informados e graduados. Hoje muitos têm cargos de responsabilidade que antes eram exclusivos dos brancos. Por sua vez, os brancos também aprenderam muito, absorveram novas idéias, se envolveram mais com essa parte da sociedade que antes era tão discriminada. Novos vínculos foram criados, velhos preconceitos foram quebrados.

Porém, é impossível exigir que uma inteira sociedade mude da noite pro dia. Vão ser gerações e gerações para que isso aconteça. E infelizmente, esse novo horizonte tão promissor, essa convivência enriquecedora entre brancos e negros até agora foi mínima, escassa e pulverizada. A grande verdade é que boa parte dos brancos odiaram com todas as suas forças o fim do Apartheid. E quando viram que a nova lei era inevitável, quando viram que a democracia seria a regra, muitos, mas muitos mesmo, um grande número, fizeram suas malas e partiram para a Holanda, Austrália, Alemanha e Reino Unido. Tristemente a maioria dos brancos se recusaram a viver entre negros, trabalhar entre negros, ver seus filhos entre negros, correndo o risco de -- god forbid -- ter um membro da família negro. E partiram.

E continuam partindo. Em massa. Segundo a Delia, os novos censos já indicaram uma queda acentuada de brancos na Áfica do Sul, que antes eram a maioria. Curiosamente, assim que os colonizados ganharam direitos, os colonizadores içaram âncora e aos poucos estão voltando para seus continentes de origem. E aos poucos, a África do Sul está voltando a ser um país de negros como na época da sua descoberta.

Há razões e razões para se deixar um país, muitas delas são louváveis e outras nem tanto. Cada um sabe o que é melhor para si e sua família. Não cabe a nós que nunca vivemos na situação deles julgar. Mas eu admiro aqueles que ficam aqui. A família da Delia são um deles. Aqueles que ficam e lutam por uma África do Sul de dias melhores. Não por falta de opção, mas ficam porque acreditam no país e nesta nova sociedade que está se formando.



32 Comentários

Que delícia isso tudo Marcinha! :) Fiquei imaginando o por-do-sol maravilhoso com os bichos, deve ter sido fantástico.

Eu ia adorar a comida daí, meu marido idem, a gente adora molho em tudo, hehe.

Quando eu me mudei para cá passei pela mesma coisa com dois invernos seguidos, mas felizmente não tive um terceiro, caramba! Pelo menos a temperatura durante o dia é boa. Acho que aqui em Michigan estamos querendo ser que nem a África, hoje a mínima foi de 18 graus e a máxima de 30! Fala sério, uma loucura...mas não imaginei que fizesse tanto frio assim por aí, a latitude não é parecida com a do Rio?

Tomara que vocês consigam logo a internet, assim a gente acompanha as suas aventuras com mais frequência :)

Beijos,

Estou aqui cruzando os dedinhos pra que dê certo com a conexão a internet!
Venho aqui todo dia, não tem jeito, virei um "Marciaholic". ( My name is Cido, I'm a Marciaholic!)
Marcia, não tem direinho que pague tudo isso que você está tendo a oportunidade de viver por aí.
"Obrigado você" (cute) mais uma vez por dividir tudo isso conosco. ;o)
Smacks

Agora me diz, como eu consegui digitar direinho ao invés de dinheiro? =:-O

Eu também estou seguindo tudo daqui de longe. Um dos meus sonhos, junto com meu cinderelo, é um dia visitar a Africa do Sul. Nunca vai ser como passar 3 meses mas pra ver que aparência tem. Nó passamos um ano no Congo-Brazzaville, nos nosso idos 20 e poucos anos e eu acho que é a melhor maneira de se conhecer um pouco mais um país. Mas quem não tem cão caça com gato e espero um dia poder dar uma visitadinha turística aí. Desejo tudo de bom pra vocês. Vai ser uma estadia inesquecível. Beijoca pra vocês dois.

Na verdade dankie eh obrigado tb em alemão! q chique hein?? jah sabe, entao, até alemao!! ;)

hehe, copo pinguelento foi ótimo... nossa, quanta aventuras! Marcinha, muitíssimo obrigada pelos seus relatos, estão uma delícia de ler. (uma vez, entrei num taxi e pedi pra ir à embaixada dos eua. ele: vai fazer o que lá?? eu pensando: Oche. eu falando: pegar visto. ele, brigando comigo: porque vcs todos só vão pros eua? falta de imaginação! pq vc não vai pra África do Sul? é lindo, lá. eu, que já estava com a passagem pra NY comprada, agradeci a intenção, e fiquei quieta, sem saber de onde ele tinha tirado aquela idéia - hoje em dia, te lendo, até que dá vontade, mesmo).
beijos!

Oi Márcia
Vc está cheia de aventuras por aí, pode até fazer seu blog virar um livro!!
Adoro vir aqui e conhecer cada vez mais essa cultura africana que vc vem nos passando semanalmente (hehehe semanalmente por enquanto né? chega logo internet!!!). Fico feliz também em saber que vc está feliz aí. :)
Pelo que vc fala acho que o céu daí tem a cor mais bonita do mundo!!
Beijinhos Isa

Nossa, quantas aventuras!! Ta dando até vontade de ir pra áfrica do Sul, quem sabe um dia. Só espero que vc ainda consiga ver um leão. :0)
Curta bastante.
Abraços.

Nossa, adoro vir qui e ter vários posts em 1!!!!
Assim eu viro Marciaholic q nem o cido!! hoho

bjim

Me too!!! Me too!!

Hi, My name is Letica and I´m a Marciaholic. hehehe

Precisamos fazer um banner com isso escrito!
Beijin
Lety

Oi Marcinha,

Tambem fico doida sem internet !

Esse Dankie vai render pra voce, ja quem alemao eh DANKE ! Talvez a unica palavra facinha nesse idioma ...humpf !

beijos

Márcia,

Que post maravilhoso, deu para matar as saudades. Eu estava tão acostumada a imaginar você logo ali na Inglaterra (eu moro na Dinamarca) que quando você foi para a África bateu a maior saudade. Estes posts enormes são tudo de bom.

Adoro suas notícias,
com certeza essa experiencia deve virar um livro!
muito legal o Mr M imprimir os comments prá vc!

Hi Marcita.
Que gostoso ler você. Tu num faz idéia :-))
Quem bom sentir que seu tom tá melhor. Devagarzinho voltando à delicadeza e ao seu habitual senso de humor. Tô fazendo pensamento positivo pra voce encontrar logo o seu leão.
Beijõezões

Márcia, que aula de história, sociologia e culinária sul-africana! ;)

Sabe, eu conheci um casal de irmãos sul-africanos que visitavam o Brasil há uns cinco anos. A menina já tinha morado aqui, e voltou para visitar a família que a acolheu no intercâmbio. Aproveitou e trouxe o irmão, que tinha uns 20 anos, para conhecer o país.

Pois eles eram feito água e azeite: a menina era simpática, adoraaaava falar português, mesmo sabendo que errava algumas vezes, e não tinha qualquer tipo de discriminação. O menino, por outro lado, era arrogante, prepotente, falava com um inglês dificílimo de entender - querendo ser entendido perfeitamente por todo mundo -, sem fazer questão de aprender o básico do português (como o "obrigado"), e achava o ó do borogodó o fato das pessoas se misturarem para dançar à noite. Estávamos numa cidade do interior de São Paulo em que há um número grande de negros e mulatos, e ficava, em inglês, xingando a todos eles, fazendo piadinhas racistas, e até os empurrava. Um horror.

Bom, aí, a gente vê como há pessoas com boas e más intenções em todos os lugares do globo. Fico feliz que você tenha conhecido pessoas legais por aí. E espero que aproveite bem a sua estada - você e o Mr. M! :)

Um beijo!

My name is Mauricéia, I'm Marciaholic!!!!
Fico tão feliz qdo vejo q tu deu notícias novamente, fico lendo e imaginando tudo.
Lembra os filmes da sessão da tarde.
Adorei a parte que tu fala que eles andam te seguindo, ao teu lado, te olhando, deve ser uma sensação não das melhores.
Bjs, te gosto muito.
Mauri.

Mr.M,

Imprime rápido e leva os comments para Márcia ler. Pra ela saber que ela é querida e adoramos tudo o que ela escreve...
Beijos p/ vocês
Aline
PS: Márcia, fala pro seu amado que é brincadeira, nao quero ser grosseira escrevendo pra ele em português.

Mais um capítulo da sua deliciosa saga africana! hohohohoho, que globalizada que nada Marcinha, eu nunca morei na França (mas namorei dois franceses), morei na Inglaterra e Holanda, e já rodei por outros lugares como turista. Na Africa só botei os pés por duas horinhas, no Senegal, numa escala épica da saudosa(!)LAP.
O que me deixa ainda mais feliz é ver como essa viagem está te fazendo bem. Isso transparece nas suas palavras. Espero que com a conexão resolvida poderemos ler com mais frequência. Karen Blixen que se cuide! E a despedida em afrikaans, é algo como tot ziens ou doei?
Caminhar é ótimo, sou andarilha por natureza e redescobri o prazer desse hábito no Brasil - qualquer esforço físico torna-se mais fácil em temperaturas amenas, nem muito quente, nem muito frio.
Beijos e tot straks (até mais tarde!)

Ah, eu olhei online, eles falam tot siens para se despedir, dag para cumprimentar(igual) e asseblief para por favor (em holandês é alstublieft). Essa língua é mesmo um holandês torto!
Quando vocês tiverem conexão, procurei as palavras daqui:
http://dictionaries.travlang.com/AfrikaansEnglish/
Nao aceita frases, mas serve para palavras soltas.
Tot siens!

Márcia,

Obrigada por dividir conosco essa experiência tão rica que é conhecer uma país tão diferente, com tanta riqueza cultural e tão pouco explorado.
Sua forma de contar , a riqueza de detalhes... faz nos sentir como se estivéssemo lendo um livro...em que cada capítulo é real, feliz ou triste...a história da vida de uma pessoa tão especial...vc!!!!

Obrigada por dividir conosco tudo isso, e obrigada pela maneira que divide conosco.

Mr.M , sempre companheiro, em todos os momentos... imprimindo os comentários e levando para a Márcia ler...Tudo isso é lindo!!!! Parabéns lindas pessoas que vcs são!!!!

Marcinha,
Fico muito feliz que tudo esteja dando certo. Tenho certeza que a melhor coisa que você fez foi dar aquele suco às mulheres, fiquei emocionada quando li...
Beijos e abraços apertados!
Louise

Marcinha! Que máximo esses posts! Estou viajando com você pela Africa do Sul!!! UHU!!!! Conta mais tá? Tô com saudades!!!! :c(

Oi Marcia !
To adorando saber um pouco mais sobre a Africa do Sul. Espero que vc se divirta muito por ai.bjs

Marcia, vc. ja viu ou a Delia te contou se after/before Apartheid houve casamentos entre brancos e negros?

Olá Márcia,
Você não pode imaginar como é bom passar por aqui e ler sobre as suas aventuras na África. Eu fecho os olhos e imagino as paisagens, a cor do céu... Estou aprendendo bastante com você, aliás, como sempre. E torço para que você não vá embora sem antes ver o seu leão. Recomendações a Mr. M.
Beijos cariocas.

Estarei torcendo por vocês daqui, sempre! Boa sorte

Q legal suas estórias!!!
Q bom q vc esta conseguindo se recuperar, ver coisas novas, e a vida com outros olhos!!!! Agora sim, vc está muito mais experiente e cheia de coisas pra contar!!!
Te desejo BOA SORTE e tudo de bom!!! E desejo tb q vcs consigam essa conexao "nerd" com a internet, pra poder publicar mais coisas!!!

Estou sempre passando aqui, jah faz um tempao!!!

Um beijao

Por falar nisso.... vc ja pensou em se engajar em alguma atividade social por aí??? Será q rola???
Acho q seria uma experiencia legal, se vc tiver espaco para isso!!!
De qualquer forma, BOA SORTE de novo!
:)

Márcia,

É sempre muito bom encontrar suas palavras. E agora com essa mudança de ares, tem sido melhor ainda!
Fico aguardando mais novidades.
Um beijo carioca!

Querida,

fico feliz por sempre encontrar as páginas do livro de sua vida abertas.

As ricas experiências que tens vivido são sem dúvidas um presente de Deus, seja grata a Ele.

Carinhosamente,
Lúcia Garcia

Marcinha,
Sei que você está com dificuldade para acessar a internet, mas só queria te avisar que botei trechos do seu post O Caminho de Volta no meu blogue novo!
Está maravilhoso enxergar a África do Sul através dos seus olhos.

Oi Márcia!
Quando é que tu voltas pra Inglaterra???
Eu e meu marido só estamos esperando o "entry-clearance" do Consulado para embarcarmos... Qual tua dica para que vai se aventurar num atemporada de trabalho e estudos em Londres???
Beijos
VANESSA