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On Parenthood Challenges

(Não leia este post durante a sua refeição, chá da tarde ou se for sensível a detalhes erm... indigestos)

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Poucos momentos testam mais a sua auto-confiança maternal/paternal do que o momento em que a sua criança fica doente. Sentimentos de impotência e insegurança são tão constantes e onipresentes que não há um instante de descanço, de sono, de tranquilidade. Diferente de quando acomete qualquer outra pessoa que você ame. Porque você, na condição de pai/mãe, é diretamente responsável pelo bem-estar daquela criaturinha adoecida.

Agora que Miss S está bem, brincando, pulando e falando sem parar de novo posso respirar novamente e relatar aqui para futura referência como foi difícil vê-la sofrer com um vírus miserável (provavelmente norovirus).

Na terça-feira passada ela começou a vomitar logo de manhã. No período de 24 horas ela vomitou 12 vezes. No dia seguinte apenas 5 vezes. No entanto o que nos alarmou foi que ela ficou letárgica e sonolenta. Nós não conseguíamos mantê-la acordada nem por 1 hora. Ela acordava, bebia água, vomitava, dormia de novo. Numas das vezes vomitou deitada e nem tinha energia de levantar. E então ninguém mais dormiu enquanto ela dormia. E para piorar o quadro ela começou a ter diarréias terríveis, chorava de dor, de medo, de surpresa, de angústia. Num corpinho que já havia sofrido por dois dias inteiros.

No dia seguinte levei-a no médico, que percebeu que ela estava cheirando a ketosis, que é sinal que o corpo está queimando gordura (já era o terceiro dia que ela não comia), mas que também poderia ser sinal de diabetes. O médico achou melhor encaminha-la ao hospital para exames e observação. Como o hospital é relativamente perto, ele chamou uma ambulância. Os paramédicos da ambulância fizeram os exames iniciais e Miss S estava tão sem energia que deixou eles colocarem eletrodos, sensor de pressão, termômetro, até tirar sangue do calcanhar, tudo sem chorar, sem escândalo, bastante raro pra ela que detesta estranhos.

No hospital ela dormiu, dormiu, dormiu. Mr.M nos encontrou lá. O pediatra examinou, disse que todos os exames dos paramédicos deram normais, sem sinal de diabetes. Nos acalmou dizendo que era provavelmente um vírus e que ele nem iria causar mais stress nela tentando colocar soro intravenoso porque ela estava só um pouco desidratada e era mais fácil tentar com solução rehidratante oral primeiro. A enfermeira trouxe um sachê, misturou na garrafinha de suco da Miss S, que já estava acordada e viu tudo. Assim que a enfermeira deu a garrafa, Miss S proclamou: "I don't like that one, I don't want that one, I want MY juice!" ("eu não quero esse aí, eu não gosto desse aí, eu quero o MEU suco!")

Foi o começo da melhora. Ainda no hospital ela pediu pra comer banana (deu só uma mordida) e biscoito. Eram os primeiros sólidos em vários dias. Voltamos pra casa aliviados, mas com Miss S ainda debilitada, ainda com diarréia cruel, ainda letárgica. Foram mais dois dias até que ela pudesse se sentir melhor novamente, ficar acordada, pedir pra brincar.

Hoje, uma semana depois dos primeiros sintomas, ela está praticamente normal, o apetite voltou (embora bastante seletivo). Ainda estamos indo com calma, comidas simples, bastante líquido, repouso. Mas Miss S já voltou a ser a menina ativa, engraçada, cheia de energia e sorrisos que sempre foi. Privilegiados e agradecidos somos estes pais que passaram apenas por um mero vírus sazonal, totalmente passageiro, totalmente curável. Temos total consciência disso.

Houve momentos durante essa longa semana que meu coração apertou tão forte, as lágrimas foram escondidas com tanta dificuldade numa tentativa de transmitir uma certa calma pra uma criança que nunca havia passado por isso, que estava assustada, confusa, exausta. Os mais torturantes foram os a seguir:

  • Ela só podia tomar 10ml de líquido por vez para que o estômago absorvesse sem causar o reflexo de vomitar. Mas como ela sentia sede, ela queria mais. Eu expliquei pra ela que se tomasse muito ela iria passar mal. Irritada e com sede ela pegou o copo da minha mão e tomou mais do que devia. Em dois minutos ela vomitou violentamente. Enquanto eu trocava a roupa dela ao mesmo tempo em que colocava toalhas no chão, ela falou baixinho pra mim: "Sorry Mummy..." Mesmo a abraçando e dizendo pra ela que nada daquilo era culpa dela, confortando e dizendo que estava tudo bem, que ela não precisava se desculpar por nada, no fundo eu fiquei tão triste de ver que ela estava se sentindo mal por causa da sujeira, da bagunça, de coisas insignificantes...

  • Durante um dos mais terríveis ataques de diarréia ela chorava agoniada, tremia, segurava em mim gritando : "I don't like it, I don't like it" ("eu não gosto disso") e quando o ataque terminava, entre soluços ela dizia baixinho: "I need to clean bumbum, Mummy" ("eu preciso limpar o bumbum, Mummy")...

  • E o mais significativo momento de toda essa crise (último dos detalhes nojentos, prometo, se é que alguém conseguiu ler até aqui) foi quando ela vomitou muito, muito, muito. Não deu tempo de fazer muita coisa, toda roupa dela estava ensopada. Ela começou a chorar apavorada e pediu: "Uppy Mummy! Hold me, Mummy!!" ("Colo, Mummy, me abraça!!"). E você sabe que se a abraçar sua roupa também vai ficar ensopada, que os bracinhos dela vão ensopar seu cabelo, que você vai estar muito mais exposta ao vírus. E no entanto você não pára pra pensar, você pega a criança chorando e abraça forte e a carrega e diz que está tudo bem. Você beija o rosto e a testa, coloca a cabeça dela no seu ombro e abraça novamente. E assim que ela se acalma você diz: "How about we have a shower together, you and Mummy? And we play with tea set?" ("Que tal um banho juntas, e a gente brinca com o jogo de chá?") E a sua criança diz: "Yes". E você liga o chuveiro, pega o jogo de chá e não pensa em mais nada.



9 Comentários

Olha, meus olhos ficam com lagrimas e me da noh na garganta soh em ler seu relato, porque me lembra os perrengues com minha filha. Foram poucos, conto nos dedos de uma mao (mas ela nao tem nem 3 anos), mas me doeram tanto que eu soh queria que aquilo passasse pra mim para que ela nao sofresse.
Dizem que os pequenos se recuperam muito mais rapido do que os adultos, e acho que eh verdade, mas me arrepio soh de pensar a ultima vez que paramos no A&E depois de 4 dias de febre de 39C.
Que bom que Miss S esta se recuperando bem e que a mamae dela pode dormir em paz.

Marcinha, sei exatamente o que vcs sofreram. Chorei enquanto lia o seu post.
Meu neném de 16 meses passou pela mesma situação no ano passado. Eu fiquei desnorteada, só chorava. O pediatra dizia para eu ter paciência, oferecer líquidos aos pouquinhos, pq para combater esse vírus somente o próprio organismo do bebe. Senti-me impotente, fraca e sem fé.
Somos nós 3 morando em Dubai, sem nenhum parente por perto. Meu marido foi a fortaleza que me segurou.
Obrigada por relatar sua experiência, irá ajudar a muitas mães a ter fé e paciência para superar esta fase tão difícil.
Nossos filhos nos dão uma grande mostra de como eles são fortes. E a natureza comprova que o cansaço e o desespero ficam em ultimo plano, quando temos que ficar ao lado de nossos filhos.
Muito bom saber que Miss S está bem e os papais felizes com a sua melhora.
Agora em diante é comemorar com vários chás da tarde!

Impossível não me lembrar de todas as viroses que enfrentei com meus 3 filhos, hoje com 14,17 e 19 anos. A do meio sempre foi mais frágil, depois de vomitar 3 vezes já ficava mole e não reagia, desidratando rapidamente, o que nos deixava desesperados. Uma vez íamos a uma festa de aniversário e no meio do caminho a mais velha começou a passar mal. Voltamos para casa e nessa mesma noite fomos duas vezes ao hospital, primeiro com a do meio que ficou bem ruim e teve que ficar no soro. Depois chegamos em casa e os outros 2 também estavam mal... os três ficaram doentes no mesmo dia. Agora detalhes sórdidos, não ficou um lençol ou toalha limpa em casa e um cheirinho doce de vômito pairou no ar no dia seguinte hahahahaha, hoje a gente dá risada juntos mas no dia eu,minha mãe e meu marido quando ficamos loucos, com medo e dó dos bichinhos... Não sei no exterior, mas aqui no Brasil há uma temporada anual de viroses, e até as crianças criarem resistencia (era o que o médico falava) é preciso passar por esses episódios pouco agradáveis...Melhoras totais a sua garotinha, Deus abençõe.

*suspiros*...

Sinto muito por vocês terem passado por isso, Marcinha. Que ela se recupere totalmente logo, logo. Já precisei internar a Amanda, quando ela tinha 11 meses, por causa de uma pneumonia bem forte. E ver minha filhota no hospital, além de tantas outras crianças ainda em pior estado que ela, foi uma das coisas mais difíceis que já enfrentei na vida.

Um beijo na pequena e outro em você.

Rita

Até eu, que não sou mãe, fiquei agoniada com isso. Tadinha... E não conforta saber que ela ainda não entende e não sabe por que estava passando por isso tudo. Que bom que ela já está melhor e pôde contar com pais amorosos para segurar a barra. ♥

Tbm chorei. Que mãe maravilhosa vc é. Deus abençoe vcs todos. Bjs carinhosos.

Deve ser por histórias como essa que dizem que pais e mães ganham uma força vinda sabe-se lá de onde nos momentos mais difíceis... você contou com essa capacidade sobrenatural. Parabéns! Aposto que estão todos fortalecidos depois dessa semana terrível. Bom saber que ela está melhor, sapeca como sempre - vocês dois também, espero. Beijos!

Que susto! Muito bom saber que realmente tudo passou e Sophie já está a toda outra vez!Imagino a sua aflição!

Marcia, os olhos de uma mãe parecem que ganham anos de vivência depois de enfrentar as primeiras doenças de um filho. Se a doença é grave, parecem ser décadas... São sentimentos inexplicáveis, mas compreensíveis por quem já passou por eles. Que bom que conseguiram passar por isso! Beijinho.