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Magical Santa





Recentemente a questão de permitir Miss S acreditar ou não em Papai Noel nos trouxe uma série de dúvidas e questionamentos. Seria certo fazê-la acreditar numa inverdade ou, caso contrário, seria certo priva-la de uma fantasia fundamental para a infância dela?

Obviamente sempre quisemos ser muito honestos com ela, sem excessão. E fazê-la acreditar na história de Papai Noel nos parecia ir contra nossas convicções. Porém alguns argumentos nos fizeram mudar de idéia. Tudo depende da forma de explicar posteriormente à fatídica pergunta: Papai Noel existe ou é agente da Scotland Yard?

Crianças naturalmente necessitam de fantasia. Acreditar nas histórias dos livros e filmes é uma forma de lidar com as várias questões, medos e preocupações da vida delas. É parte essencial da formação da auto-confiança, moral, caráter delas, junto com a disciplina da família. Acreditar em uma certa magia, em mundos que não existem, fazem os problemas ficarem mais fáceis de serem compreendidos. Trazem o conforto quando o mundo lhe sobrecarrega. Fazem o invisível possível. Crianças precisam de fantasia.

E adultos, no fundo, também esperam uma certa magia dessa época do ano. Talvez não em forma do bom velhinho, mas em forma de uma transformação, seja ela qual for. A esperança de que algo seja melhor, que uma situação se resolva ou seja diferente. Mesmo que a razão e a realidade falem o contrário, há ainda uma pequena luz desejando que a vida melhore magicamente, mesmo que seja impossível enxergar no momento. Acreditar no invisível na expectativa de uma vida melhor é o que nos move adiante.

E isso nós queremos pra ela. Que ela acredite, além de tudo, em coisas que ela não pode ver, mas que sem dúvida nenhuma existem: amor, esperança, generosidade, possibilidade.

E então decidimos que sim, Papai Noel há de visitá-la nas noites de Natal, bem no aniversário dela, ora por que não? No entanto, nós deixamos claro que todos os Papais Noéis que ela vê nos Christmas Markets, nas ruas, nas lojas, são apenas pessoas vestidas, fingindo ser o Papai Noel. Porque ninguém nunca o viu, ninguém nunca o vê. E essa é a parte que tomamos mais cuidado. E quando chegar a hora de responder a questão, espero explicar que nós a fizemos acreditar em algo que ela não pode ver, mas que nem por isso seja irreal. Papai Noel, ou Santa pra ela, é um símbolo de esperança. E se isso existe, então Santa também existe e existirá para sempre entre nós.

Ou se for mais fácil, digo mesmo que ele é agente da Scotland Yard e por isso é que ela tem que estar na listas dos bem-comportados.