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Slow to Bloom

Apesar de um ou dois dias de sol e temperaturas amenas, a maioria dos dias aqui em Wuthering Heights continua na máxima de 10ºC e mínima de 0ºC. E vento, claro. Porque se não ventasse tanto, tanto, TANTO aqui, Heathcliff seria um cavalheiro amável e caridoso e Catherine jamais assombraria sua casa, soprando em sua janela. But alas.

Nossa cerejeira começou a dar flores. Nossa Amelanchier começou a perdê-las.









No conservatory, sementes ainda estão a passos lentos. Algumas desistiram de germinar. Os tomates precisam ser replantados, mas ainda está muito frio para mudá-los pro jardim. O pé de feijão está crescendo bem, rumo ao gigante. Batatas foram plantadas em sacos, lá fora. É tradicional plantar batatas durante a Páscoa. Este ano estou plantando muitas sementes de flores, algo que nunca fiz nos anos anteriores. A falta de cores no jardim por tantos meses frios e cinzas tinha que trazer consequências de alguma forma.













Finalmente usei nosso próprio composto. Durante a reestruturação do jardim ano passado jogamos fora nossa caixa de compostagem que estava quebrada e inútil. E guardamos o composto em dois sacos plásticos de 30 litros cada. Como eu ainda não sabia nada de compostagem fiz muitos erros: proporções erradas, pedaços de plantas muito grandes, não reguei quando secou, não remexi quando precisou, não fiz nada, deixei tudo por conta da Garden Goddess Who Will Bestow Upon Us.

E toda essa negligência obviamente teve seu custo e nesse caso o preço foi a demora. Demorou muitos anos até que todo material fosse decomposto. Mas esta semana finalmente usei o composto em um dos canteiros que estou reformando. O composto estava bem fofo, cheirando a terra fresca molhada. Esse tipo de composto feito em casa é dedicado a enriquecer o solo de nutrientes, atrair minhocas e humus e, portanto, bastante precioso.

Agora quero recomeçar a fazer composto, com mais atenção e esforço. Já comecei a juntar cascas e restos da cozinha (exceto alimentos cozidos ou carnes), tudo picadinho para decompor mais rápido. Ainda não tenho uma nova caixa de compostagem, mas um recipiente qualquer no jardim vai quebrando o galho, literalmente.









E por fim, mas não menos relevante: Pepe the Blackbird está de volta e já é pai novamente. Dear Pepe, eu sei que não sou sua mãe. Mas você não vem nos visitar desde o verão passado. Quase um ano sem notícias, sem saber se você estava vivo ou morto. Um telefonema, um email, custava?






Flores na cerejeira, sementes brotando, composto pronto, Pepe voltando. Esperas recompensadas. I'm a slow learner, a slow bloomer too.



7 Comentários | Deixe um comentário

Ai eu tb estava com saudades do Pepe the Blackbird,que bom revê-lo.

Pepe, meu nego, tudo bem?

Muito bom ver seu "jardim" e o Pepe! Boa Páscoa! Miss S já deve à espera dos coelhinhos!!!

Oi Marcia,

que lindo o teu conservatório! Deve ser muito gratificante ver as plantinhas brotando e crescendo :)

Falando em composteira, a minha família sempre teve composteira em casa e ultimamente (nos últimos 10 anos) eles adotardam a composteira "aberta" (a dos meus pais é um grande cilindro de tela/cerca, exatamente como esta, só que maior: http://www.agriculturaurbana.org.br/textos/modelos_composteiros/composteira_de_tela_soldada_0.jpg), porque o ar circula mais entre o material orgânico e, consequentemente, apodrece mais rápido.

Eu sinto tanta falta de mexer na terra!

Boa Páscoa pra vc e pra sua família!

Querida, adorei a referência a Morro dos Ventos Uivantes. Li e reli muitas vezes, desde a minha adolescência.
Outra coisa, como sabe q o Pepe é o Pepe?

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Cris querida, Pepe tem umas penas brancas na asa, mas o que caracteriza mesmo é que ele é o único que chega bem perto de nós pra pedir comida. Ele olha dentro de casa, de janela em janela, até chamar atenção. Nenhum outro blackbird faz isso conosco.

O cenário do Morro dos Ventos Uivantes é em Yorkshire Moors e Pennines, que é onde a gente mora e venta horrivelmente quase o ano inteiro... Meu mau-humor quando venta é quase no nível Heathcliff. :/

Você está se tornando uma jardineira e tanto, aren't you? Que delícia. (E você sabe que papos de compostagem por aqui muito me agradam, :-))

Cerejeiras são apaixonantes, né? Quando ficamos uns tempos em Londres, em 2010, havia uma cerejeira no pátio interno do nosso prédio, em Kensington. Eu adorava espiar pela janela suja da cozinha e ficar olhando a "chuva" da cerejeira no final da primavera. Imagino a carinha de Miss S. olhando a cerejeira dela chover também, quando esse tempo chegar. :-)

Beijos, querida.
Rita

Ah, eu me lembro de quando você mencionou o início do composto, tempos atrás. Vou ficar de olho aqui pra dar umas dicas aos meus pais, que estão em lua-de-mel com seu pedacinho de chão recém-adquirido e já cheio de plantinhas cultivadas por eles mesmos, não longe de BH. :)

Eu tinha a mesma dúvida da Cris... li sua resposta a ela. Pepe, o inconfundível. Que fofinho o esforço dele pra chamar a atenção... imagino que vocês tenham ficado muito felizes com o retorno.

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