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The Tale of a Bag

Vou contar pra vocês uma historinha verídica baseada em fatos reais da realidade de minha vida ordinária.

Então. Estava eu no Marks Spencer daqui de Sheffield, destraída da vida na fila do caixa. Depois de um certo tempo, percebi a bolsa de tecido rústico no ombro da Moça Elegantérrima que estava na minha frente, na fila. Nessa bolsa havia o slogan "I am NOT a plastic bag". Sim, ela mesma, a bolsa original da designer Anya Hindmarch. Ahá, eu sei que você já havia visto ou pelo menos ouvido falar dessa bolsa, depois de todo furor e estampido causado no seu lançamento, no ano passado. Era a primeira vez que eu via uma delas assim tão pertinho.

Pois bem, não demorou muito e chegou a vez da Moça Elegantérrima no caixa. O Moço do Caixa perguntou "dja wanna bag?" Aliás essa foi uma das mudanças mais marcante que percebemos quando voltamos de Taiwan. Em toda loja, qualquer loja, os vendedores agora perguntam se você precisa ou quer uma sacola de plástico. Aliás, no mês que vem a rede Marks Spencer começa a cobrar por cada sacola de plástico. Uma prática usada há muitos anos em vários outros países para reduzir o desperdício desnecessário.

Mas voltando à historinha. Meus olhos ainda estavam examinando curiosamente a bolsa, quando ouço a Moça Elegantérrima responder: "Yes, please". Hein?! Meus olhos arregalados agora estavam na cara da moça. Comassim? E essa bolsa no seu ombro? O Moço do Caixa, que era menos inquisitor que eu, então abriu uma das sacolas verdes de plástico e começou a empacotar a compra pra ela. E ali lá pelo meio da compra dela, havia um cartão de aniversário. E, precavido, depois de scanear o preço do cartão, o moço do caixa perguntou "cê quer guardar esse cartão separadamente"? No qual a Moça Elegantérrima agora respondeu "claro, mas embrulha num saquinho plástico pequeno antes". Whatahell??? E o moço do caixa atendeu, embrulhou o cartão num saquinho plástico reservado para embrulhar pacotes de carnes frescas e entregou-o para a Moça Elegantérrima, que o enfiou na segunda sacola de plástico, que carregou apenas o ultra-embrulhado supracitado cartão. E assim a Moça Elegantérrima finalmente abriu a Bolsa-Fashion-Olhem-Só-Eu-Tenho-Você-Não-Têm, tirou a carteira, pagou e saiu com duas sacolas de plástico nos braços mais uma que se dizia não ser de plástico no ombro, essa quase vazia e acredito, um tanto que frustrada.

I mean... get lost. Esse povo se estapeia para comprar uma bolsa de edição limitadíssima para fingir viver num mundinho A-list da qual eles não pertecem, se auto-promovem de consumidores éticos ou ambientalmente conscientes, quando na verdade querem mais é que o mundo acabe soterrado em lixo, desde que eles possam estar no topo bebendo vinho rosê e atirando bitucas de cigarro.

Posso estar errada, mas duvido que qualquer pessoa que tenha comprado essa bolsa da Anya Hindmarch tenha feito meramente por causa do meio-ambiente. Porque ser ecológico é acima de tudo não comprar, é reusar o que se tem. Não sou hipócrita, muitas vezes uso as sacolas plásticas gratuitas do supermercado, quando esqueço de levar as minhas Bag for Life. O errado não é a forma de usá-las, mas a forma de reciclá-las. O errado não é ter uma bolsa que se diz "I'm NOT a plastic bag". O errado é não entender o conceito, é não perceber que a bolsa foi feita na China, que não tem sindicato de trabalhadores, que usa energia mais poluente do planeta, que jogou muito mais gás carbônico no ar durante o transporte para a Europa e EUA do que uma sacola de plástico jogaria para ser produzida e posteriormente reciclada. E nem sequer o algodão foi adquirido eticamente de vilarejos que precisam de subsídios do Fairtrade, mas sim comprado do produtor mais barato e capitalista. Porque uma bolsa pode dizer que não é feita de plástico, mas há um longo caminho até que ela possa dizer que é ecologicamente correta. Até lá ela só é feita de pano, nada mais.

Fim da historinha.


15 Comentários

Sem condicoes, eh inacreditavel o que as pessoas fazem soh pra serem "fashion" (afinal, o que isso significa? Ser "fashion"!).

Pois é... a Moça Elegantérrima pelo jeito faz parte do seleto grupo que pode simplesmente fingir que é ecológicamente correto, afinal, hoje em dia isso é in....
Resta a nós, pobres mortais, realmente nos importarmos com essas causas... mesmo sem uma "I´m not a plastic bag"...

hahahaha, posso dizer que amei, amei, AMEEEEEI esse post? isso estava entalado aqui também. como jersey é uma incubadora de madames, essas bolsas pululam por aqui e as donas provavelmente pagaram 400 libras nessa bolsa (porque as edições de 5 pounds acabaram logo, né) não para posar de conscientes, que isso é brega, mas de hypes antenadas e donas do último grito em "i have, you have not". a minha bolsa é cafona e tem rodinhas, mas foi feita aqui em jersey e carrega minhas comprinhas totalmente guilty free (e eu só paguei 10 libras nela, teeheeee).

se fosse pra ter uma, eu QUERO ESSA DA SUA FOTO thanks.

Eu quero essa da foto (2)!!

Eu quero essa da foto (3)!

Carrego as minhas compras do mercado numa mochila. Não é "cool" mas funciona. Até porque com 400 libras eu posso fazer um MONTE de outras coisas mais legais, ora bolas :)

Marcia,

tenho lido seu blog que descobri ha duas semanas. me divirto e emociono em partes iguais.

Sou brasileira e moro ha 11 meses em Cheltenham, GLOS. E passo por situacoes parecidas com as suas. Uma diferenca que meu marido e frances. Ou seja, hoje somos uma familia inserida em 3 culturas diferentes.

Encontrei seu blog ao procurar onde comprar couve na Inglaterra, pois se tem uma coisa que eu tenho saudades e da comida brasileira.

Usei suas dicas e fiz um rosbife ontem. ficou muito bom.

um abraco

Natascha

Pois eh, mas provavelmente a "moca eleganterrima" da fila comprou a bolsa dela num camelo (em Oxford Street tah cheeeeeeia dessas bolsas vendendo por 4.99), pra TENTAR posar de eleganterrima, sem nem se tocar o proposito da coisa. Deve ter comprado a roupa dela na Primark (que obviamente usa mao de obra escrava), que viu numa materia na revista "Heat" ou "OK" que ensinava a se vestir como uma WAG. Ela deve achar que esta abafando...

HAHA! Acho que a bolsa da foto é muito mais interessante.

Oi!
Te achei no site Mundo pequeno e vim te pedir uma pequena ajudinha ') gostaria de dicas sobre a Inglaterra, sempre tive o sonho de conhecer, me conte um pouco sobre o país, é bom viver nesse país a cultura entre outros.

Aguardo resposta

Bruna

Olhando a foto da bolsa, inconscientemente acionei o modo pudica... risos
Mas quanto ao assunto, no começo eu estranhei, mas agora estou tão automatizada que não saio sem uma sacolinha de pano! Mas as minhas não são fashion, ó vida...

Putz, achei que ai o pessoal era mais civilizado, quase tenho um treco quando vejo o pessoal que passa no caixa do super mercado e coloca cada mercadoria numa sacolinha no final, ela vai embora com "milhares de sacolinhas, mas já fui pior, na minha rua tem coleta seletiva, e eu notava quanto mais elegantérima era a casa, menos reciclagem eles colocavam para a coleta e eu com a casa precisando de uma pintura a mais de 5 anos tinha tudo separadinho e lavado, agora nem ligo mais, mas não deixei de fazer minha parte e ensinar a meus filhos a fazer o mesmo, toda quinta as 7 da manhã meu menino escuta "recigrage", nem preciso falar nada ele sai da cozinha vai na lavanderia pega todo a reciclagem entrega para a mulher e ainda agradeçe a ela, fico toda feliz, e a vizinha elegantérima que vai se f.
Irma

Oi.
Te achei sem querer e adorei seus textos!
Espero que não se importe, pois publiquei no meu blog seu texto das gírias londrinas... hushushushus Muito bom!
Deixei o link do seu blog no texto e o rodapé do post também! Abraços!

Vc poderia, por favor, fazer um esforçozinho e escrever mais? Adoro a sua visao do mundo, da sua vida, seu humor, etc...

Boa sorte na casa nova!

Nunca nem ouvi falar dessa bolsa, mas se era tão cara assim, garanto que ninguém que comprou ia usar para ir ao mercado. Compraram mesmo só pelo "status". Mas para mim, o mais incrível dessa história toda é o fato de bolsa dar status.

Marcinha,
Descobri seu blog em um site e gostei muito, digo que esta sendo meu livro nesses dias, tbem sou casada com ingles, ha 4 meses e estou vivendo em Londres, leio sua historia, saudades, perdas, vitorias, conquistas, digo que esta me ajudando muito nesta minha nova jornada, que naum esta sendo facil, vc me inspira a continuar forte...
Sem te conhecer, digo que te ADORO!!!
Desejo muito sucesso em sua nova jornada...
Felicidades 1000.
Kelly