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Autumn Introspection

Acredito com todas as células do meu ser que no Outono palavras são desnecessárias. O que a gente quer mesmo é tirar foto de folhas caídas e de café da manhã quentinho. Pelo menos é o que eu percebo -- e adoro ler -- no meu Feedly. Me sinto privilegiada de viver num país onde a introspecção não é considerada algo estranho. Porque quando a chuva fina dura muito mais do que a luz do dia essa quietude me traz conforto e aconchego.









Obviamente que vivendo com uma criança de quase três anos, que não dorme mais durante o dia, quietude é algo raro, senão suspeito. E talvez por essa mesma razão os poucos minutos que eu encontro para sentar quieta num canto são tão valiosos que preciso escolher cuidadosamente como gastá-los.

As vezes gasto fazendo uma nova xícara de chá porque a outra esfriou e não tomei nenhum gole. As vezes gasto assistindo ao Great British Bake-Off da semana passada que gravei e ainda não vi. As vezes
tomo banho, mas só as vezes.

E as vezes folheio (e até leio!) algumas de minhas revistas. Já não tenho mais tempo e inclinação para revistas que já não falam mais comigo. Então hoje importo a Taproot, que vêm lá do outro lado do grande lago, mas que fala o que eu gosto de ler, de imaginar, de sonhar. Fala de terra, de família, de Maple Syrup, de flores, de velhos potes vazios de geléia.





De manhãzinha faço café com leite, esquento meu steel-cut Irish Oats (que talvez eu tenha adicionado custard + maple syrup + banana, talvez não) e abro as páginas que me alimentam.





Mas como a Taproot é trimestral, na entressafra as vezes leio a The Simple Things, que é britânica e tem como proposta divulgar o ideal de uma vida simplificada. Porém logo nas primeiras páginas há um bom número de produtos sofisticados a preços não muito simplórios sendo oferecidos. Mesmo assim, entre uma ou outra matéria fútil, há matérias interessantes e bem escritas, as fotos são de bom gosto e há uma sessão fixa chamada Cake in the House, com receita de bolo. Sold.





Uma matéria que gostei foi sobre a história da profissão do leiteiro aqui na Inglaterra. E esta foto do leiteiro entregando o leite nessa casa bombardeada pela Blitz alemã, me encheu de admiração:





Diz a matéria que na época da guerra os leiteiros deixavam a garrafa de leite mesmo nas casas destruídas completamente, como forma de lealdade e solidariedade à família. Outros tempos.

Atualmente apenas 8% de todo leite consumido no país é distribuido via milkman. Aqui em nosso vilarejo nós temos milkman porque estamos rodeados de fazendas leiteiras. Garrafas de vidro são deixadas na porta ao anoitecer e pela madrugada o leiteiro vem com seu carro elétrico fazer a troca. Simplicidade da vida rural.

Outra coisa pitoresca de se viver no meio do nada? A caminhada que fizemos no domingo passado rendeu bolsos cheios de pinhas e acorns. Decoração de Natal = resolvida.





Enfim, para quem começou falando que sente falta da quietude já me alonguei demais. Que você leitor esteja aproveitando a estação da forma que mais lhe agrada.


8 Comentários | Deixe um comentário

Particularmente, surpreendeu-me em quão provecta idade descobri que posso não ligar a tv, e quantos momentos de paz e silêncio consigo com isso. De verdade. Por outro lado, sou imensamente grata a você pela dica do G. British Bake-Off (e ao gajo que o colocou no You Tube). Amo o programa, viajo e me delicio sempre. Mas não consigo não me incomodar com o fato de eles cozinharem com os cabelos soltos, as mangas compridas das roupas entrando nos pratos, curativos nos dedos e suas secreções se misturando aos temperos. Me atrapalha demais, isso!

Outro problema sério: aquele carpete! Como, onde tem cozinha com carpete??? Aí eles vão olhar o forno, colocam a mão no chão e o programa não se preocupa em mostrar eles lavando as mãos nem uma vezinha, quer dizer, pra mim significa que o candidato botou a mão no chão e voltou a cozinhar sem lavá-la. Can't help um certo nojinho dessas comidas...........

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Bia, acredito que o programa queira se aproximar ao máximo às cozinhas comuns, de todos nós (algumas cozinhas aqui ainda são acarpetadas). Eu não gostaria de ver os candidatos com rede de cabelo, luvas, tudo estéril e profissional, senão vira Masterchef. Eu gosto do programa do jeito que é. Pra mim eles podem encher as comidas de germes e de fio de carpete porque quem vai comer mesmo é o metido do Paul Hollywood... :p

Voce tem razão,o outono é lindo!Aqui no Brasil o mês de maio é(na minha opinião)o mais lindo de todos os meses do ano.Moro em frente ao mar e é quando ele parece uma lagoa.parece que até mesmo as aguas do mar de angra dos Reis ficam introspectivas.Adorei as suas fotos.As folhas, o chão molhado pela chuva...provoca uma sensação boa na alma.Esse sentimento não se explica.Mas suas fotos o traduz muito bem.

Marcinha voce e uma poeta. Adoro ler seu blog e acompanhar o seu maior tesouro, a Sophie. Eu tenho meu tesouro Samuel.

Adoro o outono e principalmente a mini heatwave aqui em Londres. E sabado de manha, depois de uma noite chuvosa e estou sentada no meu jardim tomando cafe, lendo seu blog e jogando bola pro cachorro, enquanto o Samuel esta quieto brincando com Lego (uma coisa recente e muito legal). A vida simples e uma maravilha. Beijos e muita saude pra voces. Dani

Nossa, que post mais poético! Super outônico! Amei! Demais!!
Também assisto o Bake Off e adoro! (Os ingleses não são dos mais limpos, mas acho que exagerou no post aí em cima, Bia!!)

Boa idéia a sua, de recolher e reutilizar os acorns para a decoração. Esse ano vou tentar (veja bem, tentar) fazer uma guirlanda 100% natural. Já tenho pinhas. Não vai ficar chamativa, por isso talvez não fique na porta, mas é detalhe... Essa coisa de "simple things, expensive stuff" foi o que me chateou com a Country Living. Ainda leio porque marido sempre lembra de comprar e eu acho bonitinho. Mas cadeira de 1500 reais pra gente que vive no campo? Sei lá, viu. Achei lindas as capas da Taproot, will look into it. :)

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Lolla, eu ainda compro a Country Living, duas vezes por ano: a primeira edição de primavera e a primeira edição de Natal que são geralmente fabulosas, cheia de fotos inspiradoras. Taproot é fruto do trabalho da Amanda Soule (soulemama), 100% ad-free, bacana de ler. Também quero tentar fazer uma guirlanda, ou pelo menos um centerpiece pra mesa, vamos ver...

Adoro ler seu blog!!! A forma como vc conta coisas diárias da sua rotina me encanta!!! Sempre dou uma passadinha por aqui☺️ Sua filhinha sophia e linda❤️Moro no japao e aqui tbm ja e outono... Meus filhos tbm estao fazendo decoração de Natal eles adoram procurar pelos parques essas bolotinhas verdes que aqui chamamos de donguri (どんぐり) bjao

Que encantador e romântico este lugarejo onde ainda se recebe leite na porta...

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