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Just a broken arm

No dia 10 de Julho, um pouco antes da hora de ir pra cama, Miss S caiu e quebrou o braço direito. Assim simples, aqui em casa, sem ter feito nada de mais. Estava carregando um pregador de roupas em cada mão (ela queria fazer uma cabana com tecidos) e foi procurar mais pregadores no conservatory. Tropeçou, pisou numa bexiga, foi pro chão.

Chorou, chorou, deitou no sofa. Não quis em hipótese alguma dizer onde doía. E muito menos nos deixou tocar o braço. Por fim se acalmou e dormiu no sofá. Tentei carregá-la pra cama, mas ela protestou veementemente com olhar de pânico. Colocamos um colchão no chão e ela vagarosamente se moveu pra lá e dormiu até o amanhecer. Decidimos que era melhor deixar ela dormir aquela noite ao invés de ficar horas e horas na fila do pronto-socorro, sem dormir, sem poder deitar ou descansar.

Assim que ela acordou nós já estávamos prontos para levá-la para o pronto-socorro. Mas foram horas, literalmente horas, para que ela se levantasse do colchão e entrasse no carro. Não podíamos carregá-la porque era claro que o movimento piorava a dor. Quase chamamos uma ambulância, mas essa idéia foi tão pavorosa pra ela, que finalmente ela ergueu o corpo e nós rapidamente a colocamos em pé. Andamos bem devagar até o carro e tiramos o car seat para ela poder entrar com mais facilidade.

No hospital ela vomitou de nervoso, mas em pouco tempo se acalmou novamente. O pronto-socorro das crianças é separado dos adultos. A sala de espera tem televisão passando CBeebies, mesa com papeis para colorir, brinquedos, livros, jogos e uma enfermeira "play leader", que se encarrega de deixar as crianças entretidas. Fizemos uma colagem com papel de seda e lantejoulas, colorimos uma vaca, jogamos Guess Who?. Fora 3 horas de espera.

Na sala de raio-X Miss S chorou de dor para manter o braço na posição necessária. Depois de mais duas horas de espera (num total de cinco!), finalmente a médica nos mostrou que Miss S havia fraturado o úmero horizontalmente, acima do cotovelo. Oh my heart. As enfermeiras engessaram o braço, o que deu a Miss S um enorme alívio por mantê-lo imóvel e não mais correr o risco de mover de forma que ela sentisse dor. O humor dela melhorou instantaneamente. E melhorou ainda mais quando a médica deu um adesivo e a enfermeira "play leader" deu um certificado de coragem e um livro com CD da Cinderela, porque Miss S estava vestindo uma camiseta da princesa.

Recebemos a instrução de tomar um extremo cuidado com aquele gesso porque era provisório, não era rígido e qualquer tombo ou batida poderia mover a fratura novamente. Depois de três dias, voltamos ao hospital para ela trocar por um permanente. Esperava a mesma bagunça daquela massa branca, mas atualmente a imobilização é feita com faixas de fiberglass umedecidas com resina de secagem ultra-rápida. Num instante fica pronto, sem sujeira, bem mais leve e o melhor de tudo: pode-se escolher a cor! O enfermeiro perguntou que cor ela queria e Miss S, que não abriu a boca o tempo todo no hospital, respondeu bem alto e em bom tom: "Pink!!!"

E pink foi feito. Com esse gesso ela pôde voltar pra pré-escolinha nos dois últimos dias de aula. E assim começamos nossas férias de verão. Com o braço direito engessado (ela é destra), descobrindo o que era possível fazer ou não com um braço só.

Comprei uma capa especial impermeável para cobrir o gesso na hora do banho e também uma faixa extra de suporte cheia de florezinhas coloridas. E um pacote de 12 camisetas regatas, que foram excelentes para ela vestir facilmente no verão. Houve muito pouco que ela não pôde fazer. Correu, dançou, brincou nos parques, fez caminhada, desenhou bastante com a mão esquerda, fez artes, foi no cinema pela primeira vez (assistimos a Minions), me ajudou no jardim, fez cupcakes. Não pôde brincar na água, na areia, nem fazer acrobacias. Nem colocar a fantasia de Snow White. Mas de resto brincou bastante sem reclamar quase nenhuma vez.

O que não esperávamos, porém, foi a reação dela quando, depois de três semanas e meia e muitos outros raios-x, ela finalmente retirou o gesso. Ela estava bem tranquila e sorridente quando a enfermeira estava cortando o gesso. Mas assim que o gesso foi removido totalmente, Miss S começou a chorar assustada. A enfermeira nos explicou que é normal, que os músculos atrofiaram um pouco e a sensação é estranha.

Ela colocou a faixa de suporte novamente e voltamos para a sala de espera para ver o ortopedista. Miss S não parava de chorar e pedir para ir embora porque ela não queria tirar outro raio-x. Explicamos várias vezes que não ia doer como da primeira vez porque o braço havia sarado, mas ela não queria ouvir.

O ortopedista examinou o braço e os movimentos, checou o raio-x da consulta anterior e disse que poderíamos ir pra casa sem precisar tirar outro raio-x e voltar em três semanas. Miss S ficou tão, tão aliviada que não parava de falar: "Fiquei tão feliz! O médico me fez tão feliz porque não precisei tirar raio-x. Ufa. Sabia que não precisava tirar raio-x. Tô tão feliz... I'm "pocoyo-blast-off" happy! Pheew... [ad infinitum]"

No entanto, nos primeiros dias ela estava aterrorizada em usar o braço ou sequer remover a faixa de suporte. Usou a faixa o tempo todo e não queria tomar banho porque precisaria tirar essa faixa. O melhor plano foi mantê-la distraída com as brincadeiras e aos poucos ela começou a usar o braço sem perceber. Nós elogiávamos toda vez que ela movimentava ou usava o braço e aos poucos ela começou a se sentir mais segura e depois de uma semana já brincava sem a faixa e sem medo. Bem em tempo para a nossa viagem à praia.

Toda essa experiência me fez refletir que embora Miss S seja uma criança cuidadosa, que nem gosta de brincadeiras bruscas, que nem gosta de escalar Monkey Bars, acidentes acontecem. Em qualquer lugar. Em casa. Às vezes não há como prever ou evitar. Simplesmente acontece e não é culpa de ninguém. Outra reflexão veio na sala de espera do pronto-socorro do NHS. A espera é longa, mas a triagem é justa. Quanto mais grave o caso, mais urgente é o atendimento. O que coloca qualquer um em perspectiva. Esperar tantas horas é uma inconveniência apenas. E um alívio imenso: foi apenas um braço quebrado.






























4 Comentários | Deixe um comentário

Que bom que tudo ficou bem, Marcinha. Parabéns a Miss S. pela valentia e a você pela serenidade e sensatez. Um beijo grande pra vocês duas!

Apesar do sufoco she handled it very well (e com um braço só ainda fez cupcakes melhores que os meus *sigh*). ;D Congratulations, Miss S! Certificado de coragem mais do que merecido. ♥

É acidentes acontecem e que ótimo você ser tao sensata assim tudo se resolve sem traumas.
Meu filho mais velho quebrou o braço quando tinha quatro anos,o pai chutou a bola e ele pulou pra agarrar,caiu e quebrou o braço e isso aconteceu em fofas areias de praia.Nos culpamos tanto,choramos tanto,traumatizamos tanto o menino que fomos chamados atenção pela equipe medica que o atendia.
Levamos muito tempo mal e acho que meu filhinho foi quem nos fez entender que não foi nossa culpa,foi um acidente,acontece.De vez em quando eu ou meu marido o beijávamos e perguntávamos cheios de culpa se ele se sentia melhor,ate que um dia ele me disse:" mae eu estou bem e até gosto do meu gesso e não foram vocês que quebraram o meu braço,foi um tombo,eu cai".Ai eu parei de me sentir tao mal e de me apavorar quando o via brincando de bola mesmo com o braço engessado.
Serei uma avó melhor porque sei que é assim como li aqui hoje que deve ser com calma e sensatez tudo se resolve bem e sem traumas.
Acidentes acontecem a qualquer um.
Miss S fico feliz por sua coragem e recuperação.

Que garotinha valente! Que adulto suportaria uma noite inteira com um braço quebrado? Que bom que tudo se resolveu...

Um beijão no bracinho dela!

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