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M&M in Kyoto: Day 2 - Part 2

Oh dear, oh dear. Alguém ainda vivo? Já vai fazer duas semanas que voltamos do Japão e eu ainda estou aqui contando sobre nossas férias. Daqui a pouco a Coréia do Norte implode nós tudo e nem vai existir mais Japão, nem Taiwan, nem China e eu ainda vou estar aqui escrevendo "m&m in kyoto day 2 - part 4..." Mas eu vou em frente. Depois disso tudo não vou ter muito pra contar mesmo, então ficaremos quites.

Aonde paramos? Ah, Fushimi Inari. Terminamos então a trilha, almoçamos um soba (noodles integral) fantástico, delicioso, vimos o moço preparar o macarrão na hora. O soba veio acompanhado de arroz, pickles e tempura. Deleite após duas horas subindo e descendo montanhas. Primeiro você pega uma porçãozinha de soba, mergulha no potinho com molho e manda pra dentro fazendo todo barulho que quiser. Uma diversão, mas não vista sua camisa branca para ir a um soba-ya.

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De barrigas felizes, nos mandamos para Heian Shrine, dedicado aos imperadores Kammu e Komei. Esta deve ser uma atração fantástica na época da primavera por conta de seus belíssimos pés de cerejeiras choronas. Pós-verão, pré-outono, não é assim tããoo atraente. Estava cheia de grupos turísticos, daqueles com guias segurando bandeirinha na frente. Passamos grande parte do tempo só sentados, vendo a multidão ir e vir, o sol estava bem forte. Depois fomos conferir o jardim, que é maravilhoso. Na ponte coberta havia bancos em toda sua extensão. Ficamos relaxando por lá, vendo as enormes carpas subirem à superfície para pedir comida. Gulosos.

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De lá fomos ao Nishiki Market, no centro de Kyoto. A região central de Kyoto é bastante moderna, várias grandes lojas de departamentos, muitos prédios comerciais, bastante gente, bastante tráfego. E Nishiki Market é uma galeria comprida e estreita, mercado de diversos legumes, pickles, frutas, doces, peixes e verduras. Visitamos a loja de facas, mas não ficamos tão impressionados como em Kappabashi Street. Havia facas de marcas japonesas bem famosas, todas artesanais. O cheirinho de bolinhos de polvo sendo assados por este senhor estava tentador. Ao lado dele, havia uma banca com vários barris cheios de legumes e verduras em conserva. Pareciam ótimos. Compramos apenas uma garrafinha pequena de sake. É, eu sei.

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Voltamos pro hotel e logo saímos para Gion, que ficava bem perto. Estávamos para atravessar a rua quando esta Maiko juntou-se a nós. Agora verdadeira, original, autêntica. Ela estava a caminho de seu compromisso. Note a diferença entre ela e as outras falsas: esta usa seu próprio cabelo, seus adornos no cabelo mostram que ela é maiko júnior e por essa mesma razão ela pinta apenas uma porção do lábio inferior. Além do mais, o kimono dela é estonteante, delicado, de bom gosto e, de perto, dá pra perceber que a seda é finamente bem pintada, o obi (o "cinto" amarrado à cintura e preso nas costas) é ricamente bordado. E ela também é bastante graciosa. Martin pediu em inglês se podia tirar uma foto dela e ela concordou e nos presenteou com esse belo retrato.

E já que falei do kimono, não custa lembrar: quando vocês visitarem o Japão e encontrarem uma maiko ou geiko pela frente, jamais, em hipótese alguma toque no kimono delas. Tire milhares de fotos, converse com elas, mas não toque no kimono. Esses kimonos custam mais de dez mil libras e não podem ser simplesmente lavados na Laundromat da esquina. E sua mão, por mais limpa que esteja, tem oleosidade, tem suor, tem sal, tudo que danifica a seda. Vimos muitos turistas puxando, segurando, abraçando as maikos pelo kimono para tirar fotos. Elas não se opõem, não reclamam, mas certamente devem odiar. Então, por boa educação, não faça o mesmo, respeite o patrimônio delas. No mais, japoneses em geral também não gostam de contato físico com estranhos, então puxar pelo braço ou cutucar ou dar tapinha no ombro é para eles bastante grosseiro, estejam de kimono ou não.

Depois de caminhar próximo do rio Kamogawa, fomos jantar num restaurante bem bacana especializado em katsu (empanados e fritos em óleos insaturáveis), numa das lojas de departamento. Não me lembro se foi no Hankyu ou Takashimaya... Enfim, era um restaurante bonito, elegante, decoração minimalista e tals. A mesa era quadrada e enorme, ficamos bem distantes um do outro ("passa o sal. hein? o sal, passa o saaaaal. hein?").

Fomos atendidos, falei que só sabia falar um pouco de japonês, mas o moço desembestou em falar japonês explicando cada potinho que ia colocando na nossa frente. Ele nos entregou os menus e apontou prum aparelhinho redondinho de acrílico na mesa. Nós não entendemos nada. Escolhemos nossos pratos e o Martin pegou o aparelhinho. Nenhuma luz acendeu, nada mudou, não era apertável, não tinha botão nenhum. O garçom pegou nossos pedidos. Continuamos encucados com o aparelho redondo de acrílico, tentando decifrar pra quê servia. Martin ficou apertando e dizendo "não acontece nada". Mas daí eu percebi todo mundo da cozinha (que era aberta, linda, ficava atrás de uma vidraça) olhando pra nossa mesa e um garçom veio correndo nos trazer uma sopa.

Só então que eu percebi que a cada vez que Martin tocava no aparelho, lá na cozinha uma campainha soava, mostrando o número da mesa que os chamava. E já fazia uns bons minutos que estávamos fazendo ding-dong-ding-dong-ding-dong-ding-dong-ding-dong feito famintos desesperados à beira da morte por inanição... Ohohohoho... Quando percebemos começamos a rir e o povo da cozinha relaxou e começou a rir também. Largamos o brinquedinho e recebemos nossos pratos. De acompanhamento recebemos uma infinidade de tigelinhas com pickles diversos. Uau, comemos bem, o empanado de camarão foi o maior que jamais vi, imagine uma lagosta empanada, foi quase isso, enorme! Nos comportamos até o final da refeição.

Passeamos por Gion vimos mais geikos e maikos indo e vindo. Voltamos pro hotel, abrimos o sake e zzZzzZzz...


6 Comentários

Marcinha, sei que as perguntas podem parecer grosseiras, mas não consigo fazê-las de outra forma: quem são as geikos e maikos? O que elas fazem? Quais são as suas funções na sociedade? E a pergunta principal, porque algumas mulheres desejam ser geikos e maikos?

Sempre tive curiosidade de saber a verdade, porque aqui no Brasil elas são mostradas (em filmes e etc...) como acompanhantes de luxo...

Me parece um tanto preconceituoso... Você me tiraria essa dúvida?

Beijos pra você e Mr. M. =)

Ah! E não é que os peixes tem a cara igualzinha aos dos desenhos animados japoneses!!!! E eu que achei que era uma espécie de "licença poética"... Hohohohohohoho...

Tenho acompanhado os posts sobre sua viagem e só tenho uma coisa a dizer: maravilhosas imagens!

Priscila, explico sobre as geikos no próximo post, ok? :)

Tudo lindo! Que bom que mostra tudo isso, é uma maneira de se conhecer outro país! Beijos pro casal!

Mal posso esperar pelo próximo capítulo!
beijos