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M&M in Kyoto: Day 1

Com o tempo nublado e um pouco chuvoso, deixamos Tokyo e embarcamos no Shinkansen Tokaido Hikari a caminho de Kyoto. O interior do trem é bem espaçoso e as poltronas são largas. E como a maioria do transporte público no Japão (fora da época de feriados), tudo é limpíssimo, organizado e extremamente silencioso.

Encontramos nossos assentos e logo uma atendente apareceu com seu carrinho cheio de comidinhas. Compramos dois obentô e dois sucos para nossa viagem, que duraria quase três horas. Partimos e ficamos admirando as últimas imagens de Tokyo, seus prédios e sua modernidade. Depois de algum tempo a paisagem mudou para campos de arroz e montanhas. Ainda chovia e não conseguimos ver o Monte Fuji; a pálida silhueta que vimos dele da janela do hotel seria o máximo que veríamos até o fim das férias. Logo o Shinkansen alcançou sua velocidade máxima e viajamos a quase 300km/h. Passamos do meio dia e resolvemos abrir nosso obentô:

O do Martin era o da esquerda, mas quando ele viu que havia konnyaku (um tipo de gelatina com gosto de alga) e uma criatura na concha, pediu pra trocar comigo, já que o meu era bem simples com salmão, legumes e arroz. Trocamos, mas pedi meu umeboshi (cereja azeda em conserva, minha paixão) de volta. A criatura na concha não era escargot, mas um fruto do mar apenas, tava até bom. O konnyaku eu não comi, também não gosto. O que eu mais gostei foi o Sekihan, arroz com feijão azuki, que eu adoro e fazia muito tempo que não comia (minha mamis faz um delicioso). Depois do almoço, recolhemos tudo e levamos para a área das lixeiras recicláveis, tudo limpinho e bem sinalizado. Comemos mais alguns Pockys e ficamos apreciando as pequenas cidades que devem refletir a verdadeira imagem do Japão. A chuva já tinha ficado para trás e antes mesmo de passarmos por Nagoya o sol já estava brilhando e o céu estava bem azul.

Desembarcamos em Kyoto e tomamos um taxi até o hotel. A minha primeira impressão de Kyoto foi confusa. Esperava casinhas típicas, ruas estreitas, algo que lembrasse a antiga e tradicional capital do Japão. Mas o que vi foram casas normais e prédios altos, concreto, avenidas largas, muito trânsito. Kyoto é grande, cidade moderna e urbanizada. Mas mal sabia eu que ainda estava para encontrar o grande tesouro intocado que esta cidade ainda tinha para me mostrar. No hotel, nossa mala despachada já estava esperando em nosso quarto, ganhei um bouquet com duas rosas frescas na recepção e ficamos apaixonados pela decoração ultra moderna e delicada do quarto. O hotel tem apenas seis meses desde que inaugurou e tudo estava novinho. Achei magnífico o painel com tecidos de seda na cabeceira.

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Saímos para visitar o belíssimo Kiyomizudera, o Templo da Água Pura, listado pela Unesco como patrimônio da humanidade. O templo budista fica no topo de uma colina no meio da floresta. Ficava bem perto do hotel, mas pegamos o ônibus para aprendermos a usá-lo. O caminho que leva o templo é por uma ruazinha estreita, pavimentada por pedras, rodeada de casinhas de madeira e suas cortinas de palha. A imensa pagoda no topo indicava o caminho a seguir. Agora sim, começava a me sentir em Kyoto!

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Pelo caminho, passamos por várias lojinhas de artesanato, de souvenirs e também pelos populares estúdios que fazem makeovers para turistas que desejam se vestir e se maquiar como uma gueisha (ou geikos, como elas preferem ser chamadas em Kyoto). E falando nelas, encontramos com estas duas Maikos (aprendizes de gueikos).

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Perguntei pra uma delas se importaria que tirássemos fotos ("sumimassen, anata no shashin o totemoi deska?") e ambas concordaram e posam sob a luz perfeita do final da tarde. E como elas continuaram paradinhas, tiramos alguns retratos, pro caso delas precisarem de fotos pro passaporte, hoho. Mas... são elas verdadeiras Maikos ou falsas?

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A resposta é: embora vezes ou outras algumas maikos passem por Kiyomizudera, estas das fotos acima são turistas vestidas de maikos pelos estudios, são falsas. Ambas estão usando perucas e verdadeiras Maikos devem usar seus próprios cabelos, que são penteados com cera e são mantidos assim por vários dias, obrigando as aprendizes a dormir usando um takamakura, um apoio de madeira para suportar a nuca e suspender a cabeça. Só quando se graduam como Gueikos elas ganham o privilégio de usar perucas e voltam a deitar suas cabeças em travesseiros para dormir como qualquer mortal. Além da peruca, há outra inconsistência nestas fake maikos: os enfeites de cabeça com flores penduradas no rosto e um pente de prata do outro lado indicam que elas são Maikos Júniores. No entanto, a maquiagem com os lábios totalmente pintados indicam que são Maikos Sêniores, um erro que jamais seria cometido por verdadeiras Maikos porque mostra desrespeito à sua posição. Os estúdios que fazem a produção oferecem no pacote um passeio a pé por Kiyomizudera, então as chances são de que a maioria das maikos vistas ao redor do templo são falsas. Maikos e Geikos se produzem para atender a eventos; quando estão apenas visitando templos ou indo e vindo de suas aulas, elas não usam toda a maquiagem e arranjos nos cabelos.

Deixamos as "maikos" para trás e subimos as escadarias que nos levaram à pagoda símbolo de Kyoto e ao Jishu Shrine, dedicado ao deus do amor.

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Continuamos caminhando e alcançamos o belíssimo terraço do Kiyomizudera. Pena que o outono ainda estava começando e as árvores ainda não estavam coloridas de vermelho, dourado e amarelo. Mas mesmo assim a vista era encantadora.

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Pegamos um caminho de terra, um passeio delicioso no meio da floresta, com o sol entrando por entre os galhos e folhas. Chegamos então a uma casa de chá com tatame e mesinhas baixas, ao ar livre. Tiramos os sapatos, sentamos, Martin pediu uma Sapporo e eu pedi sake. A dona da casa nos trouxe uma garrafa de Sapporo grande, dois copos, além de uma garrafinha pequena de sake e mais dois copos. Duas garrafas e quatro copos numa mesa de duas pessoas. Bebuns desavergonhados. Ao nosso redor, todo mundo tomando sorvete e chá verde. Tsc. Enquanto relaxávamos, podíamos ver a fonte de água pura, que dá o nome ao templo, além da floresta e da escadaria que leva ao terraço. Outras três fake maikos (fake-os) surgiram.

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Deixamos a casa de chá e fomos nos purificar na fonte de água pura, que dizem, é capaz de curar de todas suas dores. Todas as canecas ficam numa esterilizadora e mesmo assim todo mundo dá uma lavadinha depois de usá-las, como cortesia ao próximo, tudo organizadinho e bonitinho. Martin estava a postos para me fotografar caindo no lago da fonte, depois de tomar sake. Mas eu me equilibrei direitinho e não caí, nem molhei a câmera.

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Purificados e felizes, encerramos nossa visita ao Kiyomizudera. Saímos da intensa e gigantesca Tokyo para entrarmos numa tradicional velha cidade. Mais natureza, mais histórias e mais cultura. Eram as primeiras horas e já estávamos completamente e perdidamente apaixonados por Kyoto.

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8 Comentários

Ai, Marcia, que passeio delicioso!!! Adorei saber sobre as Maikos e Geikos!!!

Caramba, que diferenca ver o Kiyomizudera assim vazio! No dia que nos fomos era uma multidao impressionante, todo mundo querendo ver as cerejeiras em flor :) As fotos ficaram lindas!

Que delícia, estou "viajando", aqui... Estamos planejando uma ida ao Japão ano que vem, então qualquer inspiração é válida. Obrigada por essas imagens lindas e pela narrativa deliciosa. Na última foto, com essa alça da Canon em volta do pescoço... Hmm, I can relate to that! :)

Puxa, é SUPER legal ler seu relato!
As fotos ficaram muito boas, e eu tb adorei saber sobre as Maikos e Gueikos!
Que bom q estão gostando de Kyoto.
Esperando mais posts, hein?
hehehe
Beijos,
gabi

A forma como você relata essa maravilhosa viagem, faz com que eu me transporte, da minha mesa de trabalho, diretamente aí, onde vc está.
As foto, puxa, nem se falam... Suas fotos conseguem passar o sabor da comida, o cheiro das àrvores...

Te desejo tudo de bom, nessa viagem e sempre.

Beijos
Andreia Sieczko

MUITO CUIDADO COM O NOVO MONSTRO JAPONÊS! AAAAAAAAAAAAAAA CRIATUUUUUUUUUUUURA NA COOOOOOOOOOOONCHAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!


:)

Marcinha querida,
Primeira vez que entro no seu site.
Indicado pela minha irmã que mora em Recife, falei para ela que queria umas receitas de pão caseiro e ela então disse para eu visitar:

O site do blog da Marcinha é http://www.marcinha.co.uk/

Os pães estão nos meses de janeiro a março de 2005. Vale a pena conferir setembro/2005 também.

Beijinho,

Kal

Nossa, estou maravilhada com tudo que vi até agora.
Depois que eu conhecer mais te falo o que eu experimentei ok???
Beijinhos
Sua nova amiga
Bia.

Mesmo fajutas, as gueixas estão lindas (sorry, prefiro chamá-las assim), esse templo também é um show. Continuarei lendo com interesse sobre a viagem. Abs,