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Gordon Ramsay's Kitchen Nightmares

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Gordon Ramsay é um dos chefs britânicos mais respeitados do arquipélago, ostentador de nada menos que sete Michelin Stars e dono do restaurante mais badalado de Londres, no prestigiadíssimo hotel Claridge.

Além de sua indubitável eficiência gastronômica, Ramsay é também famoso por seu perfeccionismo extremo e feroz atitude com seu staff. De cada cinco de suas palavras, três são palavrões. Ele não dá moleza, xinga mesmo, olha nos olhos sem medo e diz na cara de quem precisa os mais diversos palavreados ofensivos possíveis.

Mal-educado? Desrespeitoso? Boca-suja? Antes de ver qualquer programa com ele, eu achava que certamente ele era um babaca, que ninguém xinga desse jeito a troco de nada. Eis que no ano passado assisti pela primeira vez a um programa com Ramsay, no Channel 4. E eis que este ano o mesmo canal fez mais uma série desse programa e não tenho mais nenhuma dúvida de que estava redondamente enganada. Gordon Ramsay é fantástico.

No programa Gordon Ramsay's Kitchen Nightmares, o chef visita restaurantes à beira do abismo, às portas da falência e, em duas semanas, estuda o que há de errado, ensina desde os donos do restaurantes, até os garçons, gerentes e chefs de cozinha o que precisa ser feito para trazer o restaurante de volta aos trilhos.

E hell, ele sabe o que faz. E sabe o que fala. E nenhum dos seus palavrões soam errados ou fora de lugar. Mas absolutamente coerentes. Quando vê que há alguma comida sendo feita porcamente e requentada no microondas, Ramsay não faz rodeios com a equipe da cozinha. Ele aponta pro prato e diz: "This is fucking bullshit". E se vê algum ajudante de cozinha fazendo corpo mole e dando muitas desculpas para não trabalhar, na hora ele encara o fulano e manda: "Get your fucking arse moving or fuck off". Mas toda essa gentileza de sua parte não vem de graça. Ramsay ouve o que cada um da equipe tem a dizer, o que tem a reclamar. E explica, ensina, conversa francamente, mostra que são capazes, mostra que são bons profissionais e que precisam ter paixão pelo que faz ou estão perdendo o tempo deles, do restaurante e dos clientes.

Muitos restaurantes encontram seu caminho de volta e fincam suas raízes no mercado, depois do intenso treinamento com Ramsay. Outros partem para o "vou fazer do meu jeito e provar que o Gordon estava errado" e dançam fenomenalmente, fechando as portas para sempre.

De qualquer forma, para nós telespectadores, tudo é eletrizante e fascinante porque afinal não é nosso arse que está na reta. E é impressionante como os pequenos restaurantes, com donos mais humildes, ouvem atentos todos os conselhos, seguem a risca e se dão bem. Outros maiores, que carregam uma certa carga de orgulho ferido, geralmente batem de frente com Ramsay, xingam de volta, não aprendem nada e preferem seguir no caminho direto ao abismo. É triste e nós ficamos no sofá indignados. Mas são esses conflitos e essas atitudes inesperadas que fazem o que aqui chamamos de "good TV".

Tão "good TV" que Gordon Ramsay foi convidado no ano passado a fazer um programa similar nos EUA. Mas o programa foi todo dirigido para que Gordon gritasse mais, xingasse mais, fizesse o inferno com um staff escolhido, numa espécie de "reality show" na cozinha. E como qualquer programa britânico que é reproduzido nos EUA, eles nunca entendem qual é o ponto...

:o)


13 Comentários

gostei do blog, vou começar a acompanhá-lo....tem muita coisa pra mim ler aqui, e o melhor, coisa interessante. Sou de jacareí, interir de sampa...se quiser me visitar, vou ficar muito honrada, meu bloguinho te espera.

beijimmmmmmm

Esse Gordon seria o Clodovil daí, não ? he he

Puxa, sempre esqueco de assistir, ontem estava cansadissima e fui dormir, mas sei que sim, o cara tem mesmo uma boca suja mas tambem e um genio. Mas naooo, nada a ver com Clodovil!!!(alias se Gordon o encontrasse um dia, lhe daria um belo safanao!) Meu humilde salario nunca vai permitir que eu coma em um dos restaurantes, mas a Inglaterra sempre precisa de gente que sabe o que faz um restaurante dar certo - ja cometi varios erros caros em escolha de restaurante. E sim, americanos deveriam ser proibidos de rectiar programas ingleses. A versao americana do "Wife Swap", por exemplo,e caricata demais, da para ver que e tudo fake. Bjs,

quero ver, quero ver! será que o people and arts compra essa série? sim, pq quando eu comecei a ler o que você escreveu lembrei do jamie oliver e toda a sua doçura e achei esse cara um babaca. e termino aqui doida para ver o programa dele. ele e o jamie são opostos!!!!!!!!

Denise, seja bem-vinda.

Lala, o Clodovil seria um doce filhotinho de poodle perto de Ramsay. Ele não é rígido só para chamar atenção, mas suas palavras alcançam o ponto que ele quer chegar e fazem as coisas acontecerem. E é muito pró-ativo também, arregaça as mangas, limpa o chão, esfrega as paredes cheias de gordura, arrasta a geladeira para limpar embaixo, faz toda faxina e ainda cria os mais fantásticos menus em todos os restaurantes que participa.

Marcia de Souza, ontem o programa foi bacana. Pela primeira vez vi Gordon realmente gostando da comida que serviam no "American Soul Food Restaurant" em Brighton. E ele nem precisou engrossar com a equipe, todos foram muito atenciosos ao que ele falava e tudo fluiu muito bem e hoje o restaurante já anda recusando reservas de tão popular que ficou. E quantos aos programas daqui que passam nos EUA são umas tragédias, mania que eles têm de querer exagerar em tudo e tentar fazer mais "popular". O The Office estava sendo produzido por lá, mas para mudar um pouco, eles iam dar mais ênfase ao romance de Tim e Dawn (?????). Ah, talk seriously... :p

Telinha, hohoho, Jamie Oliver não é tão docinho como parece. E para mim, ele anda seguindo o mesmo caminho de Gordon Ramsay, ao que diz respeito aos palavrões. E com seu staff Jamie também é ultra-rigoroso, quando algum prato volta pra cozinha com reclamação justa, ele joga tudo na pia, quebra o prato e tal, enfurecido. Ui.

marcianha,, oi. Pesquisando sobre bournemouth, cheguei ate vc. Eu me chamo fatima e gostaria de sua ajuda no sentido de me informar, se possivel, se existe alguma revista/jornal, tipo leros, que apresente anuncios de aluguel de quartos/vagas por ai. Desculpe-me por enviar esse tipo de e-mail no campo de comentarios, mas nao localizei outro lugar no seu site para comunicacao. grata, fatima

hoho, marcinha. Eu tenho amigos que são/foram chefs e olha, o meio é mais ou menos este mesmo. O povo se estressa, e se estressa com razão. quando a comida sai da cozinha é o nome dele, como chef, que está em jogo. Eu faço uma equiparação com meu passado bancário, de trader de mesa. Se eu, ou alguém que trablaha ali comigo pisar no tomate, não tem conserto. é cagada (e desculpas pelo palavrão) na certa, e há que se recolher mortos e feridos e ainda tentar salvar a reputação com o cliente. Portanto, stress gera isso mesmo. Palavrão e pouca prosa. Ação, sempre. Pena que aqui, nessas terras, os programas culinários ainda são bem Donas Xepas, por incrível que pareça. Beijocas,

Queridoca, aqui na Suécia tem um programa que é a mesma coisa. O chef chama-se Melker näo-sei-que-lá e vai ajudar os restaurantes em apuros. A diferenca é que o tal do Melker é um anjo, super tranquilo, e não levanta a vós, tipicamente sueco... hohohohoh. Beijoca.

Ai, eu AMOOOOOOOOOOO esse homem!!!!!!! Ele tem um pograma? Mái Gódi, tomara que chegue logo aqui, belezoquinha. :o)))))))

Fui apresentada a esse programa há umas 3 semanas atrás, pelo Alaric, e adorei. Os palavrões não me chocam, o que deixa possessa é a falta de noção, higiene e amor pela culinária que tantos donos de restaurantes têm. Oh, God.

Queridoca, lê seu email, lê. Vai lá. Beijoca.

Marcinha, acho que até palavrão bem colocado soa bem, tipo no momento certo, no ambiente certo. Agora aqui tá uma onda de chefs serem todos estrelinhas... uma arrogância sem limite... argh.
Mas eu gosfhto mesfhmo é do Jsfhamie Osfhliver! :-D

Além de tudo o cara é um gato. Fico imaginando tê-lo na minha cozinha... aaaaahhhhhhhh!!!!!!!...