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Sobrevivendo mais um dia

Fui ao centro da cidade hoje de manhã para dar uma passeadinha. Tava tão cheio de gente, mal dava para andar. Mas fiquei andando pra cima e pra baixo, olhando as lojas e dando uma conferida no farmers market que estava tendo por lá. Tive a brilhante idéia de comprar o The Times para ir ler no jardim. De todos os lugares que vendem jornais, fui logo onde? Na Borders.

Como sou uma pessoa centrada e controlada, sabia que podia passear tranqüilamente entre as vastíssimas gôndolas de livros da Borders, em plena época de lançamentos e promoções "3 por 2". Pois então. Entrei e fui logo indo lá pro fundo da loja. E isso acabou sendo o primeiro erro, já que os jornais ficam bem na entrada e os caixas também, então eu poderia ter pego o jornal, ter pago e ter saído. Mas não, fui lá pro fundão e comecei a rodear a livraria desde o início. Um mar de lançamentos fantásticos, capas-duras, best-sellers, tanta coisa!

Dei uma folheadinha num do Ray Mears, que nesta semana começou a apresentar sua nova série do programa Bushcraft, na BBC2. Vi que lançaram dois livros bem bacanas que são programas de TV também, Little Angels e Supernany. Folheei também.

Depois vi as revistas. Adoro as revistas, mas sabia que não ia me interessar por nenhuma. Fiquei fuçando algumas e de repente vejo na capa de uma delas uma foto com os macaroons franceses. A revista? Donna Hay, uma espécie de Martha Stewart na cozinha, que é aquela cujos dotes editoriais tem como objetivo fazer você se sentir a pior das donas-de-casa do mundo porque você não mantém suas roupas em cabides revestidos de espuma e seda com ramos de lavanda. Ou então porque você deixa o detergente dentro da própria garrafa plástica ao invés de decantá-lo numa garrafinha de louça. Num tem mesmo que colocar na cadeia essas mulheres insanas?

Mas enfim, voltando aos macaroons da capa de Donna Hay. Peguei a revista de imediato porque sei o quanto é difícil fazer macaroons, como envolve um milhão de truques para sair direitinho, como a atenção aos detalhes é importante para criar o "domme" e os "feet" de cada macaroon. E qual não foi minha surpresa ao ver que a receita das doçuras francesas estava entre as muitas de uma matéria sobre como fazer sua festinha "Bem-vindo, Bebê".

Ou seja, você acabou de dar a luz, com o resto da barriga ainda pendurada, pontos doloridos, partes sangrando, peitos estourando, privada de sono, de comida e de sossego, vai chamar toda a família, os amigos e vizinhos para uma festinha de boas-vindas ao seu pedaço de felicidade. E vai servir o que? Um bolo, canapés de massa folhada, sanduíches coloridos e french macaroons, claro!!! Tudo feito em casa, já que titia Donna Hay ensina como fazer, é só seguir a receita da revista. MULHER LOUCA! A não ser que o pai da criança responda pelo nome de Pierre Hermé e tenha a melhor patisserrie de Paris, não se deve em nenhuma hipótese submeter uma mulher recém-parida a fazer macarrons, pelo bem de sua sanidade, de sua auto-estima e da segurança dos próprios convidados da festa. Algo me diz que ambas, Donna Hay e Martha Stewart, são as acionistas majoritárias do laboratório que produz Lexotan. You don't fool me, I know your secret!

Rindo eu saí da seção de revistas, confiante de que saíria da Bordes só com meu jornalzinho mesmo embaixo do braço como se eu fosse uma simples mulher atualizada e bem-informada, como se eu comprasse meu jornalzinho lá todo dia, não uma vez por mês, alternados.

No entanto, maldito seja. Infeliz, danado, desgraçado Tony Parsons. Maldito, maldito, maldito. Eu já estava quase saindo quando vi seu livro. Todos seus livros têm o mesmo layout de capa, mudam os títulos e as cores, por isso reconheci de longe, uma vez que tenho o Man and Boy e Man and Wife. E eu vi lá na seção "3 por 2" seu novíssimo lançamento The Family Way. Maldito seja. Sabia que não sairia mais dali imune.

Tony Parsons não é nenhum escritor de novelas arrepiantes ou de estudos super intrigantes ou de teorias absurdamente interessantes. Não. Parsons escreve ficções sobre comportamento humano familiar neste século 21. Com leveza, bom-humor inglês e muitos "F words". Mas é um autor que eu gosto de ler porque nada me atrai mais a atenção do que entender o comportamento humano num relacionamento, seja qual for. Leio porque gosto de rir e me reconhecer em seus personagens. Porque eu simplesmente gosto de ler para me divertir, muitas vezes. No entanto, sempre no final de seus livros, há muito mais o que refletir do que se espera.

Enfim, paguei os sete dinheiros necessários e trouxe o livro pra casa, junto com o jornal. Espero que Tony Parsons esteja feliz agora. Espero que ele vá numa Borders perto da casa dele e compre um exemplar de Donna Hay. E tente fazer macaroons pra impressionar seu editor quando este for jantar em sua casa. E tudo vire um chicletão. Rá. Maldito...

Depois dessa exaustiva saga, fui ao Marks & Spencer comprar frutas e verduras. Quatro bananas, três maçãs, umas clementinas. Uma cebola só, um pimentão vermelho só. Um pacote de salada, um macinho pequeno de cebolinha. Um pãozinho só. E oito mini-muffins de duplo chocolate. A caixa me olhou e pensou: "o marido dessazinha aí deve di tá viajando..."

Oh dear.

:o)


13 Comentários

Minha torta ficou ótima (de atum, da próxima vez experimento a receita com frango). Obrigada pela receita. Aguenta aí firme e forte e bom fim-de-semana!

o que são clementinas, Marcia?

Telinha, clementines são tangerinas, mexericas. :o)

oh, my darling, oh my darling
oh my daaaaaaaaaaaarling tangerina...

E eu fico imaginando a cara da moça do caixa... KKKKK... mas OITO? =:-o Ainda bem que eram mini!
Eu já nem entro nessas livrarias pra não fazer estrago.
Smacks

Aqui em Portugal chamam de Clementina também! Que coisa! No rio falamos tangerina!

Olha, se fosse eu sozinha em casa, estaria comprando 10 bolos, 5 chocolates, 20 Colas em lata... você é uma mulher saudável.

Oi Marcinha,
Adoro seu bom humor :) Morri de rir vc relatando seus passos na Borders, hehehehehe
Enjoy it !!!
beijinhos, Isabella

Adoro seu senso de humor. :)

Achei essa página por engano, mas me emocionei muitissimo ao ler o fato do bebe que não sobreviveu... Não achei como comentar lá, então, comentei aqui mesmo... Só precisava dizer isso...

Sera que mexerica e coisa de paulista? Ah sim, vendo pelas minhas amigas que ja tiveram filhos, realmente essas mulheres vivem em outro planeta!
Eu nunca li o Tony Parsons, qualquer hora vou tentar. Bjs,

Marcia,
sei que voce não colocou abertura para um comentariosobre o dia25.04, mas não consigo estar com voce nesse momento, voce que nos dá tantas coisas suas...
Eu também já passei por isso e querida, parece que nunca superamos...si eh que devemos ...
Todo o meu carinho e meu abraço distante, mas presente.
um beijo grande pra voce,
com carinho

Delicia de texto!
Ah, temos Tony Parsons no Brasil?
E, o que são "clementinas"?
Gde beijo

Mas as Clementines não são aquelas pequenas, sem caroço, quase avermelhadas?