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Between the pages is a lovely place to be

Há tanto tempo eu não me perdia entre páginas de uma ficção bem escrita.

Na verdade há tempos que eu não lia algo não-ficção. Mas também há tempos que eu andava meio desencantada com a literatura moderna. Não que eu tivesse lido uma montanha de best-sellers pra julgar. Não li. Apenas, provavelmente, tenha escolhido uma série de livros errados. Muita escrita ruim, muitos enredos duvidosos, muitos desfechos decepcionantes.





Mas então minha amiga Rita escreveu um livro de contos com a amiga dela, Luciana. E a Rita gentilmente enviou uma cópia pra mim (obrigada mais uma vez, Rita!). O envelope veio cheio de selos coloridos e a dedicatória de letrinha caprichada, cheia de carinho. Eu li Contos do Poente. Pelo título achava que seriam vários contos sobre pequenos detalhes da vida: pedras no fundo de riachos, cestas com ovos frescos, flores crescendo na grama longa, chuva repentina levantando cheiro de terra molhada. Daí eu li o primeiro conto. Bam. Segundo. Bam. E todos os outros contos. Bang, hell's bells! Entre a prosa bem escrita, descritiva e sonora (acompanhadas das complexas belas ilustrações da Joana) há cicatrizes profundas, corações desidratados, labirintos desconexos, uma multitude de sentimentos camuflados, experiências comoventes e retalhos de memórias costurados com pontos tortuosos de agulha já sem ponta. Confirmando a grande verdade que cada indivíduo nesta vida trava batalhas das quais não temos a menor idéia. Tocante por ser exatamente assim, inesperado e imprevisível, apesar da doçura infinita das escritoras.





E outro livro que eu estava curiosíssima para ler depois de toda repercusão (mais de 4.000 reviews na Amazon americana e 600 na Amazon britânica), com o aval de Stephen King na contra-capa, era The Goldfinch, de Donna Tartt. Eu comecei a ler um pouquinho agora, um pouquinho mais tarde, um pouquinho daqui a pouco. E depois de um tempo em já estava carregando o pesado livro por toda parte, na expectativa de encontrar tempo para mais uma página, mais um capítulo dessa Desaventuras em Série versão adulta. Quando dei por mim foram-se mais de 400 páginas lidas num período curtíssimo. Ainda não terminei (são 784 páginas) porque estou economizando páginas, um pouco por noite antes de dormir, sabe aquela pão-durice? Eu não quero terminar e ter que dizer adeus ao Theo Decker.

Só agora percebo o quanto senti falta de sentar com uma xícara de algo quente (builder's tea ou café com leite) e me perder voluntariamente na história de tal forma que quando ergo os olhos do livro já não sei mais onde estou ou quem sou. E de lamentar o fato de que os personagens não existem na vida real. E de perceber que meu chá esfriou, intocado.


7 Comentários | Deixe um comentário

(não precisa publicar) Só queria dizer que li seu blog por muito tempo e há muito tempo. Depois, com toda a correria da vida, infelizmente, parei de lê-lo. Agora, que estou de férias, deparei-me com seu blog novamente. Estou tentando me inteirar das "novidades": quando parei de ler seu blog, sua menina nem era nascida. Fiquei muito feliz em perceber que sua escrita continua deliciosa de acompanhar e, por incrível que pareça, mais serena e ainda mais delicada. Parabéns! Val

Que delícia ler algo assim, hein? Um privikégio, sem dúvida. Entendo perfeitamente a pão-durice. Sou assim com os livros da Adélia Prado... E suspeito que serei assim quando você lançar o(s) seu(s).

Sou pão durissima quando voce publica algo novo.Leio palavra por palavra bem devagar,depois releio tudo denovo me certificando de que não deixei nada para trás.
Voce deveria sim escrever um livro.
Não se assuste mas eu já li seu blog inteiro duas vezes,e termino sempre com saudades.Afinal foram tantos sentimentos despertados.Eu sempre penso que voce deveria escrever um livro que eu adoraria ter na minha cabeceira.
Incrivel mas assim como é impossivel eu ver uma blusa gola alta e não me lembrar de Nora Ephron que escreveu:Meu pescoço é um horror.
É igualmente impossivel eu ver uma fatia de bolo de chocolate e não me lembrar de voce que escreveu que "tudo fica melhor com uma fatia de bolo de chocolate".

Também estou esperando você escrever o seu. Ansiosamente.
beiijos

Oi Marcia, tudo bem? Como esta Miss S? A leitura e mesmo muito prazeirosa. Ela nos proporciona viajar no tempo mesmo. Eh uma pena que os jovens de hoje nao tem esse habito. O incentivo comeca desde cedo.

Marcinha, querida.

Só agora vi seu post, correndo que estive nos últimos dias por causa do lançamento do livro em Campina Grande, terra onde fiz minha graduação e onde morei por vários anos. Você não imagina minha alegria em ver meu livro aqui. Preciso dizer que seu blog é, em grande medida, o motivo por trás de minha decisão de criar o meu. E foi meu blog que trouxe a Luciana e a Joana para minha vida, e daí o livro. Então, em certa medida, querida, esse livro tem seu dedo, sabe? Em me coração tem, sim. Muito obrigada, é uma honra imensa saber que você leu nossos contos, dedicou seu tempo a nossas histórias, nossas meninas. Muito, muito obrigada. Eu já disse e repito: seu blog ainda é meu cantinho favorito na internet; então permita-me essa cara de boba com que fiquei agora.

Beijinhos,
Rita

Já marquei aqui como "quero ler" no Goodreads. Reparei que lá o livro tem 74.000+ reviews (mas muitas estão em branco, são só as estrelinhas que você dá quando termina de ler). Alguns deram 1 estrela e estão resmungando. Outros deram 5 estrelas. Como confio no seu gosto e também sou leitora antiga, quero muito pôr as mãos nele.

Um beijo pra você e pra Miss S

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