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Aprendendo a Fazer Pão

BakersApprentice.jpg

Este é meu mais novo livro, ganhei do Martin de Natal: The Bread Baker's Apprentice, de Peter Reinhart. O autor é um dos mais consagrados nomes na área de pães artesanais, aqueles que fazem pão sem usar nada além de suas próprias mãos. O livro recebeu várias premiações e não foi por menos: é um tesouro.

Reinhart explica detalhadamente cada mínimo processo que ocorre quando a farinha encontra com a água e as moléculas de glúten começam a fazer uma cadeia complexa, criando enzimas que vão se alimentando das moléculas de açúcar e produzindo gás carbônico, formando milhares de bolhas que vão dar leveza ao que depois de assado vai se chamar simplesmente de pão. É fascinante entender como tudo isso acontece, o que influencia, o que destrói, o que modifica.

E ontem mesmo, empolgadíssima, decidi fazer um Pão de Forma branco, porque no livro dizia ser o mais fácil de ser feito. Cada passo teve um novo significado pra mim, agora que eu entendia o que estava acontecendo. Desde fazer o fermento "acordar", até sovar a massa e perceber que as proteínas gliadin e glutenin se juntaram de mãozinhas dadas e criaram o complexo glúten, que fez minha massa parecer um lençol transparente quando esticada com com os dedos, na hora do teste.

A massa descansou, cresceu, depois recebeu um novo formato e descansou outra vez. Até aí tudo ia bem de acordo com o que o livro pedia. Porém, como já era hora de fazer o jantar, comecei a cozinhar as lentilhas e logo a cozinha ficou mais quente do que deveria, alterando a temperatura da massa do pão que estava descansando, fazendo-a crescer mais do que devia. E como resultado do descuido, o gosto ficou levemente azedo, com cheiro do fermento.

Mas ele ficou bonito, a textura ficou excelente, do jeitinho que deveria, bem fofinho e levinho, com bolhas pequenas e regulares por todo pão. Por isso acho que meu primeiro Pão de Forma merece suas fotinhos sim (aliás, a nossa câmera querida acabou de voltar do médico, ai que saudades que estávamos dela!!!). Mesmo que o gosto e o aroma não tenham ficado nem perto de satisfatórios, esse pão é um grande marco para mim, neste longo caminho que ainda se encontra na minha frente de desvendar os mistérios do pão perfeito. Com vocês, Sir White Bread Loaf:

WhiteBread.JPG

WhiteBread2.JPG


15 Comentários

Uau que maravilha!!! Bon appetit!
Será que vc nos convidaria para um cafe acompanhado desse paozinho bem quentinho com manteiga derretendo???? humm! humm!
bjs
Kaline

Engracado que tambem pensei nele quentinho com manteiga.
Xô, tentacao !!

Marcia, preciso de ti... A gente ja ta desistindo de ir pra Africa do Sul. Vamos passar por la a caminho do Brasil. Temos 4-5 dias... mas nao estamos conseguindo descobrir como rolam as coisas no Kruger Park. Ja vimos aquele acampamento que tu falaste, mas estamos super enrolados. As casas tem cozinha. Nao ha restaurantes la? Tem de levar comida? E para fazer os safaris, como eh? Tens ideias dos precos? E para chegar ao Kruger, soh alugando carro? Eh que a gente nao sabe dirigir com mao inglesa... Acho que vamos acabar antecipando a nossa volta pro Brasil por falta de informacao... tou tao triste. Mas o site deles nao ajuda muito.

Buaaaaaa. Help, amiga!
Giorgia

*clap* *clap* *clap* *clap*

Que pão LINDO!!!! É isso aí, Marcinha, vai treinando que eu quero comer muito pão bom quando for te visitar. :c)))

Parabéns, queridoca. Fascinante é ler sua fascinacão por isso. Adorei. (E você parece a moca da capa do livro!) :c)

tá buniiiiiiiiiiiiito!

:)

Oi Marcinha,

Que legal deve ser esse livro! Pelo que vc escreveu aqui ele é bem detalhado né?

Seu pão ficou lindo!!!! Nham, Nham...

beijinhos e bom final de semana!

Que pao lindo! Pena voces nao terem tido tempo de provar um soda bread, eu AMO esse pao, principalmente se for caseiro ou feito por uma boa padaria (o de supermercado nao presta). Um dia eu volto a fazer pao...bjs,

Sabe desde quando eu visito o seu blog?...
Desde 2002.
E todas as semanas que eu entro aqui, eu sempre encontro alguma dica super interessante.
No caso do post de hoje... super hiper interessante.
Bigada :)
Maria

Juro que não sumi! Tava lendo todos os posts, mas sem tempo para comentar.
Ficou com uma cara ótima messsmo! Parabéns :o)
...
Marcinha, queria te fazer uma pergunta.
Vc já esteve na Bélgica? Ou na Holanda.
Lá eles tem como o pão mais típico o wit brood (que seria bão branco mesmo, mas não tipo loaf).
O Micl fala de 5 em 5 minutos o quanto ele gostaria de comer esse pão. Nesse seu livro super-ultra-mega power-maravilhoso não tem qualquer receita parecida com o pão das bandas de lá não?
Obrigada :o)
Bjoks

Quando abri o blog até pensei que era você na capa do livro! :)
Ah, que bom que está dando certo as suas experiências culinárias. Eu não tenho paciência para deixar massa descansar e tudo mais. Admiro muito quem tenha!
Um beijo!!!!

Falando em pão, me fez lembrar do caso a Mary fazendo pão no escuro, lembra?
Bonito pão, boa foto!
Um abraco, Márcia

Marcinha, fico deslumbrada com seu amor à cozinha. Adoro ler suas empreitadas, sempre procurando algo novo para testar e perseverante para conseguir o ponto ideal da massa, dos muffins, da pizza.
Tenho comentado pouco, devo confessar, mas adoro suas histórias.
Por favor, mate a vontade de nós, seus leitores, e coloque a receita dessa maravilha de pão. Ou qualquer outra que queira.
Um beijo grande e calorento de Sampa.

Voltei :)
É que eu estou tendo uns probleminhas pra fazer meu paozinho :P Me fala uma coisa, você sabe qual o tipo de farinha eu compro aqui no Brasil para que o meu loaf saia o mais parecido com o ingles? Meu marido acha os paes brasileiros muito doce.

Eu nunca fiz um pão. A aparência dele é apetitosa. Ficou realmente bem bonito. Dá pra perceber a fofura e maciez.

Marcinha, esses seus posts me fazem lembrar que sinto uma saudade danada de ser 'dona de casa'. Adoro meu trabalho, mas q eu sinto saudades, eu sinto. ;)