« Ainda fora do ar | Main | Chifrudos »

Mais sobre nossa visita ao Kruger National Park

O Kruger National Park fica na borda leste da África do Sul, fazendo fronteira com Moçambique e Zimbabwe. A área do parque se estende por cerca de 350km de comprimento e 90km de largura.

Com toda essa extensão, é preciso de tempo para conhecer todo o parque. E para isso, é preciso também ter um lugar para ficar. Pensando nisso, foram criados dentro do parque os rest camps, que recebem os visitantes em acomodações que vão desde tendas e trailers até resorts privados bem luxuosos.

O Kruger é dividido basicamente em três partes: sul e central, onde predominam as savanas; e norte, com florestas e suas árvores Baobás (pena que não vimos nenhuma).

O sul é chamado de 'Circus' por causa do número de visitantes e de animais. O centro é chamado de 'Zoo' por causa dos predadores e presas. E finalmente o norte é chamado de 'Wilderness' pela relativa ausência de ambos.

Nós nos concetramos no 'Circus', para aumentar nossa chance de ver os leões. Ficamos no rest camp chamado Skukuza, que é de longe o que tem a maior e melhor infra-estrutura de todo parque: restaurantes, lojas, correio, médicos, supermercado, tudo. Uma mini-completa-cidade.

A nossa acomodação foi num bangalô de luxo, mas não se impressione com a palavra 'luxo' dentro do Kruger Park (a não ser nos resorts). Os rest camps foram criados apenas para servir de área livre para você estender seu saco de dormir. Então 'luxo' é ter uma suíte com chuveiro de água quente, TV a cabo e ar condicionado. Mas luxo mesmo para nós foi ter o bangalô com vista para o Rio Sabie, onde recebemos a gentil visita de um búfalo, vários hipopótamos, um macaco vervet e alguns rascals. Perfect!

Há várias regras e deveres no parque. A primeira e mais importante é que em hipótese nenhuma e em nenhuma circunstância você deve sair do carro. Não importa se você está há horas rodando e precisando urgentemente usar o banheiro, não importa se o pneu furou ou se a câmera caiu pra fora da janela. Não pode sair do carro. Enquanto você está dentro, os animais geralmente não ligam ou preferem ficar longe. Mas basta um pé no terreno deles e chifres, dentes e garras se voltam contra você, estúpido, indefeso e ridículo ser humano.

A segunda regra é dirigir no máximo a 50km/h no asfalto e 40km/h nas estradas de terra. Isso é para evitar o atropelamento de espécies que têm todo o direito de atravessar as estradas quando bem entenderem. Quanto mais devagar, na verdade, maiores são suas chances de avistar algo interessante. No mais, pra quê ter pressa?

A terceira e não menos importante regra é respeitar o horários dos portões, que geralmente se abrem às seis da manhã e fecham às seis da noite. Nós sabíamos dessa regra, porém imaginávos que era só aplicável aos portões do parque, não dos rest camps. Qual não foi nossa surpresa quando estávamos voltando para Skukuza e uma barreira de guardas nos pararam, holofotes na nossa cara e interrogatório sobre o que diabos estávamos fazendo fora do rest camp àquela hora (6:20pm). Foi no finzinho daquela tarde que vimos a hiena caminhando diretamente na traseira do nosso carro. Valeu a pena mas levamos bronca, pedimos desculpas e ficamos de castigo na manhã seguinte para provar que estávamos mesmo acomodados em Skukuza.

Na recepção de cada rest camp é possível agendar seus passeios e pagar por eles. Agendamos uma caminhada e três safaris, todos com guias. Os outros safaris fizemos por conta própria. Todo o parque possui estradas asfaltadas e algumas outras estradas de terra. São fáceis e não exigem tração nas quatro rodas. Mas um veículo mais 'alto' ajuda para enxergar por cima da grama e dos arbustos. Você pode fazer a rota que quiser, é aí que a sorte ajuda ao escolher o lugar certo na hora certa.

Os rangers, esses sim, são essenciais. Eles lêem as pegadas, escutam os sinais, observam a folhagem mordida e vão atrás dos grandes predadores. Joseph foi o nosso brilhante ranger em Skukuza e foi ele que nos levou de encontro com os leões e a onça, a quem seremos eternamente gratos.

Dos equipamentos que levamos, sem dúvida nenhuma, o melhor deles além da câmera foram os binóculos. Absolutamente necessários e impossível pensar em ir ao Kruger sem eles. Com eles pudemos ver detalhes fantásticos dos animais que nem sempre querem ficar muito próximos. Além disso, uma lente zoom para a câmera. Usamos uma de 220mm, mas sentimos a falta de mais uns bons 100mm no mínimo. E com image stabilizer, se possível. Não tínhamos, mas estamos satisfeitos com as fotos que fizemos.

Em seguida, começo a postar finalmente as fotos. Um pequeno registro de parte das nossas mais fantásticas memórias. Entre as Pirâmides de Giza, Table Mountains e as cachoeiras de Victoria Falls, o Kruger National Park é um dos grandes magníficos tesouros que a África guarda em seu solo. Um delicado e frágil ecossistema que sobrevive sem nossa intervenção e que merece todo nosso respeito e proteção.

:o)


2 Comentários

Que máximo, Marcinha! Não sabia que era tudo assim, tão organizado. (ok, ok, preconceito). Que legal saber desses detalhes todos. Se eu pudesse ia alugar os ouvidos de um desses rangers e fazer ele me mostrar (pra poder fotografar) as pegadas os rastros tudo... heheeh. Beijocas.

Aiiii Marcinha, estou aqui contando os dias para viajar! So espero ter tanta sorte quanto voces! Ganhei uma lente de presente, 28-300mm, mas que vira uns 45-480mm na minha camera digital - embora eu tenha certeza que estando la a gente sempre vai achar que precisava de mais zoom ;) Alias, a sua camera e digital ou tradicional? Hoje fomos numa Travel Clinic para pegar a receita das pilulas de malaria...