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May Day, May Day

O feriadão mais sem-graça dos últimos tempos.

Muito sol e calor nesta cidade praiana e muita gente embriagada na areia e nas ruas. E eu não acho mais a menoooor graça em nada. Já fiz tudo o que eu queria fazer sozinha, cuidei da pele e do cabelo, fiz a limpeza de primavera no apartamento, arrumei o guarda-roupas, reguei as plantas, comi tudo o que eu queria, li um bocado.

Agora tô de saco cheíssimo de ficar sozinha.

Mr.M poderia ter voado de volta pra casa ontem e chegado hoje aqui. Mas os clientes resolveram fazer birra na última hora e agora ele vai ter que ficar mais uma semana.

E eu tô de saco cheio.

Não tem graça sair sozinha, não tem graça cozinhar só pra mim, nem tem graça assistir TV sem poder comentar, não tem graça ir dormir na cama grande e fria. A minha exclusiva companhia a mim mesma já anda me irritando.

Porque, afinal, tô de saco cheio, já falei? Pois.

Então fui comprar jornal e o único The Times in the village estava todo amassado, sujo e rasgado. Isso me enche, essa vizinhança que só compra Daily Mail. Comprei o The Observer, que não é mal, já que o Times as vezes me enche.

E eu que conseguia fazer palavras cruzadas nível "difícil" no Brasil não consigo fazer nenhuma linha nem nenhuma coluna das crosswords do jornal. Tsc, que saco.

Enfim, me enchi.


14 Comentários

Si, es cierto a mi tampoco me gusta estar sola mucho tiempo, solo el razonable, me gusta comentar el libro que estoy leyendo, el nuevo disco que he comprado la catástrofe de esa guerra ilegal de Irak.... pero algunas veces las respuestas a esos comentarios me irritan, me irritan mucho entonces pienso en lo bueno que es estar sola sentada ante el ordenador leyendo una página de brasileña que vive en Suecia, el cambio es grande eh, y que me hace compartir su soledad... no sé si esto te irritara también

Ai...como eu sei isso...Estes seis meses estao sendo uma super prova...mas isso só faz a saudades ficarem sei lá...mais gostosas .....Pelo menos isso me conforta....
Coragem Ma....Beijos

Márcia,
Encontrei seu blog através do livro de visitas da Giorgia(coisas bobas)...Entendo essa fase. No começo do meu casamento, quando também tinha essas separações necessárias por estudo, às vezes, passava o dia a agua e pão. Sem vontade, nem forças pra pentear o cabelo. Mas, quando estávamos juntos, reunidos no pequeno apto, aí era muuuiiitto bom. Um abraço....

Marcinha, desculpa a pergunta aparentemente intrometida, mas você não pensa em arrumar um emprego por aí? Pergunto porque, apesar de não te conhecer, sei que no Brasil você era uma ótima profissional, independente e descolada. Viver assim em função de outra pessoa, sem ter metas pessoais definidas, quando não estamos acostumadas, é muito... pesado, você não acha? Eu trabalho, participo ativamente da microempresa do meu namorado, falo fluentemente italiano, não tenho tempo nem pra me coçar e mesmo assim tenho esses momentos de encheção de saco total! Se não tivesse nada aqui além da casa e do meu namorado acho que iria enlouquecer. Inclusive é por isso que estou pensando seriamente em voltar a estudar. Os exemplos da Mary e da Samanta do Cala-te Boca me inspiraram :) A gente tem que mantar o cérebro funcionando, afinal, não? :) E ter um mínimo de atividade social/intelectual/econômica independente do companheiro. Pelo menos é o que eu acho...

beijinhos
Leticia.

Oi Marcinha! :)~
Queria te deixar um beijinho! Apesar de ser preguicosa para comentar eu to sempre aqui bisbilhotando, hehehehe.

Nao resisti a te dar um apoio moral sobre as malditas "crosswords" do jornal. Grrr... Em Hebraico, as nossas singelas cruzadinhas viraram um monstro abominavel chamado "Tashbet". Eu tambem nao consigo fazer NENHUMA sem o dicionario! Buaaa!!!! E nao adianta o nivel do meu hebraico. Nao adianta!!! Nada me ajuda!!! :(

Desenvolvi a teoria de que cruzadinhas so mesmo no idioma patrio... E durma-se com um barulho desses.

Beijao! :*

Letícia, sei o quanto você quer que eu arrume um emprego, mais do que qualquer outra coisa na minha vida. Sei disso porque esta é a terceira vez que você me aconselha o mesmo. E tenha a certeza que não é uma idéia inédita que nunca tenha me passado pela cabeça, puxa por que não pensei nisso antes?! Muito pelo contrário. Mas você já esteve aqui em Bournemouth? Já tentou encontrar um emprego na minha área? Já passou meses e anos fazendo outras alternativas? Have you been on my shoes?

Eu continuo a mesma ótima profissional de antes, continuo independente, obrigada. Continuo usando e exercitando muito meu cérebro, by the way, mais do que qualquer leitor disso aqui imagine. Minha vida não se resume neste blog, se é que isso não é óbvio. Fique tranqüila porque não vivo em função do Martin e por um breve acaso eu tenho metas pessoais definidas, veja só. Só que não conto aqui, assim como nunca conto nenhuma viagem que estamos para fazer até o dia do embarque, já percebeu isso?

Acho ótimo que você trabalha-estuda-gerencia-fala e não-tem-tempo-pra-nada. Ótimo, se isso é o que você quer, se para você é assim que funciona, ótimo. Mas por incrível que pareça, há outras formas de ser feliz, de manter a cabeça erguida e de gostar da vida. Se há algo em meu estilo de viver que lhe desagrada profundamente, sinto muitíssimo.

No post reclamei que estava de saco cheio porque estou mesmo. Mesmo que eu estivesse ocupada das 9 as 5 todos os dias, é feriado aqui e eu tenho todo o direito deste universo de me encher e de sentir saudades do meu marido.

E isso não faz de mim uma mulherzinha fútil, vazia, cabeça-oca, deprimida, dependente e desocupada, se é que esta é sua preocupação para com a minha pessoa. Não, nunca fui, não sou e nunca vou ser isso, independente de como levo minha vida. Porque eu sei bem o meu valor, o meu talento e o que eu quero da minha vida. Para mim é o que importa. Então acho que você não precisa se preocupar tanto assim comigo, repetindo "por que eu não arrumo um emprego" a cada vez que você entra aqui. Ainda mais sem saber certamente o que eu faço ou como me mantenho independente financeiramente.

Se era "só uma opinião" sua, acho que você deixou claro já há algum tempo atrás, thank you very much. Ou se sua intenção era "vou cutucar bem na ferida e ver o que dá", também não precisavar se incomodar.

Eu me expliquei aqui mais do que jamais gostaria e infinitamente mais do que precisava.


Opá, peraí. Acho que você tá achando cabelo em ovo, ou mais provavelmente fui eu que não soube me fazer entender. Nunca falei nem pensei que você seja fútil ou não faça nada na vida, muito pelo contrário - até porque senão não leria o seu blog, e muito menos volta e meia linkaria pra ele. Nem me lembrava de já ter te perguntado por que você não trabalhava, honestamente. E só perguntei porque essa sensação de encheção de saco e de solidão é muito comum em quem mora fora do país, e quanto mais tempo livre a gente tem nas mãos, mais facilmente ela vem. Minha cunhada, que mora na Holanda, ACABOU de ligar nesse exato minuto, aos prantos, porque está se sentindo sozinha - o companheiro também viaja muito a trabalho, ela não tem emprego fixo, não fala uma vírgula de holandês nem está mais estudando, e não tem amizades lá, porque as pessoas que freqüenta são os amigos do companheiro, o que definitivamente não é a mesma coisa, como todos nós sabemos. Ela tem essas crises de vez e quando, quase sempre quando o trabalho dá uma parada (ela ensina cozinha italiana e faz catering, mas é claro que não tem trabalho todo dia) e ela se encontra com a casa limpa, as compras feitas, o cabelo devidamente tratado, e uma casa vazia esperando o namorado chegar. Exatamente como você contou. Exatamente como eu fico quando não estou trabalhando. Exatamente como todo mundo fica nas mesmas condições. Foi só por isso que eu perguntei, por nenhum outro motivo. Porque apesar de não te conhecer e de ter sacado há séculos que você não vai com a minha cara, tenho muita admiração por você, adoro o seu blog e as suas receitas, sei que você não pode ser chata nem pamonha senão não seria amiga da Mary, e tudo isso que eu já achava antes só foi confirmado pela Anelise, que foi quem soltou um “Ih, a Marcinha eu conheço pessoalmente, é esperta, trabalha pra burro, é supersafa e gente boa!” (O assunto surgiu porque ela tava me mostrando o salt grinder que você tinha mandado de presente).

Foi só por isso que eu perguntei, mais nada. Porque sei exatamente pelo que você está passando, sei como é um porre se sentir assim, sei por experiência própria que a tendência é piorar, e sei também que trabalhar (e olha que eu detesto trabalhar, no sentido bíblico da palavra - 8 horas por dia, escritório, chefe, etc) ajuda pra cacete, estudar mais ainda. Não poderia trabalhar como médica aqui nem que quisesse, por motivos burocráticos e porque o mercado é saturadíssimo. Mas a gente sempre acaba achando outras coisas pra fazer; uma das vantagens de ser brasileiro é a versatilidade - acho que talvez nem você mesma um dia tenha imaginado que viraria uma expert em pão, e olhaí no que deu. Quase todo mundo que eu conheço que mora fora acaba se enveredando pelas estradas mais inesperadas, inclusive em termos de trabalho, até porque não são todos que têm a felicidade de ir morar numa cidade grande, que ofereça oportunidades interessantes. Nesses buracos onde a gente acaba indo morar é difícil mesmo fazer amizade, arrumar emprego decente, um curso interessante, se manter ocupado e funcionante como fazia no Brasil. E na falta disso tudo o dia parece que tem 90 horas e pode levar séculos pra passar. Mas a gente sempre dá um jeito.

Claro que você não tem a menor obrigação de contar todos os detalhes da sua vida e dos seus planos aqui, mas como não é a primeira vez que você diz, ou deixa entrever, que está de saco cheio ou se sentindo sozinha, imaginei que realmente deveria estar faltando alguma coisa. Trabalhar e/ou estudar nos aproximam de gente que tem os mesmos interesses, nos dão objetivos concretos, passam o tempo, nos tornam pessoas melhores, mantêm o cérebro ligado porque nos jogam responsabilidade sobre os ombros, nos dão mais assuntos pra conversar durante o jantar. Tenho certeza de que você sabe dessas coisas, mas às vezes a gente esquece as coisas mais óbvias, e foi a impressão que eu tive quando li esse outro post entediado. Mas se você diz que não tá faltando nada, ótimo! Fico feliz de saber que você tem planos sim, não importa quais sejam. Espero que se concretizem todos, que os seus pães venham cada vez mais bonitos e cheirosos, que um Little M. II venha logo e que você faça muitas outras viagens interessantes.

Mil desculpas se te ofendi; não foi absolutamente a minha intenção.

Tchau, e parabéns pelo aniversário de casamento.

Marcinha, sei TUDO disso que tu tá passando de ficar de saco cheio porque o maridão tá fora. Quando eu tava casada (e nem morava fora do país, hein?) me sentia assim quando Marcelo viajava. É uma sensação que nada tem a ver com inatividade, com falta do que fazer. Boto minha mão sobre a sua e fecho contigo neste ponto.

Sobre a "inatividade": quando eu tive a Isabela, optei por ficar com ela nos primeiros anos de vida dela, full time, no grude, mãe pata choca mesmo e nossa renda mensal me permitia o privilégio.

Um belo dia estava eu lendo um livro no parquinho do meu prédio enquando a Bela brincava no sol quando desceu uma vizinha minha, pediatra, ela também mãe de uma menininha, modelo "trabalho-pacas-não-tenho-tempo-para-coisas-fúteis-como-ficar-brincando-com-um-bebê", a caminho do trabalho, para dar instruções para a babá. Parou, me cumprimentou e soltou: UÉ, VOCÊ TÁ LENDO?

Sei lá, achou que eu era analfabeta de pai e mãe e que meu cérebro servia apenas para calcular a quantidade de pó do leite da mamadeira.

Já gramei bem com isso e acredite: não adianta explicar, porque as pessoas tiram apenas por si mesmas e não conseguem admitir a hipótese de alguém ser feliz e satisfeita de outra maneira.

beijo! Torço pro Mr. M voltar logo para ter festinha no apê!

Eu de saco cheio porque o feriado caiu no domingo. ;-)
Eu sou um drama-queen quando Adversário precisa viajar e olha que isso só acontece umas duas vezes por ano. Fico me arrastando pela casa com cara de bassethound já antes dele ir e depois fico mandando snifs e buas pelo sms no celular... hohoho
Não sei quem faz mais festa com a chegada dele (e os presentinhos *pisc*), eu ou as crias.
Que Mr. M chegue logo.
Quanto as palavras cruzadas, eu não consigo fazer em dinamarquês nem as infantis... hohoho... parece que o pensamento lógico aqui é outro. :-/
Smacks

Marcia, que essa fase passe logo pois sei que nao é coisa boa se sentir assim. Faz um tempao que meu marido trabalha três dias por semana em Paris e, mesmo que eu trabalhe fora também (sem contar que temos dois filhos, otimas companhias pra conversar etc), acontece que eu me sinta assim, chorona, com saudade, etc. Acho que é um sentimento proprio ao ser humano, mesmo, pois tenho amigas là no Brasil que passam pelas mesmas coisas, mesmo vivendo perto da familia, trabalhando fora etc. Isso sao fases que felizmente passam. Beijoca!

O Observer e meu jornal favorito, junto com o Guardian (sim, sou leftie para os padroes ingleses), gosto do Sunday Times tambem mas aquela montanha de papel me deprime, quando eu penso em todas as arvores mortas para imprimir tudo aquilo, fico deprimida!
E sim, e todo direito seu ficar bored, eu mesmo sem quase ter tempo para respirar e companheiro tambem me sinto assim as vezes! Bjs,

Amoreco, não é mole não, né? Queria estar aí pra gente sair por aí, abalando a noite londrina! Já pensou? HOHOHOHOHOHOH (diz isso pro Martin que ele volta correndo) HOHOHOHOHOH

Marcinha querida"
"Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver...."
Para equilibrio mesmo da vida temos o doce, o amargo, a claridade, a escuridão, a tranquilidade e a belicosidade; só mesmo recorrendo a isto que dá para tentar entender a existencia de pessoas tão insensíveis.
Muito bom você ter aprendido a conviver com elas sem se deixar abater e continuar com seus comentários tão pertinentes e gostosos de se ler.

Adorei seu saco cheio e adoro a sua atividade cerebral, Marcinha!
Volto aqui sempre que posso e me contagio com o seu bom humor!
sdçs,