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Caledonian Tales

Mr.M, eu e Littlest One tiramos uns diazinhos de férias e atravessamos a fronteira. Viajamos de carro até Edinburgh, capital da Escócia.

Foi a minha primeira vez em terras caledônias e apesar de não ter ido às Highlands nem ter visto o Loch Ness, adorei a experiência e não vejo a hora de um dia voltarmos e explorarmos um pouco mais do país.

Da nossa cidade até Edinburgh são quase cinco horas de viagem. Planejamos duas paradas, uma só pra um café da manhã e a outra em Eyemouth, logo depois de cruzar a borda. Foi lá em Eyemouth que vi e toquei pela primeira vez o Mar Norte.



North Sea visto de Eyemouth, Escócia



Chegamos em Edinburgh e nos hospedamos no Holiday Inn em Leith, que é uma área da cidade mais tranquila e calma e com os melhores restaurantes da cidade. Nesse dia ficamos só em Leith, explorando a área sem pressa.



Leith



Jantamos muito bem no pub The King's Wark. Martin pediu fish & chips e eu me deliciei com fatias de lombo e jus, purê de batata com mostarda e cavolo nero.

No dia seguinte visitamos o belíssimo Royal Yacht Britannia, um dos mais famosos navios do mundo, que serviu de residência para a família real em suas 629 visitas internacionais. Mesmo para quem não se interessa em realeza, o Royal Yacht Britannia é uma atração imperdível em Edinburgh (logo faço um post à parte com as fotos).

Na hora do almoço tínhamos um compromisso bastante especial. Desde que começamos a acompanhar o programa da BBC Great British Menu nos encantamos com o competente e carismático Tom Kitchin, que junto com a esposa Michaela comandam o restaurante The Kitchin, que recebeu sua primeira Michelin Star em apenas seis meses de inauguração. Desde que começamos a planejar nossas férias, o The Kitchin estava na lista de prioridades. Foi nossa primeira experiência gastronômica num restaurante Michelin-Stared. E hoje podemos dizer que foi uma das refeições mais refinadas, mais impressionantes, mais inesquecíveis que tivemos nesta vida, até agora.



The Kitchin



E pata atordoada de um neurônio só que sou, assim que chegamos ao restaurante fomos recebidos calorosamente pela recepcionista, que se ofereceu para guardar nossos casacos e bolsa. Aceitamos cheios de sorrisos e adentramos a sala de jantar livres, leves e soltos. Só quando o primeiro prato chegou é que lembrei que a câmera havia ficado na bolsa, láaaaa na chapelaria da recepção. Oh noes!! Então fiquem inteiramente à vontade de achar que é tudo mentira e invenção porque eu não tenho registro oficial (a não ser a conta, serve?).

Assim que nos acomodamos nas mesas os garçons colocaram os guardanapos em nosso colo e serviram água mineral e vários crisps de legumes, bolachinhas e pães de queijo. Fizemos nosso pedido e logo o sommelier veio nos indicar vinhos. Martin escolheu o espanhol Albarino. Eu e Littlest One ficamos na água mineral mesmo.

Recebemos amuse-bouche, uma amostra grátis da criatividade do chef, geralmente só oferecidos em restaurantes top end ou que estejam em busca da primeira Michelin Star. Nosso foi uma mini-sopa de celeriac e legumes assados. Um mimo gentil e uma delícia.

De entrada pedi o clássico haggis, neeps and tatties, tudo muito bem apresentado, uma camada de fitas de rabanetes em molho, o croquete de haggis por cima, uma coroa de batatas fritas e um ovo de codorna frito enfeitando a escultura. Martin pediu uma linda terrine de peixe defumado (esqueci que peixe que era) com molho de ervas que foi uma revelação de sabor! (Ambos obviamente experimentamos do prato do outro - shameless cheapskates)

O prato principal veio em seguida. Pedimos o mesmo, filé de hake cozido na mais perfeita precisão, pele crocante, carne caindo em flocos úmidos. Cogumelos giroles temperado em um molho espetacular, com um gostinho de lemongrass e o mais fofo dos gnocchis de batata e ervas. Uns cubinhos de tomate vieram no prato e eu achei, em minha santa ignorância e inocência, que eram apenas tomates. Cada cubo, porém, era uma explosão de sabor e temperos impressionantes.

De sobremesa escolhi torta de abóbora com sorvete de laranjas e especiarias. Escrevendo assim parece a coisa mais sem graça do mundo. O que recebi foi uma torta quentinha de base crocante bem aromática e recheio de doce de abóbora como se fosse um creme brulée, caramelada por cima. O sorvete estava divino. E de garnição, sementes de abóbora açucaradas, bolinhas de abóbora cristalizada e calda de abóbora. Foi o prato que mais me arrependi de não ter a câmera porque estava uma arte! Martin pediu suflê de pistachios com sorvete de pistachios. Veio bem alto, fofo, quente, macio, gelado, aconchegante.

Os petit-fours que acompanharam o café e o chá de menta eram madaleines, trufas e nougat. Eu não consegui comer todos, para quem pensa que fine dining é composto de porções miseráveis, grande engano. As porções são bem balanceadas em todos os cursos, nem muito, nem pouco, mas ideal. Achei, na verdade, que a sobremesa foi um pouco grande demais. Nesse dia nem jantamos.

É difícil descrever como um prato (ou quatro) pode evocar tantas sensações únicas, tantas surpresas, tantas exclamações enaltecedoras. Mas foi assim que passamos as duas horas e meia mais fenomenais no The Kitchin, nos surpreendendo a cada detalhe colocado a nossa frente. Absolutamente cada item tinha seu sentido, seu dever na composição do prato. Foram quatro cursos, dois estômagos felizes, dois sorrisos enormes e um bebê que não parou de chutar durante toda a refeição (provando o líquido aminiótico mais privilegiado do mundo, Michelin-stared and all, melhor não acostumar).

As poucas fotos que encontrei dos pratos no Flickr são da MyLastBite, só para ilustrar um pouquinho a nossa magnífica refeição.



Pães de queijo, crisps, beterraba e cenoura


Photo:MyLastBite




Amuse bouche: mini-sopa de celeriac


Photo:MyLastBite




Prato principal: Filé de Hake, girolles e gnocchi de ervas


Photo:MyLastBite


Depois do almoço fomos dar uma passeada no centro de Edinburgh. Visitamos a área chamada New Town, moderna, cheia de lojas famosas, bastante turística e movimentada. O dia estava lindo, céu azul, sol, temperatura amena. Admiramos a arquitetura única da cidade, os parques, o panorama tão diferente, como se os prédios saíssem das rochas.



New Town em Edinburgh





Hotel em New Town





Castelo de Edinburgh, visto da cidade





Cidade de Edinburgh, vista do Castelo





Gaita de Foles



No dia sequinte visitamos o Edinburgh Castle, que apesar de ter várias áreas interessantes, não é assim tãooo bacana quanto o Tower of London. Tínhamos grandes expectativas, já que é um castelo do século 9 e recheado de histórias de decaptação, traição, invasão e casamentos arranjados (o Daily Mail da época devia fazer a festa). É uma atração obrigatória, jamais deixaria de visitar o castelo, mas poderia ser menos fake em algumas áreas (fotos em post à parte).

Passamos o resto do nosso último dia na área chamada Old Town, que sem dúvida é a parte mais charmosa da capital, com vielinhas de paralelepípedos, prédios medievais, aquele cenário que dá a impressão que logo Mel Gibson em trajes de Braveheart vai aparecer acenando na sua frente. Linda e pitoresca Edinburgh.



























9 Comentários | Deixe um comentário

HAHAHA gostei da última foto do post, me pegou de surpresa. :-)

Edinburgh parece muito legal mesmo (quem sabe algum dia eu consiga ir à Escócia. Tem tanto lugar legal no mundo para se visitar). Suas fotos ficaram muito boas, como sempre.

E o que tem de errado em experimentar o prato um do outro? É alguma dessas regras bestas de etiqueta?

Vc tem que ir em Isle of Skye. Absolutamente lindo. Portree eh o lugar pra se hospedar, mas vc tem que reservar com bastante antecedencia.

Amei as fotos! Me fizeram lembrar de minhas aulas de English Civilisation na faculdade. Uma pena mesmo não ter fotografado os pratos maravilhosos no The Kitchin. Fiquei babando só com sua maravilhosa descrição.

Que delícia de passeio! Em todos os sentidos, né? Imagino que qualquer apreciador de boa comida se sinta no paraíso neste restaurante. Mas pra você deve ter sido ainda melhor, afinal quem domina a arte de cozinhar sabe reconhecer com mais propriedade o devido valor desses pratos!

Olá Marcinha,

Adorei a comida e ainda mais as fotos ficaram lindas,

Você detalhando a comida lembrei-me do desenho da Disney Ratatouille, uma explosão de sabores...

Sempre maravilhoso ver o mundo através dos seus olhos, Marcinha...
Fiquei babando pelos pratos, não consigo nem imaginar os sabores, parece coisa de outro mundo.
Na hora que comecei a viajar na maionese às gargalhadas imaginando uma cara sorridente mega-idiota do Mel Gibson vestido à Braveheart acenando na rua fui surpreendida com a foto daquele maluco de bárbaro! Que raios aquele cara tava fazendo vestido daquele jeito no meio da rua? rsrsrsrsrsrs
Interessante também a diferença de viver num país continental como o Brasil. Levo oito horas para ir daqui de Barreiras na Bahia até Brasília (de carro são 6-7 horas), depois mais duas horas de avião para ir até o Espírito Santo (ui, de carro mais umas 18 horas), e continuo no mesmo país!
beijo.

Oi Ma....
Que bom que foram à Escócia...Edinburgh foi meu ponto depois da casa de vocês e achei sensacional....O que mais amei foi a Old Town e vocês viram aquelas vielas que ligam a rua principal com as que ficam mais abaixo? Tem histórias bárbaras ali...Existia um segundo nível na cidade, que devido à peste negra, foi literalmente lacrado. Por isso as vezes os prédios pareciam mais baixos.
Agora o The Kitchin....acho que preciso voltar para experimentar...:)
Beijos

Marcinha, que delicia de passeio, principalmente a descricao do almoco no The Kitchin! Mas olha, sou so eu que achei que ficou faltando uma foto sua nesse meio ai pra gente ver a barriguinha? ;-) Beijos!

Ola querida Marcia,adorei.... sem palavras,fico mais feliz ainda em saber que estamos perto, moro em surrey,mas precisamente em Epson,adorei, como e seu dia a dia, sua simplicidade....Que Deus a ilumine nesta tragetoria linda... foi por acaso que esncontrei esta pagina na internet, foi por causa de uma receita de cheesecake....mas foi muito legal te-la encontrado... beijos

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