« O Primeiro dos Big Five! | Main | Wild Wild Life »

Oh my G...


Outro dia estávamos assistindo à TV aberta. A gente não costuma ver TV aberta aqui no quarto porque a maioria dos canais não são lá muito interessantes. Quando a gente quer ver TV via Satélite temos que ir na sala de estar da pousada. Eu geralmente assisto um pouco às tardes porque daí eu posso ver o Discovery, NatGeo, Animal Planet, BBCFood, BBCPrime, etc.

Mas voltando, estavamos assistindo à um filme na TV aberta. Era o filme Sweet Home Alabama. O filme em si não me chamou atenção nenhuma, mas um infeliz detalhe me deixou indignada.

Toda vez que no filme algum personagem dizia “Oh My God”, o “god” era censurado pela TV. Então ficava “Oh my G...”. E assim sucessivamente com todas as outras palavras do gênero:
“for h... sake!” (for heaven’s sake);
“h… smokes” (holy smokes);
“what a h…?” (what a hell?);
“h... forbid!” (heavens forbid);
oh J… C… (oh Jesus Christ).

Enfim, qualquer palavra que tivesse conotação religiosa era cortada do áudio. Martin me explicou que isso é norma da tv sul-africana, ninguém pode transmitir filmes ou programas com palavras religiosas sem que essas sejam cortadas. Uns dizem que é para respeitar as diferentes culturas religiosas que o país têm e não ofender a nenhum credo. Outros dizem que os próprios católicos do país é que não gostam de ouvir tais palavras serem usadas em vão.

Eu não gostei. É certo que existem diferentes credos aqui, mas isso não impede ninguém de aceitar que outras culturas usam expressões religiosas nas interjeições. Pra quê tirar o áudio quando o que foi dito é tão óbvio? Qualquer cultura deve ter sua liberdade para se comunicar do jeito que está acostumada a fazer. E cabe a qualquer outra cultura entender e respeitar essa diferença, mesmo que não concorde.

Então vamos dizer que eu sou hippie e que acredito na Paz e no Amor. Então não quero saber de americano falando “love” em vão nos filmes hollywoodianos. Pronto. Paz todo mundo já fala em vão mesmo, mas Amor tá banido. Não quero, tá banido pra vida toda. Sem i love you, sem oh my love, sem do you love me. Tudo censurado, não aceito, corta tudo fora. É a mesma lógica.

Ah cansei.

Só pra terminar e resumir minha opnião, vou copiar aqui um trecho do livro que minha amiga Mary leu, Terrorismo Cultural, do antropólogo social Thomas Hylland Eriksen:

"(...) fascismo é ter amigos íntimos, uma cidade natal e uma família, mas não ter capacidade de entender que outras pessoas, em outros locais, possam ter amigos, uma cidade natal e família - e ter uma vida rica e interessante, mesmo sendo diferente."

Pronto, falei.


3 Comentários

Marcinha, eu concordo com voce: 'cortar' o que a pessoa fala para nao 'ofender' alguem de outra cultura e apoiar a intolerancia. Se alguem se sente ofendido por uma cultura diferente, essa pessoa deveria ser educada e aprender a conviver com uma cultura que nao e a sua, ao inves de impedir o outro de se expressar.

achei a coisa mais estranha esse tipo de censura, imagino que não passa na tv nenhum documentário sobre religião, né?

Ah, tá parecendo a Tv americana e seu puritanismo irritante. ABAIXO À CENSURA!!!! Beijos queridoca.